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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um conselho puritano sobre como conhecer a vontade de Deus

Imagem Cedida por: http://www.digitalpuritan.net/Resources/johnflavela.jpeg



John Flavel:

Se, portanto, em casos de dúvida você deverá descobrir a vontade de Deus. Governe a si mesmo, em sua busca pela vontade de Deus, seguindo algumas regras:

1. Obtenha o verdadeiro temor de Deus no teu coração. Tenha um medo real de ofendê-lo. Deus não vai esconder a sua mente de uma alma que o busca. “O segredo do SENHOR é com aqueles que o temem; e ele lhes mostrará a sua aliança." (Salmo 25:14).
2. Estude mais a Palavra [de Deus], e menos as preocupações e interesses do mundo. A Palavra é luz para os seus pés (Salmo 119:105), ou seja, ela tem uma utilidade de expor e direcionar a todos os deveres a serem feito e os perigos a serem evitados.

3. Reduza o que você sabe em prática, e você deverá saber o que é você deve praticar. "Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus [...]" (João 7:17). "Bom entendimento têm todos os que cumprem os seus mandamentos; " (Salmo 111:10).
4. Ore por iluminação e direção do caminho que você deve seguir. Implore ao Senhor para guiá-lo quando estiver em apuros e que ele não permitiria que você caia em pecado.

5. E tendo feito isso, siga a Providência divina na medida em que ela concorda com a Palavra e não mais além. Não há nenhum uso a ser feito da Providência se ela for contra a Palavra.

Não questionem os caminhos da providência, nem os julguem.

Há coisas difíceis de serem compreendidas nas obras de Deus, bem como nas Suas palavras. Nós não devemos usar raciocínio natural e orgulhoso quando pensamos nas obras de Deus. Asafe com muita ousadia tentou perscrutar os meios secretos da providência. Então ele disse: "Quando pensava em compreender isto, fiquei sobremodo perturbado" (Salmo 73:16).

Jó também foi culpado do mesmo procedimento (Jó 42:3). Eu sei que não há nada na palavra ou nas obras de Deus oposto ao raciocínio sadio, mas há algumas coisas que ultrapassam o raciocínio humano. Por exemplo, o raciocínio humano não pode conceber o bem provindo dos acon­tecimentos tristes, e nós somos tentados a desconfiar da providência.

Por conseguinte, tomem cuidado para não se inclinarem muito ao seu próprio raciocínio e entendimento. Nada parece ser mais natural do que julgar os fatos por padrões humanos, mas nada é mais perigoso!

FONTE: http://www.hermeneuticaparticular.com e O Mistério da Providência, 1678, (Carlisle, PA: Banner of Truth Trust, 2006), 188-9, grifo meu.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

O prazer de andar com Deus - John Flavel

http://semeadorfiel.blogspot.com.br

O prazer e o proveito obtidos por contemplar o que Deus faz na providência.

Eu devo agora apresentar-lhes o grande prazer de andar com Deus e ver de perto diariamente Suas providências.

1. Desse modo podem desfrutar de uma íntima comunhão diária com Deus

O Salmo 104 constitui uma meditação sobre as obras da providência. O salmista diz: "A minha meditação a seu respeito será suave" (versículo 34). A comunhão consiste em duas coisas: Deus Se revelando à alma, e a alma respondendo a Deus. O efeito dessa comunhão sobre nós é visto de quatro modos:

(i) Como no caso de Jacó e outros santos do passado, nós somos levados a sentir que não merecemos nem sequer a mínima das misericórdias de Deus e nem a verdade que Ele tem nos manifestado. Somos levados a dizer: "Não sou digno da menor de todas as tuas beneficências, e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo" (Gênesis 32:10).

(ii) Nosso amor por Deus é engrandecido quando nos lembramos de Suas misericórdias. Todo homem ama as bênçãos de Deus, mas um santo ama o Deus das bênçãos.

(iii) Comunhão com Deus, fruto de meditação nas Suas providências, faz com que a alma vigie rigorosamente contra o pecado.

(iv) A comunhão nos facilita obedecer e servir ao Senhor. Davi e Josafá também tiveram essa experiência (Salmo 116:12; 11 Crônicas 17:5-6).

Assim, vemos quão maravilhosa é a comunhão que uma alma pode ter com Deus através do estudo de Suas providências. Oxalá vocês andassem dessa maneira com Ele! Quando tais efeitos forem produzidos nos seus corações o Senhor dirá: "Os favores pelos quais vocês foram beneficiados, não foram dados em vão!" Ele Se alegrará em lhes fazer o bem, para sempre.
2. Grande parte do prazer da vida cristã provém de contemplar o que Deus faz na providência. "Grandes são as obras do Senhor, procuradas por todos os que nelas tomam prazer" (Salmo 111:2)

(i) Vejam como diferentes partes do caráter de Deus cooperam juntas na providência. Às vezes parece que uma se opõe a outra, mas, no fim, elas se harmonizam. "A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram" (Salmo 85:10). Essas palavras se referem a volta de Israel do cativeiro na Babilônia. A verdade e a justiça de Deus contidas na promessa que Ele havia feito 70 anos antes, pareciam distantes da experiência de graça e paz com que Israel agora se deparava saindo do cativeiro! A promessa, feita tantos anos antes, e o cumprimento setenta anos depois, são descritas como dois amigos que riem e se beijam ao se encontrarem depois de longa ausência. Sempre que as promessas de Deus e as coisas prometidas se encontram, elas são alegremente aceitas por aqueles que crêem.

(ii) Vocês freqüentemente vêem suas próprias orações e esperanças ressuscitando-se da morte, por assim dizer, quando meditam nas obras da providência. Deus tarda em responder nossas orações e nós dizemos: "Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor" (Lamentações 3:18). Por outro lado, ficamos cheios de conforto quando essas orações são atendidas, posto que havíamos perdido toda esperança de receber qualquer resposta a elas. As vidas de Jó, Jacó e Davi mostram como às vezes eles perderam toda esperança de sobreviver, mas após uma estranha e inesperada obra da providência, suas esperanças e confortos retor naram e receberam "vida vinda da morte".

(iii) Que grandes bênçãos a providência nos traz daquelas coisas que pensávamos capazes de nos trazer ruína ou miséria. José jamais imaginou, ao ser vendido ao Egito, que isso lhe traria algum benefício; todavia, ele viveu para ver um grande propósito em tudo aquilo (Gênesis 45:5). Quantas vezes nós somos levados a dizer como o salmista: "Foi-me bom ter sido afligido" (Salmo 119:71). A princípio recebemos nossos problemas com lamentos e lágrimas, porém mais tarde os contemplamos com alegria e louva mos a Deus por eles!

(iv) Que conforto imenso é para uma pessoa — que só vê o pecado em sua vida — ver como Deus a tem em alta estima. Enquanto a providência cuida dela, essa pessoa vê bondade e misericórdia lhe acompanharem todos os dias de sua vida (Salmo 23:6). Outros homens procuram o bem e este foge deles! Mas bondade e misericórdia seguem os filhos de Deus e eles não podem evitar de serem seguidos, embora às vezes eles pequem e saiam do caminho certo. Não há dúvida, o povo de Deus é Seu tesouro e "ele não tira os olhos do justo" (Jó 36:7).

v. O que mais poderia nos dar tanto conforto e alegria neste mundo como o conhecimento de quê tudo que nos acontece ajuda-nos na caminhada para o céu? Apesar dos ventos e marés da providência muitas vezes parecerem estar contra nós, nada é mais certo de que eles estão nos trazendo mais perto de Deus e nos preparando para a glória.

3. Um estudo do que Deus faz pela providência corrigirá .a incredulidade natural dos nossos corações Há uma impiedade natural nos melhores corações, e essa é fortalecida quando nós pensamos erroneamente sobre as obras da providência. Nós somos tentados a dizer como Asafe, "Eis que estes são ímpios; e, todavia, estão sempre em segurança, e se lhes aumentam as riquezas" (Salmo 73:12). Mas se observarmos cuidadosamente o modo pelo qual Deus castiga homens ímpios, alguns neste mundo, e todos eles no mundo vindouro, nossa fé será plena mente confirmada. As providências que revelam a sabedoria, poder, amor e fidelidade de Deus em guardar e livrar Seu povo de todos os perigos, tristezas e dificuldades que lhe sobrevêm, são muito evidentes! O Senhor mostra-Se ao Seu povo nessas coisas (Salmo 94:1). Pensem em suas próprias experiências e perguntem-se quem supriu todas as suas necessidades nos tempos difíceis. Foi o Senhor, não foi? "Deu mantimento aos que o temem; lembrar-se-á sempre do seu concerto" (Salmo 111:5). Como é que vocês têm sobrevi vido a tantos perigos, doenças e acidentes? Não há dúvida de que Deus estava nessas coisas, e que somente pelo Seu cuidado têm sido preservados. A mão de Deus também é vista claramente nas respostas às suas orações. "Busquei ao Senhor, e ele me respondeu, livrou-me de todos os meus temores. Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o salvou de todas as suas angústias" (Salmo 34:4-6). Porventura não descobriram, também a mão de Deus guiando e dirigindo seus passos, de forma que bênçãos nunca imaginadas lhes foram dadas? O povo de Deus Lhe é muito querido. Ele executa todas as coisas para Seus filhos (Salmo 57:2).

4. Fazer anotações do que a providência nos tem feito, será um apoio para a fé em tempos difíceis no futuro

É muito mais fácil para a fé percorrer uma vereda bem conhecida do que trilhar uma nova, onde não se pode ver um passo à frente. Quando começamos a crer em Cristo, o mais difícil era o exercer a fé, Todos os atos posteriores de fé se tornaram mais fáceis devido nossas primeiras experiências. Quando nos sobrevêm uma série de problemas, é um grande auxílio poder dizer: "não é a primeira vez que passo por tais provações, mas sempre saí vitorioso". Quando os discípulos se acharam desprovidos de pão, Cristo teve que lembrá-los dos milagres que Ele já fizera anterior mente (Mateus 16:8-11). Ele chamou-os de homens de "pouca fé" porque eles deveriam ter confiado em Deus, depois de terem visto tanto do Seu poder no passado. Há duas maneiras pelas quais mostramos nossa incredulidade: duvidamos do poder de Deus e duvidamos da Sua disposição para nos ajudar. Os filhos de Israel julgaram que algumas coisas eram impossíveis para Deus. "Poderá Deus porventura preparar-nos uma mesa no deserto? Poderá também dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo?" (Salmo 78:19-20). Visto que não entendemos o caminho pelo qual o auxílio possa vir, achamos que nenhum pode ser esperado. Mas todos esses raciocínios da incredulidade são superados se lembrarmos as nossas experiências anteriores. Deus tem nos ajudado, portanto pode nos ajudar. Ele tem tanto poder e capacidade agora quanto teve no passado.

A incredulidade sempre questiona se Deus será tão bondoso agora quanto foi no passado. Davi e Paulo raciocinaram baseados naquilo que Deus fez no passado, para afirmarem o que Ele faria no presente (I Samuel 17:36; II Coríntios 1:10). Que dúvida pode haver, após tantas provas da bondade de Deus no passado?

Talvez o incrédulo pergunte: como pode uma criatura má e pecadora como eu, esperar que Deus faça isso ou aquilo por mim? Você pode responder que a graça de Deus veio a mim quando eu era pior do que sou agora; portanto esperarei que Sua bondade para mim continue, embora eu não a mereça. "Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Romanos 5:10).

5. Lembrarmos de providências passadas será uma motivação para louvor e agradecimento contínuos, os quais são a tarefa dos anjos no céu, e a mais aprazível ocupação de nossas vidas na terra

O salmista disse do povo de Deus no passado: "Cedo, porém, se esqueceram das suas obras (Salmo 106:13). Apesar da providência os ter alimentado de maneira marcante no deserto, eles não deram a Deus o devido louvor (Números 11:6). Mas Davi reuniu todas as suas forças para louvar e agradecer a Deus pelas misericórdias recebidas dEle. "Bendize, ó minha alma ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome" (Salmo 103:1). Não é tanto as bênçãos que a providência nos dá que faz uma pessoa grata ocupar-se em louvar a Deus, e sim a graça e a bondade dEle em dá-las. Como Davi diz: "Porque a tua benignidade é melhor do que a vida; os meus lábios te louvarão" (Salmo 63:3). Doar a vida e preservá-la, são preciosos atos da providência; mas a graça que leva Deus a fazer tudo isso é muito melhor do que os atos em si. Nós recebemos bênçãos diariamente, e elas são um bom motivo para sermos gratos. "Bendito seja o Senhor, que de dia em dia nos cumula de benefícios" (Salmo 68:19). A ternura da graça de Deus é vista em Suas providências. "Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem (Salmo 103:13). Seus profundos sentimentos, demonstrados enquanto conforta o Seu povo, são como os que uma mãe tem por seu filho (Isaías 49:15). Então, prostrar-nos aos Seus pés em santo louvor pelo modo que Ele graciosamente Se inclina ao nosso baixo plano nos Seus procedimentos, é uma coisa muito agradável.

6. A observação cuidadosa da providência fará com que Jesus Cristo Se torne mais e mais precioso para as suas almas.

Através de Cristo a bondade de Deus chega a nós, e todo louvor volta a Deus por nós. Toda as coisas são nossas, porque nós somos dEle (I Coríntios 3:21-23)

FONTE: www.ocalvinista.com

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Vendo Deus nas Circunstâncias difíceis - John Flavel (1628-1691)

Imagem cedida por: http://pastoriranildomedeiros.blogspot.com

Como pode o cristão descobrir a vontade de Deus em circunstâncias difíceis e confusas?

Devemos em primeiro lugar considerar o que se quer dizer com "vontade de Deus". Ela tem um sentido duplo. Há a vontade secreta de Deus e há a Sua vontade revelada. "As coisas encobertas são para o Senhor nosso Deus, porém, as reveladas são para nós" (Deuteronômio 29:29). Nós podemos nos ocupar apenas com a vontade de Deus revelada. Esta é manifestada a nós, ora em Sua Palavra, ora em Suas obras.

(I) Há grande variedade nas coisas reveladas. As coisas realmente importantes da fé cristã estão claramente mostradas na Bíblia, mas as coisas menos importantes são, às vezes, mais difíceis de serem entendidas.

(II) Há grande diferença nas pessoas a quem Deus revela Sua vontade. Algumas são como homens fortes, e outras como bebês (I Coríntios 3:1). Algumas são capazes de entender o que devem fazer, e outras não compreendem tão facilmente.

(III) Os modos pelos quais Deus revela Sua vontade aos homens também são muito diferentes. No tempo do Velho Testamento Deus mostrou aos homens o que fazer de maneira especialmente pessoal, como no caso de Samuel quando escolheu Sauí para ser rei (I Samuel 9:15-17), e quando Davi perguntou ao Senhor se deveria lutar contra os Filisteus (I Samuel 23:2,4). Mas agora temos toda a Bíblia para nosso guia, e não devemos esperar receber revelações especiais. Devemos verificar as Escrituras, e onde não houver uma regra particular para nos orientar, devemos aplicar as regras gerais da Bíblia ao nosso problema particular.

Entretanto, é possível que ainda tenhamos dúvidas sobre o que fazer. Nesse caso, não devemos olhar apenas para as providências a fim de descobrir a vontade de Deus. O modo mais seguro é considerar as providências à luz dos mandamentos ou promessas da Bíblia. Quando tiverem orado pedindo direção, e perceberem que a providência concorda com sua consciência e com a orientação mais clara que encontram na Bíblia, podem aceitar isso como encorajamento para continuarem no caminho indicado. Mas se a providência parece favorecer qualquer coisa que estaria indo contra a orientação das Escrituras, não devem seguir esse caminho. Por outro lado, se a providência sozinha fosse tomada como a regra para nos guiar, então um homem ímpio que pratica o pecado de maneira bem sucedida, poderia alegar ser guiado por Deus. Os seguintes conselhos ajudarão vocês a descobrirem a vontade de Deus:

a)      Tenham um temor verdadeiro a Deus em seus corações, e temam deveras em ofendê-lO. "O segredo do Senhor é para os que o temem; e ele lhes fará saber o seu concerto" (Salmo 25:14).

b)      Estudem mais a Palavra e preocupem-se menos com os afazeres do mundo. A Palavra é luz para os seus pés (Salmo 119:105). Ela lhes mostrará o que fazer e quais os perigos a evitar.

c)      Ponham em prática o que vocês já sabem. "Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo" (João 7:17). "bom entendimento têm todos os que lhe obedecem" (Salmo 111:10).

d)      Orem pedindo iluminação; peçam ao Senhor que os guie e não os deixe cairem no mal (veja Esdras 8:21).

e) Então sigam a providência até onde essa concorde com a Bíblia, e não ultrapassem isso. Em tempo de provação devemos nós humilhar sob a poderosa mão de Deus. Por outro lado, é hora de regozijar em Deus quando Ele envia bênçãos para nos trazer conforto. "No dia da prosperidade goza do bem" (Eclesiastes 7:14). Devemos ser sábios para aprender o que Deus está nos ensinando em ocasiões diferentes à medida que a providência salienta tais ensinos.

FONTE: : http://pastoriranildomedeiros.blogspot.com/2011/01/vendo-deus-nas-circunstancias-dificeis.html#ixzz1TLfUXVXk

domingo, 24 de julho de 2011

E-BOOK: Se Deus Quiser - John Flavel

Imagem cedida por: http://pastoriranildomedeiros.blogspot.com/2011/01/vendo-deus-nas-circunstancias-dificeis.html

Resumo Biográfico


John Flavel nasceu no ano 1628, filho dum ministro do evangelho que faleceu na prisão por causa do seu inconformismo do seu anglicanismo daquela época. Em 1656, após ter sido educado na University College, Oxford, Flavel foi convidado a tornar-se pastor de uma igreja em Dartmouth, Devon, onde passou a maior parte da sua vida. Embora o Act of Uniformity de 1662 tenha declarado seu ministério como ilegal, ele continuou pregando e escrevendo fielmente sob a pressão da perseguição. Flavel foi preeminente na sua capacidade de escrever tanto para o coração como para a mente. A popularidade de suas obras é, sem dúvida, em certa medida o resultado do tom afável e fervoroso no qual ele escreveu. Sua morte ocorreu em 1691. A obra aqui apresentada em versão simplificada – originalmente intitulada "Conduta Divina ou o Mistério da Providência" – foi publicada em 1677. Deus a abençoe hoje como a abençoou naquela época.

Créditos: Overlon


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quarta-feira, 22 de junho de 2011

A Malignidade do Pecado John Flavel

Imagem cedida por: http://www.hailandfire.com/library_audio_Puritan_JohnFlavel.html


Se a morte de Cristo foi aquilo que satisfez a Deus em favor de nossos pecados, existe uma infinita malignidade no pecado, visto que ele não pôde ser expiado de outro modo, senão por meio de uma satisfação infinita. Os tolos zombam do pecado, e existem poucas pessoas no mundo que se mostram verdadeiramente sensíveis a respeito de sua malignidade. No entanto, é certo que, se Deus exigisse de você a penalidade completa, os sofrimentos eternos não seriam capazes de expiar a malignidade que se encontra em um só pensamento pecaminoso. Talvez você pense que é muito severo o fato de que Deus sujeitaria as suas criaturas aos sofrimentos eternos por causa do pecado e nunca mais ficaria satisfeito com elas.

Quando, porém, você considerar bem a verdade de que o Ser contra o qual você peca é o Deus infinitamente bendito e meditar em como Ele agiu em relação aos anjos que caíram, você mudará de idéia. Oh! Que malignidade profunda existe no pecado! Se você deseja entender quão grave e horrível é o pecado, avalie seus próprios pensamentos, quer à luz da infinita santidade e excelência de Deus, que é ofendido pelo pecado; quer à luz dos sofrimentos de Cristo, que morreu para oferecer satisfação pelo pecado. Então, você obterá compreensões profundas a respeito da gravidade do pecado.

Se a morte de Cristo satisfez a Deus e, conseqüentemente, nos redimiu da maldição do pecado, a redenção de nossa alma é caríssima. As almas são preciosas e muito valiosas diante de Deus. “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pe 1.18-19). Somente o sangue de Deus é um equivalente para a redenção de nossa alma. Ouro e prata podem redimir-nos da servidão humana, mas não podem livrar-nos da prisão do inferno. Toda a criação não vale a redenção de uma única alma. As almas são muito preciosas; Aquele que pagou o preço da redenção delas pensou nisso. Mas os pecadores vendem por um valor muito baixo as suas próprias almas. Se a morte de Cristo satisfez a Deus no que diz respeito aos nossos pecados, quão incomparável é o amor de Deus para com pobres pecadores! Se Cristo, por meio de sua morte, consumou uma plena satisfação pelo pecado, Deus pode perdoar com segurança o maior dos pecadores que crer em Jesus.

domingo, 15 de maio de 2011

Sem Desculpas! - John Flavel - (1628-1691)


Imagem cedida por: http://timmybrister.com/2008/02/04/who-is-john-flavel/

Desde o momento em que Deus interrogou Adão e Eva sobre o primeiro pecado, os homens e mulheres têm apresentado desculpas pelo seu comportamento. Aqui estão algumas dessas desculpas que apresentam quando resmungam.


"Não estou me queixando, apenas estou expondo os fatos". É ótimo que os cristãos olhem para sua situação de forma realística; todavia, eles não deveriam resmungar. Pelo contrário, estar conscientes dos fatos é estar ciente do quanto Deus é grande em Sua misericórdia para com eles. Se pensam mais sobre seus problemas do que sobre as misericórdias de Deus, então eles têm uma visão distorcida dos fatos. Estar ciente dos fatos não impede o cristão de servir a Deus como ele deve servi-Lo, mas o resmungar sim, isso impede. Sejamos realistas, encaremos os fatos, mas isso deveria tornar-nos gratos a Deus, não apenas pelo que Ele nos tem feito, mas também por aquilo que Ele tem feito para outras pessoas. Se nós as invejarmos, isso mostra que estamos pensando demais sobre nossos problemas e não suficientemente sobre a bondade de Deus.

"Eu não estou reclamando: somente estou consciente do peca do". É fácil dizer isso, porém se a causa do pecado for tirada, o suposto senso de transgressão desaparece, e isso simplesmente mostra que não houve nenhuma convicção real de pecado. Cristãos que de fato estão preocupados sobre o pecado não desejarão acrescentar nada à sua culpa por resmungar; pelo contrário, eles se sentirão felizes submetendo-se à disciplina de Deus.

"Sou infeliz porque sinto que Deus não está comigo". Mas só porque estamos sofrendo, não significa que Deus nos abandonou. Um pai não se vira contra o filho porque ele teve de discipliná-lo. Deus prometeu estar com Seu povo, especialmente em tempos de tribulações. "Quando passares pelas águas, estarei contigo; quando passares pelos rios, eles não te submergirão" (Isaías 43:2). Portanto Deus está junto na situação, porém pode ser que às vezes os cristãos não o sintam porque seu espírito de murmuração afastou deles o senso da presença de Deus. Se quiserem senti-10 perto, devem ficar quietos e obedientes e ter o zelo de ser o tipo de pessoa que Ele deseja que Seus filhos sejam.

"Não é o sofrimento, e sim a atitude de outras pessoas que não consigo suportar". Até mesmo a atitude das outras pessoas está sob o controle de Deus; inclusive os perversos podem ser usados para Seus propósitos, embora os cristãos devessem lembrar de que os ímpios estão sob o julgamento de Deus, e deveriam ser motivo de suas orações. Não importa quão severo seja o tratamento recebido de outras pessoas, os cristãos deveriam sempre lembrar que Deus jamais deixa de ser bom para com Seus filhos. Eles deveriam louvá-lO: não há desculpas para a murmuração.

"Jamais esperava isso". Os cristãos devem esperar problemas nesta vida e precisam estar preparados para os momentos de dificuldades, para que quando vierem eles possam estar prontos para enfrentá-los. E quantas vezes eles são capazes de dizer: "Jamais esperava isso", quando Deus tem sido especialmente bom para com eles!

"Meu problema é pior do que os dos outros". Como você sabe disso, meu amigo? Talvez sua murmuração o tenha levado a exagerar. Mas supondo que seja o caso, isso indica que Deus lhe deu uma oportunidade de glorificá-lO ainda maior do que a que deu aos outros. Quando os incrédulos virem como você enfrenta um grande problema, eles louvarão a Deus e talvez sejam auxiliados com problemas menores.

"Meu problema não me deixa servir a Deus". Às vezes ocorre que os cristãos não conseguem servir a Deus como gostariam devido às circunstâncias que enfrentam. É bom querermos servir a Deus, e é natural ficarmos tristes quando não conseguimos isso. Mas isso não é desculpa para murmuração. Somos membros do corpo de Cristo. É melhor ser um membro inexpressivo do corpo de Cristo do que ser uma pessoa importante, a qual não é membro desse corpo. Todos os cristãos têm um chamado espiritual para cumprir, não importa quão insignificantes eles pensem que sejam. Deus Se alegra mais com os atos mais simples de um cristão humilde do que com todas as obras mais famosas da história. O que Ele exige não é fama ou realizações brilhantes, e sim fidelidade e paciência. Os que demonstram tais qualidades serão recompensados no céu. Quando cristãos humildes vêem isso, percebem que não têm razões para resmungar.

"Não agüento minhas circunstâncias, porque elas sempre são instáveis". Se as nossas circunstâncias são incertas talvez a razão seja para nos ensinar a confiar em Deus em cada passo do caminho. De qualquer forma nosso estado espiritual é seguro, e nossa vida eterna assegurada. Enquanto isso, Cristo nos concede muitas bênçãos, "pois todos nós temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça" (João 1:16).

"Eu era rico mas agora sou pobre". Isso não é desculpa para murmuração. Você não consegue ser grato pelo fato de ter sido rico e ter tido a oportunidade de se preparar para esse tempo de pobreza? Ou que você uma vez desfrutou de boa saúde e teve a oportunidade de se preparar para esse período de enfermidade? Ou que esteve em liberdade e teve a oportunidade de se preparar para esse tempo de perseguição? Um navegador experiente utiliza os dias de calmaria para preparar seu barco para enfrentar a tempestade. Deus não tem obrigação de dar coisa alguma aos cristãos, por isso deveriam ser gratos pelas bênçãos imerecidas que receberam, tanto no passado quanto no presente. Seria justo murmurar por causa de umas peque nas adversidades ocorridas numa jornada que doutra forma, teria sido satisfatória? Mas talvez o que realmente esta desculpa signifique seja: "Suportei terríveis dores para conquistar isso e não é justo que eu o perca". No entanto, antes que os cristãos se preocupem com qualquer coisa, deveriam certificar-se que têm a atitude correta para com ela. Eles devem estar dispostos a abrir mão daquilo que ambicionam se outra coisa que honre mais a Deus for o que realmente seja melhor para eles.

Prazer de Andar com Deus - John Flavel


Imagem cedida por: http://stevenjcamp.blogspot.com/2008/01/wisdom-and-insight-on-nature-of.html

O prazer e o proveito obtidos por contemplar o que Deus faz na providência.

Eu devo agora apresentar-lhes o grande prazer de andar com Deus e ver de perto diariamente Suas providências.

1. Desse modo podem desfrutar de uma íntima comunhão diária com Deus

O Salmo 104 constitui uma meditação sobre as obras da pro vidência. O salmista diz: "A minha meditação a seu respeito será suave" (versículo 34). A comunhão consiste em duas coisas: Deus Se revelando à alma, e a alma respondendo a Deus. O efeito dessa comunhão sobre nós é visto de quatro modos:

(i) Como no caso de Jacó e outros santos do passado, nós somos levados a sentir que não merecemos nem sequer a mínima das misericórdias de Deus e nem a verdade que Ele tem nos mani festado. Somos levados a dizer: "Não sou digno da menor de todas as tuas beneficências, e de toda a fidelidade que tens usado para com teu servo" (Gênesis 32:10).

(ii) Nosso amor por Deus é engrandecido quando nos lem bramos de Suas misericórdias. Todo homem ama as bênçãos de Deus, mas um santo ama o Deus das bênçãos.

(iii) Comunhão com Deus, fruto de meditação nas Suas pro vidências, faz com que a alma vigie rigorosamente contra o pecado.

(iv) A comunhão nos facilita obedecer e servir ao Senhor. Davi e Josafá também tiveram essa experiência (Salmo 116:12; 11 Crônicas 17:5-6).

Assim, vemos quão maravilhosa é a comunhão que uma alma pode ter com Deus através do estudo de Suas providências. Oxalá vocês andassem dessa maneira com Ele! Quando tais efeitos forem produzidos nos seus corações o Senhor dirá: "Os favores pelos quais vocês foram beneficiados, não foram dados em vão!" Ele Se alegrará em lhes fazer o bem, para sempre.
2. Grande parte do prazer da vida cristã provém de contem plar o que Deus faz na providência. "Grandes são as obras do Senhor, procuradas por todos os que nelas tomam prazer" (Salmo 111:2)

(i) Vejam como diferentes partes do caráter de Deus coope ram juntas na providência. Às vezes parece que uma se opõe a outra, mas, no fim, elas se harmonizam. "A misericórdia e a ver dade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram" (Salmo 85:10). Essas palavras se referem a volta de Israel do cativeiro na Babi lônia. A verdade e a justiça de Deus contidas na promessa que Ele havia feito 70 anos antes, pareciam distantes da experiência de graça e paz com que Israel agora se deparava saindo do cati veiro! A promessa, feita tantos anos antes, e o cumprimento setenta anos depois, são descritas como dois amigos que riem e se beijam ao se encontrarem depois de longa ausência. Sempre que as pro messas de Deus e as coisas prometidas se encontram, elas são alegremente aceitas por aqueles que crêem.

(ii) Vocês freqüentemente vêem suas próprias orações e espe ranças ressuscitando-se da morte, por assim dizer, quando meditam nas obras da providência. Deus tarda em responder nossas orações

e nós dizemos: "Já pereceu a minha força, como também a minha esperança no Senhor" (Lamentações 3:18). Por outro lado, ficamos cheios de conforto quando essas orações são atendidas, posto que havíamos perdido toda esperança de receber qualquer resposta a elas. As vidas de Jó, Jacó e Davi mostram como às vezes eles perderam toda esperança de sobreviver, mas após uma estranha e inesperada obra da providência, suas esperanças e confortos retor naram e receberam "vida vinda da morte".

(iii) Que grandes bênçãos a providência nos traz daquelas coisas que pensávamos capazes de nos trazer ruína ou miséria. José jamais imaginou, ao ser vendido ao Egito, que isso lhe traria algum benefício; todavia, ele viveu para ver um grande propósito em tudo aquilo (Gênesis 45:5). Quantas vezes nós somos levados a dizer como o salmista: "Foi-me bom ter sido afligido" (Salmo 119:71). A princípio recebemos nossos problemas com lamentos e lágrimas, porém mais tarde os contemplamos com alegria e louva mos a Deus por eles!

(iv) Que conforto imenso é para uma pessoa — que só vê o pecado em sua vida — ver como Deus a tem em alta estima. Enquanto a providência cuida dela, essa pessoa vê bondade e misericórdia lhe acompanharem todos os dias de sua vida (Salmo 23:6). Outros homens procuram o bem e este foge deles! Mas bondade e misericórdia seguem os filhos de Deus e eles não podem evitar de serem seguidos, embora às vezes eles pequem e saiam do caminho certo. Não há dúvida, o povo de Deus é Seu tesouro e "ele não tira os olhos do justo" (Jó 36:7).

v. O que mais poderia nos dar tanto conforto e alegria neste mundo como o conhecimento de quê tudo que nos acontece ajuda-nos na caminhada para o céu? Apesar dos ventos e marés da providência muitas vezes parecerem estar contra nós, nada é mais certo de que eles estão nos trazendo mais perto de Deus e nos preparando para a glória.

3. Um estudo do que Deus faz pela providência corrigirá .a incredulidade natural dos nossos corações Há uma impiedade natural nos melhores corações, e essa é fortalecida quando nós pensamos erroneamente sobre as obras da providência. Nós somos tentados a dizer como Asafe, "Eis que estes são ímpios; e, todavia, estão sempre em segurança, e se lhes aumentam as riquezas" (Salmo 73:12). Mas se observarmos cuida dosamente o modo pelo qual Deus castiga homens ímpios, alguns neste mundo, e todos eles no mundo vindouro, nossa fé será plena mente confirmada. As providências que revelam a sabedoria, poder, amor e fidelidade de Deus em guardar e livrar Seu povo de todos os perigos, tristezas e dificuldades que lhe sobrevêm, são muito evidentes! O Senhor mostra-Se ao Seu povo nessas coisas (Salmo 94:1). Pensem em suas próprias experiências e perguntem-se quem supriu todas as suas necessidades nos tempos difíceis. Foi o Senhor, não foi? "Deu mantimento aos que o temem; lembrar-se-á sempre do seu concerto" (Salmo 111:5). Como é que vocês têm sobrevi vido a tantos perigos, doenças e acidentes? Não há dúvida de que Deus estava nessas coisas, e que somente pelo Seu cuidado têm sido preservados. A mão de Deus também é vista claramente nas respostas às suas orações. "Busquei ao Senhor, e ele me respondeu, livrou-me de todos os meus temores. Clamou este pobre, e o Senhor o ouviu, e o salvou de todas as suas angústias" (Salmo 34:4-6). Porventura não descobriram, também a mão de Deus guiando e dirigindo seus passos, de forma que bênçãos nunca imaginadas lhes foram dadas? O povo de Deus Lhe é muito querido. Ele executa todas as coisas para Seus filhos (Salmo 57:2).

4. Fazer anotações do que a providência nos tem feito, será um apoio para a fé em tempos difíceis no futuro

É muito mais fácil para a fé percorrer uma vereda bem co nhecida do que trilhar uma nova, onde não se pode ver um passo à frente. Quando começamos a crer em Cristo, o mais difícil era o exercer a fé, Todos os atos posteriores de fé se tornaram mais fáceis devido nossas primeiras experiências. Quando nos sobrevêm uma série de problemas, é um grande auxílio poder dizer: "não é a primeira vez que passo por tais provações, mas sempre saí vitorioso". Quando os discípulos se acharam desprovidos de pão, Cristo teve que lembrá-los dos milagres que Ele já fizera anterior mente (Mateus 16:8-11). Ele chamou-os de homens de "pouca fé" porque eles deveriam ter confiado em Deus, depois de terem visto tanto do Seu poder no passado. Há duas maneiras pelas quais mostramos nossa incredulidade: duvidamos do poder de Deus e duvidamos da Sua disposição para nos ajudar. Os filhos de Israel julgaram que algumas coisas eram impossíveis para Deus. "Poderá Deus porventura preparar-nos uma mesa no deserto? Poderá tam bém dar-nos pão, ou preparar carne para o seu povo?" (Salmo 78:19-20). Visto que não entendemos o caminho pelo qual o auxí lio possa vir, achamos que nenhum pode ser esperado. Mas todos esses raciocínios da incredulidade são superados se lembrarmos as nossas experiências anteriores. Deus tem nos ajudado, portanto pode nos ajudar. Ele tem tanto poder e capacidade agora quanto teve no passado.

A incredulidade sempre questiona se Deus será tão bondoso agora quanto foi no passado. Davi e Paulo raciocinaram baseados naquilo que Deus fez no passado, para afirmarem o que Ele faria no presente (I Samuel 17:36; II Coríntios 1:10). Que dúvida pode haver, após tantas provas da bondade de Deus no passado?

Talvez o incrédulo pergunte: como pode uma criatura má e pecadora como eu, esperar que Deus faça isso ou aquilo por mim? Você pode responder que a graça de Deus veio a mim quando eu era pior do que sou agora; portanto esperarei que Sua bondade para mim continue, embora eu não a mereça. "Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Romanos 5:10).

5. Lembrarmos de providências passadas será uma motivação para louvor e agradecimento contínuos, os quais são a tarefa dos anjos no céu, e a mais aprazível ocupação de nossas vidas na terra

O salmista disse do povo de Deus no passado: "Cedo, porém, se esqueceram das suas obras (Salmo 106:13). Apesar da providência os ter alimentado de maneira marcante no deserto, eles não deram a Deus o devido louvor (Números 11:6). Mas Davi reuniu todas as suas forças para louvar e agradecer a Deus pelas mise ricórdias recebidas dEle. "Bendize, ó minha alma ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome" (Salmo 103:1). Não é tanto as bênçãos que a providência nos dá que faz uma pessoa grata ocupar-se em louvar a Deus, e sim a graça e a bon dade dEle em dá-las. Como Davi diz: "Porque a tua benignidade é melhor do que a vida; os meus lábios te louvarão" (Salmo 63:3). Doar a vida e preservá-la, são preciosos atos da providência; mas a graça que leva Deus a fazer tudo isso é muito melhor do que os atos em si. Nós recebemos bênçãos diariamente, e elas são um bom motivo para sermos gratos. "Bendito seja o Senhor, que de dia em dia nos cumula de benefícios" (Salmo 68:19). A ternura da graça de Deus é vista em Suas providências. "Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece da queles que o temem (Salmo 103:13). Seus profundos sentimentos, demonstrados enquanto conforta o Seu povo, são como os que uma mãe tem por seu filho (Isaías 49:15). Então, prostrar-nos aos Seus pés em santo louvor pelo modo que Ele graciosamente Se inclina ao nosso baixo plano nos Seus procedimentos, é uma coisa muito agradável.

6. A observação cuidadosa da providência fará com que Jesus Cristo Se torne mais e mais precioso para as suas almas.

Através de Cristo a bondade de Deus chega a nós, e todo louvor volta a Deus por nós. Toda as coisas são nossas, porque nós somos dEle (I Coríntios 3:21-23).

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