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segunda-feira, 25 de maio de 2015

Santa Violência – Thomas Watson (1620-1686)

thomaswatsonquotes.com

Os exercícios de adoração a Deus são contrários à natureza, por isso, deve haver uma provocação de nós mesmos para eles. O movimento da alma para o pecado é natural, mas seu movimento para o céu é violento. A pedra move facilmente ao centro, ela tem uma inata propensão para baixo, mas para elaborar uma pedra de moinho no ar é feito por violência porque é contra a natureza. Assim, levantar o coração ao céu em dever é feito por violência e devemos provocar nós mesmos a isso. O que é provocar nós mesmos ao dever? É nos despertar e nos livrar da preguiça espiritual.
Vamos então examinar se nós colamos para fora essa violência em direção ao céu. Nós separamos um tempo para chamar a nós mesmos para dar conta e julgar nossas evidências com relação ao céu? “Meu espírito fez diligente busca” (Sl 77:6). Nós tomamos nosso coração como um relógio todo em pedaços para ver o que está faltando e consertá-lo? Nós somos curiosamente inquisitivos quanto ao estado de nossas almas? Nós temos medo da graça artificial, assim como temos da felicidade artificial? Nós usamos violência na oração? Há fogo em nosso sacrifício? O vento do Espírito está enchendo nossas velas causando gemidos inexpremíveis (Rm 8:26)? 
Nós oramos pela manhã como se fôssemos morrer a noite? Nós temos sede do Deus vivo? Nossas almas ampliam em desejos santos? “Não há nada na terra que eu deseje além de Ti” (Sl 73:25). Nós desejamos santidade assim como desejamos o céu? Nós desejamos tanto parecer com Cristo como viver com Cristo? É nosso desejo constante? Esse pulso espiritual está sempre batendo? Nós estamos hábeis em auto-negação? 
Nós podemos negar nosso conforto, nossos objetivos, nossos interesses? Podemos passar por nossas vontades para cumprir a de Deus? Podemos decapitar nosso pecado amado? Arrancar o olho direito requer violência (Mt 18:9). Nós realmente amamos a Deus? Não é o quanto fazemos, mas o quanto nós amamos. O amor comanda o castelo de nossos corações? A beleza de Cristo e sua doçura nos constrange? (2 Cor 5:14). Nós amamos a Deus mais do que o medo do inferno? 
Nós mantemos nossa vigilância espiritual? Mantemos espiões em todos os lugares observando nossos pensamentos, nossos olhos e nossa língua? Quando oramos contra o pecado, nós vigiamos contra a tentação? Nós pressionamos após mais degraus de santidade? “Avançando para as coisas que estão diante de mim” (Fil 3:13). Um bom cristão é uma maravilha, ele é o mais contentado e ainda assim o menos satisfeito.  Ele é contentado com um pouco do mundo, mas não satisfeito com um pouco de graça.
Quão violento foi Cristo com relação a nossa salvação! Ele estava em agonia. Ele “continuou toda noite em oração” (Lc 6:12). Ele chorou, jejuou e morreu uma morte violenta. Ele levantou violentamente da sepultura. Cristo foi tão violento por nossa salvação e aqueles que estão intimamente ligados a ele não se tornariam? A violência de Cristo não foi somente satisfatória, mas exemplar. Não foi somente para apaziguar Deus, mas para nos ensinar. Cristo foi violento em morrer para nos ensinar a sermos violentos em crer.
FONTE: https://afeicoesdoevangelho.wordpress.com/2013/06/05/santa-violencia-thomas-watson/

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Amor por aquilo que Deus ama - Thomas Watson

http://www.fivesolas.com/watson/wattarget.htm

Se nós somos amantes de Deus, nós amamos aquilo que Deus ama.

(i) Nós amamos a Palavra de Deus. Davi estimava a Palavra pela sua doçura, acima do mel (Salmo 119.103), e pelo seu valor, acima do ouro (Salmo 119.72). As linhas da Escritura são mais ricas do que minas de ouro. Nós devemos amar a Palavra apropriadamente; ela é a estrela-ímã que nos atrai para o céu, é o campo no qual a Pérola está escondida. O homem que não ama a Palavra, mas a considera de maneira excessivamente estrita e deseja que alguma porção da Bíblia fosse dela arrancada (como um adúltero desejaria fazer com o sétimo mandamento), esse não tem sequer a menor fagulha de amor em seu coração.

(ii) Nós amamos o dia de Deus. Nós não apenas guardamos um sabbath, mas nós amamos um sabbath“Se chamares ao sabbath deleitoso” (Isaías 58.13). O sabbath é aquilo que mantém a face da religião entre nós; esse dia deve ser consagrado como glorioso ao Senhor. A casa de Deus é o palácio do grande Rei, e no sabbath ali Deus revela a Si mesmo através da treliça. Se nós amamos a Deus, nós estimamos o Seu dia sobre todos os outros dias. Toda a semana seria escura se não fosse por esse dia; nesse dia, o maná cai numa porção dobrada. Nele, de um modo especial, as comportas do céu permanecem abertas, e Deus desce numa chuva dourada. Nesse dia bendito, o Sol da justiça se levanta sobre a alma. Oh, como um coração gracioso aprecia esse dia, feito com o propósito de desfrutarmos de Deus.

(iii) Nós amamos as leis de Deus. Uma alma graciosa tem prazer na lei porque ela restringe os seus impulsos pecaminosos. O coração estaria pronto a correr descontroladamente para o pecado, se ele não tivesse alguns benditos freios postos pela lei de Deus. Aquele que ama a Deus ama a Sua lei – a lei do arrependimento, a lei do negar-se a si mesmo. Muitos dizem amar a Deus, mas odeiam as Suas leis. “Rompamos os seus laços e sacudamos de nós as suas algemas” (Salmo 2.3). Os preceitos de Deus são comparados a laços; eles amarram os homens ao seu bom comportamento; mas os ímpios acham esses laços apertados demais, portanto dizem: “Vamos rompê-los!” Eles fingem amar a Cristo como Salvador, mas O odeiam como Rei. Cristo nos fala sobre o Seu jugo (Mateus 11.29), mas os pecadores gostariam que Ele pusesse uma coroa em suas cabeças, e não um jugo em seus pescoços; que Ele fosse um estranho rei que governasse sem leis.

(iv) Nós amamos o retrato de Deus, nós amamos a Sua imagem resplandecendo nos santos. “Todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido” (1João 5.1). É possível amar um santo e, ainda assim, não amá-lo como santo; nós podemos amá-lo por alguma outra coisa, pela sua ingenuidade ou porque ele é afável e generoso. Um animal ama um homem, não porque ele é um homem, mas porque ele o alimenta e lhe dá forragem. Mas amar um santo na qualidade de santo, isso é um sinal de amor a Deus. Se nós amamos um santo por sua santidade, por possuir nele algo de Deus, então nós o amaremos nestas quatro situações:

(a) Nós amaremos um santo, embora ele seja pobre. Um homem que ama o ouro amará o ouro, mesmo que ele esteja enrolado em trapos; assim também, mesmo que um santo esteja em trapos, nós o amamos, porque há nele algo de Cristo.

(b) Nós amaremos um santo, embora ele tenha muitas falhas pessoais. Não há perfeição aqui. Em alguns, prevalece a ira impulsiva; em outros, a inconstância; e em outros, excessivo amor pelo mundo. Um santo nesta vida é como o ouro ainda em minério, muita escória de fraqueza está agarrada a ele; ainda assim, nós o amamos pela graça que nele está. Um santo é como um belo rosto com uma cicatriz: nós amamos a bela face da santidade, embora nela haja uma cicatriz. A melhor esmeralda tem as suas manchas, as estrelas mais brilhantes têm as suas cintilações, e o melhor dos santos tem as suas falhas. Você que é incapaz de amar alguém por causa de suas fraquezas, como poderia Deus amá-lo?

(c) Nós amaremos os santos, embora, em algumas coisas menores, eles discordem de nós. Talvez um outro cristão não tenha tanta luz quanto você, e isso possa fazê-lo errar em algumas coisas; você irá rapidamente desprezá-lo porque ele não pode ainda vir para a sua luz? Onde há união no essencial, deve haver união nas afeições.

(d) Nós amaremos os santos, embora eles sejam perseguidos. Nós amamos o metal precioso, mesmo que ele esteja na fornalha. São Paulo carregou em seu corpo as marcas do Senhor Jesus (Gálatas 6.17). Aquelas marcas eram, como as cicatrizes do soldado, honoráveis. Nós devemos amar um santo tanto nas cadeias quanto nos palácios. Se nós amamos a Cristo, nós amamos os Seus membros perseguidos.

Se nisso consiste o amor a Deus, em amarmos a Sua imagem brilhando nos santos, oh, então quão poucos amantes de Deus podem ser encontrados! Acaso amam a Deus aqueles que odeiam os que são semelhantes a Deus? Acaso amam a pessoa de Cristto aqueles que estão cheios de um espírito de vingança contra o Seu povo? Como se pode dizer que uma mulher ama o seu marido, se ela rasga o seu retrato? Certamente, Judas e Juliano [1] ainda não estão mortos, o seu espírito ainda vive no mundo. Quem é considerado culpado, senão os inocentes?! Que crime é pior do que a santidade, se o diabo está entre os jurados?! Os homens ímpios parecem ter grande reverência pelos santos do passado; eles canonizam os santos mortos, mas perseguem os vivos. Em vão os homens professam o credo, e dizem ao mundo que amam a Deus, quando eles abominam um dos artigos do credo, qual seja, a comunhão dos santos. Certamente, não há um maior sinal de que um homem está pronto para ir ao inferno do que este: não apenas carecer da graça, mas também odiá-la.

[1] Provavelmente, uma referência ao imperador romano Juliano, conhecido como “o Apóstata”.
FONTE: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/09/thomas-watson-os-testes-do-amor-a-deus-46/#ixzz26wS5JurQ

terça-feira, 24 de julho de 2012

Razões para a criação do mundo - Thomas Watson

Extraído do site: http://omidewa.com.br/
Uma pergunta se torna pertinente aqui: Por que Deus fez o mundo? Podemos responder negativamente e positivamente.

Negativamente

Ele não fez para si mesmo, pois sendo infinito, não precisava dele. Ele era feliz em cogitar sobre as próprias excelências e perfeições sublimes antes que o mundo existisse. Deus não criou o mundo para ser uma mansão em que residiria perpetuamente. O céu é sua morada (Jo 14.2). O mundo é somente um corredor para a eternidade; o mundo é para nós como o deserto para Israel, não um descanso, mas uma jornada para chegar a Canaã. O mundo é um camarim para adornar nossas almas, não um lugar onde ficaremos para sempre. O apóstolo nos fala sobre o funeral do mundo: "Os elementos se desfarão abrasados; também a terra e as obras que nela existem serão atingidas" (2Pe 3.10).

Positivamente 

Deus fez o mundo para revelar a própria glória. O mundo é um espelho pelo qual podemos ver o poder e a bondade de Deus refletidos. "Os céus proclamam a glória de Deus" (SI 19.1). O mundo é como uma curiosa peça de tapeçaria, na qual podemos ver a habilidade e a sabedoria daquele que a fez.

Deus criou o mundo? Então considere o seguinte:

 Deus é o criador do mundo, isso deve nos convencer da realidade de sua divindade. Criar é próprio de um Deus (At 17.24). Platão se convenceu da existência de um Deus quando viu que nada no mundo poderia fazer uma mosca. Assim, Deus prova ser o verdadeiro Deus, distinguindo-se dos ídolos (Jr 10.11). Está escrito na língua dos caldeus: 
"Assim lhes direis: Os deuses que não fizeram os céus e a terra, e as nações não podem suportar a sua indignação". Quem pode criar, senão Deus? A criação é suficiente para convencer o pagão de que há um Deus. Há dois livros pelos quais Deus julgará e condenará o idólatra, a saber, o livro da consciência - "mostram a norma da lei gravada no seu coração" (Rm 2.15) - e o livro da criação -"Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas" (Rm 1.20). 

O mundo está cheio de emblemas e de hieróglifos. Toda estrela no céu e toda ave que voa nos ares são testemunhas contra o pagão. Uma criatura não pode criar a si mesma.
 
O fato de Deus criar é um poderoso pináculo da fé. Ele, que fez todas as coisas com uma palavra, o que não poderá fazer? Ele pode criar força na fraqueza; pode criar um suprimento para as nossas necessidades. Que questão louca foi aquela suscitada entre os israelitas no deserto: "Pode, acaso, Deus preparar-nos mesa no deserto?" (SI 78.19). Aquele que fez o mundo não pode fazer muito mais? "O nosso socorro está em o nome do SENHOR, criador do céu e da terra" (SI 124.8). Espere por socorro nesse Deus, que fez o céu e a terra. Assim como a obra da criação é um monumento do poder de Deus, da mesma maneira é um suporte para a fé. Está o teu coração pesado? Ele pode, com uma palavra, criar leveza. Está sujo? Ele pode criar pureza. "Cria em mim, ó Deus, um coração puro" (SI 51.10). 
 
Está a igreja de Deus fraca? Ele pode criar alegria para Jerusalém (Is 65.18). Não há pilar mais dourado para a fé do que se firmar sobre um poder criador.
 
FONTE: http://ressurreicao.com/

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Como Aproveitar ao Máximo a sua Leitura da Bíblia - Thomas Watson

Extraído do site: http://wtsaid.blogspot.com.br/
Como Aproveitar ao Máximo a sua Leitura da Bíblia

1. Remova obstáculos. (a) remova o amor por todo e qualquer pecado (b) remova as distrativas preocupações deste mundo, especialmente a cobiça [Mt 13:22] (c) não faça piadas com a Bíblia e a partir da Bíblia.

2. Prepare seu coração. [1 Sm 7:3] Assim: (a) recolhendo seus pensamentos (b) eliminando sentimentos e desejos impuros (c) não vindo à Palavra apressada ou negligentemente.

3. Leia com reverência, considerando que cada linha é Deus que fala diretamente com você (2 Tm 3:16-17; Sl 19:7-11).

4. Leia os livros da Bíblia em ordem.

5. Obtenha uma verdadeira compreensão da Escritura. [Sl 119:73] isto é melhor alcançado comparando partes correlatas da Bíblia entre si.

6. Leia com seriedade. [Dt 32:47] A vida cristã deve ser encarada com seriedade já que requer esforço [Lc 13:24] e não falhar [Hb 4:1].

7. Persevere em lembrar-se do que você lê. [Sl 119:52] Não deixe que seja roubado de você [Mt 13:4 ,19]. Se o que você lê não fica na sua memória é improvável que seja de muito benefício para você.

8. Medite no que lê. [Sl 119:15] A palavra hebraica para "meditar" significa "estar intensamente na mente". Meditação sem leitura é errada e tendente a equívocos; leitura sem meditação é estéril e infrutífera. Significa incitar os afetos, ser aquecido pelo fogo da meditação [Sl 39:3].

9. Leia com um coração humilde. Reconheça que você é indigno da revelação de Deus a você [Tg 4:6]

10. Acredite que tudo é a Santa Palavra de Deus. [2 Tm 3:16] Nós sabemos que nenhum pecador poderia tê-la escrito devido ao modo com ela descreve o pecado. Nenhum santo poderia blasfemar contra Deus fingindo que sua própria Palavra seria a de Deus. Nenhum anjo poderia tê-la escrito pela mesma razão. [Heb 4:2]

11. Valorize a Bíblia grandemente. [Sl 119:72] Ela é a sua tábua de salvação; você nasceu por meio dela [Tg 1:18]. Você precisa crescer por meio dela [1 Pd 2:2] [cf. Jó 23:12].

12. Ame a Bíblia ardentemente [Sl 119:159].

13. Leia-a com um coração honesto. [Lc 8:15] (a) Disposto a conhecer toda a vontade de Deus (b) lendo para ser transformado e melhorado por ela [Jo 17:17].

14. Aplique a você mesmo tudo o que lê, tome cada palavra como dita para você. Sua condenação de pecados como a condenação ao seu próprio pecado; a obrigação que ela requer como o dever que Deus requerer de você [2 Rs 22:11].

15. Preste muita atenção aos mandamentos da Palavra tanto quanto às promessas. Pense em como você precisa de direção tanto quanto precisa de conforto (Sl 119:9-11).

16. Não se deixe levar pelos detalhes secundários, antes tenha certeza de prestar atenção mais às grandes coisas [Os 8:12].

17. Compare-se com a Palavra. Como fica essa comparação? Seu coração é parecido com uma transcrição dela, ou não? (Tg 1:21-25)

18. Preste atenção especial àquelas passagens que falam à sua situação individual, particular e presente. Por exemplo: (a) Aflição - [Hb 12:7, Is 27:9, Jo 16:20, 2 Co 4:17]. (b) Senso da presença e do sorriso de Cristo retirado -[Is 54:8, Is 57:16, Sl 97:11] (c) Pecado - [Gl 5:24, Tg 1:15, 1 Pe 2:11, Pv 7:10;22-23, Pv 22:14] (d) Incredulidade -[Is 26:3, 2 Sm 22:31, Jo 3:15, 1 Jo 5:10, Jo 3:36]

19. Preste especial atenção aos exemplos e vidas das pessoas na Bíblia como sermões vivos. (a) Castigos [Nabucodonosor, Herodes, Nm 25:3-4;9, 1 Rs 14:9-10, At 5:5,10, 1 Co 10:11, Jd 7] (b) Misericórdias e libertações [Daniel, Jeremias, os 3 jovens no forno flamejante]

20. Não pare de ler a Bíblia até que você tenha seu coração aquecido. [Sl 119:93] Não deixe que ela apenas te informe, mas também que ela te inflame [Jr 23:29, Lc 24:32].
21. Ponha em prática o que você lê [Ps 119:66, Ps 119:105, Deut 17:19].

22. Cristo é, para nós, Profeta, Sacerdote e Rei. Utilize o ofício dEle como Profeta [Ap 5:5, Jo 8:12, Sl 119:102-103]. Faça com que Cristo abra não só a Bíblia para você, mas também a sua mente e entendimento [Lc 24:45]

23. Assegure-se de estar sob um verdadeiro ministério da Palavra, que expõe a Palavra fiel e plenamente [Pv 8:34] seja sério e ávido em esperar por isso.

24. Ore para que você tire proveito da leitura [Is 48:17, Sl 119:18, Ne 9:20].

Obstáculos naturais

Você ainda pode poderá beneficiar-se da leitura apesar deles:

1. Você não parece beneficiar-se tanto quanto outros. Lembre-se dos rendimentos diferentes [Mt 13:8] Apesar do rendimento não ser tão expressivo quanto o de outros ainda é um verdadeiro e frutífero rendimento.

2. Você pode sentir-se lento em compreender [Lc 9:45, Hb 5:11].

3. Sua memória é ruim (a) Lembre-se que você ainda pode ter um bom coração apesar disso (b) Você ainda pode lembrar-se das coisas mais importantes mesmo que você não se lembre de tudo, seja encorajado por João 14:26.

FONTE: http://ressurreicao.com

Thomas Watson – Por que todas as coisas cooperam para o bem do homem piedoso? (1/3)

Imagem cedida por: http://wtsaid.blogspot.com.br/

O supremo motivo pelo qual todas as coisas cooperam para o bem é o íntimo e carinhoso interesse que Deus tem pelo Seu povo.

O Senhor fez uma aliança com eles. “Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus” (Jeremias 32.38). Em virtude desse pacto, todas as coisas cooperam, e devem mesmo cooperar, para o bem deles. “Eu sou Deus, o teu Deus” (Salmo 50.7). Essa expressão, “o teu Deus”, é a mais doce expressão em toda a Bíblia; ela revela as melhores relações, e é impossível que haja tais relações entre Deus e o Seu povo e, ainda assim, todas as coisas não cooperem para o bem deles. Essa expressão, “Eu sou o teu Deus”, implica:

(1) A relação de um médico: “Eu sou o teu Médico”. Deus é um Médico habilidoso. Ele sabe o que é melhor. Deus observa os diferentes temperamentos dos homens, e sabe o que irá funcionar com mais eficácia. Alguns são de uma disposição mais dócil e são conduzidos pela misericórdia. Outros são vasos mais ríspidos e complicados; com esses, Deus trata de uma maneira mais forçosa. Algumas coisas se conservam em açúcar, outras, em salmoura. Deus não trata com todos de maneira indistinta; Ele tem provações para o forte e consolos para o fraco. Deus é um Médico fiel, e portanto usará todas as coisas para o melhor. Se Deus não lhe dá aquilo de que você gostaria, Ele dará aquilo de que você precisa. Um médico não estuda tanto para satisfazer os gostos do paciente, mas para curá-lo de sua enfermidade. Nós nos queixamos de que provações muito dolorosas vêm sobre nós; lembremo-nos de que Deus é o nosso Médico, portanto Seu trabalho é para nos curar, ao invés de para nos entreter. A maneira de Deus tratar com os Seus filhos, embora seja severa, é uma maneira segura e que visa a nos curar; “ para te humilhar, e para te provar, e, afinal, te fazer bem” (Deuteronômio 8.16).

(2) Essa expressão, “o teu Deus”, implica a relação de um Pai. Um pai ama o seu filho; portanto, seja um sorriso, seja uma palmada, tudo é para o bem da criança. “Eu sou o seu Deus, o seu Pai, portanto tudo o que Eu faço é para o seu bem”. “Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem disciplina a seu filho, assim te disciplina o SENHOR, teu Deus” (Deuteronômio 8.5). A disciplina de Deus não é para destruir, mas para aperfeiçoar. Deus não pode causar dano aos Seus filhos, pois Ele é um Pai de terno coração: “Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem” (Salmo 103.13). Acaso um pai buscará a ruína do seu filho, do filho que veio dele mesmo e que carrega a sua imagem? Todo o seu cuidado e disposição são para o seu filho: em favor de quem ele deixa a sua herança, senão para o seu filho? Deus tem um terno coração e é o “Pai de misericórdias” (2Coríntios 1.3). Ele derrama todas as misericórdias e toda a bondade nas criaturas.

Deus é um Pai eterno (Isaías 9.6). Ele era o nosso Pai desde a eternidade; antes que nós fôssemos crianças, Deus era nosso Pai, e Ele será nosso Pai para a eternidade. Um pai provê para o seu filho enquanto vive; mas o pai morre, e então o filho pode ser exposto a danos. Mas Deus nunca cessa de ser um Pai. Você, que é um crente, tem um Pai que nunca morre; e, se Deus é o seu Pai, você nunca ficará desamparado. Todas as coisas devem cooperar para o seu bem.

(3) Essa expressão, “o teu Deus”, implica a relação de um Marido. Essa é uma relação íntima de doce. O marido busca o bem de sua esposa; seria antinatural que ele vagueasse para destruir sua mulher. “Porque ninguém jamais odiou a própria carne” (Efésios 5.29). Há uma relação marital entre Deus e o Seu povo. “Porque o teu Criador é o teu marido” (Isaías 54.5). Deus ama plenamente o Seu povo. Ele o tem gravado na palma de Suas mãos (Isaías 49.16). Ele o põe como um selo sobre o Seu coração (Cântico dos Cânticos 8.6). Ele dará reinos pelo seu resgate (Isaías 43.3). Isso mostra quão próximos eles estão em Seu coração. Se Ele é um Marido cujo coração é pleno de amor, então Ele irá buscar o bem de Sua esposa. Ou Ele a protegerá de um dano, ou Ele o converterá para o seu melhor.

(4) Essa expressão, “o teu Deus”, implica a relação de um Amigo“Tal [é] o meu amigo” (Cântico dos Cânticos 5.16, ARC). Um amigo é, como diz Agostinho, metade do nosso eu. Ele é atento e desejoso acerca de como pode fazer bem ao seu amigo; ele promove o bem-estar dele como se fosse o seu próprio. Jônatas enfrentou o aborrecimento do rei pelo seu amigo Davi (1Samuel 19.4). Deus é nosso Amigo; portanto, Ele converterá todas as coisas para o nosso bem. Existem falsos amigos; Cristo foi traído por um amigo; mas Deus é o melhor Amigo.

Ele é um Amigo fiel“Saberás, pois, que o SENHOR, teu Deus, é Deus, o Deus fiel” (Deuteronômio 7.9). Ele é fiel em Seu amor. Ele deu o Seu próprio coração a nós, quando Ele entregou o Filho do Seu amor. Ali estava um padrão de amor sem paralelo. Ele é fiel em Suas promessas. “O Deus que não pode mentir prometeu” (Tito 1.2). Ele pode mudar a Sua promessa, mas não pode quebrá-la. Ele é fiel em seu proceder; mesmo quando Ele está afligindo, Ele é fiel. “Bem sei, ó SENHOR, que os teus juízos são justos e que com fidelidade me afligiste” (Salmo 119.75). Ele está nos peneirando e nos refinando como a prata (Salmo 66.10).

Deus é um Amigo imutável“De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hebreus 13.5). Amigos às vezes falham numa emergência. Muitos procedem com os seus amigo como as mulheres, com as flores: enquanto elas estão frescas, elas as põem junto ao peito, mas, quando começar a murchar, elas as jogam foram. Ou como um viajante faz com o relógio de sol: se o sol brilha sobre o relógio, o viajante sai da estrada para consultar o relógio; mas se o sol não brilha sobre ele, ele segue dirigindo, sem sequer se lembrar do relógio. Assim, se a prosperidade brilha sobre um homem, então os amigos atentam para ele; mas se uma nuvem de adversidade paira sobre ele, eles não se aproximarão. Mas Deus é um Amigo para sempre; Ele disse: “De maneira alguma te deixarei”. Embora Davi andasse pelo vale da sombra da morte, ele sabia que tinha um Amigo ao seu lado. “Não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo” (Salmo 23.4). Deus nunca afasta completamente o Seu amor do Seu povo. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (João 13.1). Sendo Deus tal Amigo, Ele fará todas as coisas cooperarem para o nosso bem. Não há amigo que não busque o bem do seu amigo.

(5) Essa expressão, “o teu Deus”, implica uma relação ainda mais íntima, a relação entre a Cabeça e os membros. Há uma união mística entre Cristo e os santos: Ele é chamado “o Cabeça da igreja” (Efésios 5.23). Não é verdade que a cabeça delibera pelo bem do corpo? Todas as partes da cabeça estão dispostas para o bem do corpo. O olho é posto como se estivesse numa torre de guarda; ele fica a postos para vigiar qualquer perigo que possa advir ao corpo, e preveni-lo. A língua serve tanto para provar como para discursar. Se o corpo fosse um microcosmo, ou um pequeno universo, a cabeça seria o sol desse universo, da qual procederia a luz da razão. A cabeça está posta para o bem do corpo. Cristo e os santos compõem um único corpo místico. Nossa Cabeça está nos céus, e certamente Ele não irá permitir que o Seu corpo sofra dano, mas irá deliberar para a sua segurança, e fará com que todas as coisas cooperem para o bem do corpo místico.

 FONTE: http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/06/thomas-watson-por-que-todas-as-coisas-cooperam-para-o-bem-do-homem-piedoso-12/

domingo, 27 de maio de 2012

Cristo intercede por nós – Thomas Watson (1620-1686)



Imagem cedida por: http://para-levitas.blogspot.com.br


Também intercede por nós" (Rm 8.34). Quando Arão entrava no lugar santo, seus sinos soavam. Quando Cristo entrou no céu, sua intercessão fez um melodioso som aos ouvidos de Deus. Embora Cristo tenha sido exaltado na glória, não colocou de lado sua compaixão, mas ainda se importa com seu corpo místico.

Assim como José se importou com seu pai e seus irmãos quando foi promovido à corte, Cristo "também intercede por nós". Interceder significa fazer um pedido a favor de outro. Cristo é o grande Mestre de pedidos no céu. "Cristo é o sacerdote universal do Pai", disse Tertuliano.

Quais são as qualificações de nosso intercessor?

I O nosso intercessor é santo. "Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus" (Hb 7.26); "Aquele que não conheceu pecado" (2Co 5.21).

Ele conheceu o pecado em seu peso, não em seu ato. Era um requisito, quanto àquele que eliminaria os pecados dos outros, que fosse sem pecado. A santidade é uma das pedras preciosas que brilham no peitoral de nosso sumo sacerdote.

II. Nosso intercessor é fiel. "Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus" (Hb 2.17). Moisés foi fiel como servo, Cristo como Filho (Hb 3.5). Ele não se esquece de qualquer causa que tem de defender, nem usa qualquer truque na alegação.

Um advogado comum pode deixar alguma palavra de fora que venha atrapalhar o cliente ou que é contra o cliente dependendo do incentivo financeiro que recebeu de ambos os lados. Mas Cristo é fiel à causa que ele defende. Podemos deixar nossos problemas com ele, podemos confiar nossas vidas e nossas almas em suas mãos.

III. Nosso intercessor nunca morre. Durante o tempo em que durou o ofício dos sacerdotes no período da lei, os sacerdotes morriam: "São impedidos pela morte de continuar" (Hb 7.23). Mas Cristo vive "sempre para interceder por eles" (Hb 7.25). Cristo não tem sucessor em seu sacerdócio.

FONTE: www.josemarbessa.com

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Tua paz é verdadeira ou falsa? - Thomas Watosn



Extraído do site: www.nuvemdeestrelas.blogspot.com.br

Quais são os sinais de uma falsa paz?

I. A falsa paz é a que tem muita confiança em si, ainda que essa confiança seja enganadora. O pecador não duvida da misericórdia de Deus e dessa confiança presunçosa procede quietude para sua mente. A mesma palavra no hebraico, cassai, significa tanto confiança como tolice. De fato, a confiança de um pecador é sua tolice. Como as virgens néscias estavam confiantes.



II. A falsa paz separa o que Deus já reuniu. Deus uniu a santidade e a paz, mas aquele que tem uma falsa paz separa as duas. Ele exige a paz, mas bane a santidade: "Terei paz, ainda que ande na perversidade do meu coração, para acrescentar à sede a bebedice" (Dt 29.19). O ímpio é inseguro e vão, e mesmo que agradeça a Deus por ter paz - em sua tola desilusão -tenta extrair saúde do veneno, assim como paz do pecado.



III. A falsa paz não suporta ser testada. Uma mercadoria que não suporta a luz sinaliza ser de má qualidade. Um sinal de que um homem roubou mercadorias é não permitir que sua casa seja revistada. Uma falsa paz não suporta os testes da Palavra. A Palavra fala de uma obra humilde que refina a alma antes de receber a paz. A falsa paz não pode suportar ouvir isso. O mínimo problema abalará essa paz, terminará em desespero. Na falsa paz, a consciência fica adormecida; no entanto na morte, quando esse leão da consciência acordar, rugirá, ele será um terror para ela mesma e estará pronto para pôr mãos violentas sobre ela.

Como podemos saber que a nossa paz é a verdadeira?

I. A verdadeira paz flui da união com Cristo. O implante ou o ramo deve primeiramente ser enxertado na árvore antes que possa receber a seiva ou o alimento dela. Também nós primeiramente devemos ser implantados em Cristo antes que possamos receber a paz dele. Temos paz? Pela santidade somos feitos como Cristo, quando cremos fomos unidos a ele, e estando em Cristo temos paz (Jo 16.33).



II. A verdadeira paz flui da sujeição a Cristo. Onde Cristo dá sua paz, estabelece seu governo no coração: "Para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim" (Is 9.7). Cristo é chamado de aquele que se assenta no trono (Zc 6.13). Cristo, como sacerdote, faz a paz, no entanto é um sacerdote sobre seu trono. Ele leva o coração à sujeição a si mesmo. Se Cristo é nossa paz, ele é nosso príncipe (Is 9.6). Quando Cristo pacifica a consciência, subjuga a luxúria.



III. A verdadeira paz vem depois dos problemas. Primeiramente, Deus liberta o espírito encarcerado, convence e humilha a alma e, depois, ele dá a paz. Muitos dizem que têm a paz, mas essa paz está antes da tempestade ou depois? A verdadeira paz acontece depois do problema. Primeiramente acontece um terremoto, depois o fogo e então vem a calmaria e a voz suave (lRs 19.12). Quem nunca teve um ferimento talvez nunca tenha tido paz. Deus derrama o óleo dourado da paz em corações quebrados.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Falsa Santificação - Thomas Watson (1620-1686)

Imagem cedida por: http://iurdangola.net


Há coisas que parecem santificação, mas não são.


a.      A primeira imitação da santificação é a virtude moral

Ser justo, temperante, de bom comportamento, não ter a fama manchada com um escândalo vergonhoso é bom, mas não é o suficiente, não é santificação. Um campo florido é diferente de um jardim. Pagãos se apegaram à moralidade, como Catão, Sócrates e Aristides.90 A boa educação é somente uma natureza refinada, não há nada de Cristo nela, o coração pode ser impuro e abominável. Debaixo dessas folhas de boa educação, o verme da descrença pode estar escondido. Uma pessoa virtuosa tem uma antipatia secreta contra a graça, odeia o vício e também a graça tanto quanto o vício. A serpente tem uma bela cor, mas pica. Uma pessoa enfeitada e alimentada com uma virtude moral pode ter um afeto secreto contra a santidade. Os estóicos, que eram os principais pagãos moralistas, foram os inimigos implacáveis de Paulo (At 17.18).

b.      A segunda imitação da santificação é a devoção supersticiosa

Isso é abundante no papado. As adorações, as imagens, os altares, as vestimentas e a água benta, coisas que eu entendo como frenesi religioso, e que estão longe da santificação. Nada disso acrescenta nenhum bem intrínseco ao homem, não faz o homem melhor. Se as purificações e as lavagens da lei, que eram orientações do próprio Deus, não fizeram daqueles que as praticaram mais santos, e os sacerdotes que vestiram vestimentas santas e tiveram óleo derramado sobre si só eram santos com a unção do Espírito, então, certamente, as inovações supersticiosas na religião, que Deus nunca orientou, não podem contribuir para qualquer santidade dos homens. Uma santidade supersticiosa não custa muito, não há nada do coração nela. Se santidade fosse dizer orações com uso de um rosário, curvar-se diante de uma imagem, benzer-se com água benta, e tudo aquilo que é requerido daqueles que crêem nessas coisas para salvação, então o inferno estaria vazio, ninguém entraria lá.

c.       A terceira imitação da santificação é a hipocrisia

Hipocrisia é fingir uma santidade que se não tem. Assim como um cometa pode brilhar e se parecer com uma estrela ou como um lustre pode brilhar em seu lugar a tal ponto de ofuscar os olhos dos que o contemplam. "Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder" (2Tm 3.5). São lâmpadas sem óleo, sepulcros caiados como os templos egípcios que eram bonitos do lado de fora, mas dentro havia todo tipo de podridão. O apóstolo fala da santidade verdadeira em Efésios 4.24, implicando que há uma santidade que é espúria e fingida. "Tens nome de que vives e estás morto" (Ap 3.1), são como quadros e estátuas destituídas de um princípio vital: "Nuvens sem água" (Jd 12). Fingem estar cheios do Espírito, mas são nuvens vazias. Isso mostra a santificação como uma auto-alucinação. Quem pega o cobre no lugar do ouro engana a si mesmo. Os santos mais falsos enganam os outros enquanto vivem, mas enganam a si mesmos quando morrem. Fingir a santidade quando não há nenhuma é uma coisa vã. Que vantagens levaram as virgens néscias que tinham lâmpadas fulgurantes quando precisaram de azeite? Qual é a utilidade de uma lâmpada sem o azeite da graça salvadora? Que consolo uma demonstração de santidade trará no final? Será que algo pintado com a cor de ouro pode enriquecer? A pintura de água pode refrescar aquele que está com sede? Ou a santidade imaginária será um sofrimento na hora da morte? Não se deve acomodar com uma pretensa santificação. Muitos navios que tinham o nome de Esperança, Triunfo e Vigilante foram lançados contra as rochas, assim, muitos que tiveram o nome de santos foram lançados no inferno.

d.      A quarta imitação da santificação é a graça suprimida

Isso acontece quando os homens se abstêm do vício, embora não o odeiem. O lema de um pecador pode ser assim: "Eu estaria disposto, mas não tenho coragem". O cão só pensa no osso, mas tem medo do bastão, assim os homens têm a mente para a luxúria, mas suas consciências se posicionam como aquele anjo com uma espada flamejante e, assim, ela os amedronta: eles têm a mente para a vingança, mas o medo do inferno é como um freio de cavalo que os adverte. Não há mudança de coração, o pecado é freado, mas não exterminado. Um leão pode estar enjaulado, mas ainda é um leão.

e.       A quinta falsificação da santificação é a graça comum

É uma obra tênue e passageira do Espírito, mas que não ajuda na conversão. Há um pouco de luz em um julgamento, mas não o é para a humilhação pessoal. Alguns têm peso na consciência, mas não acordam.

Parece santificação, mas não é. Os homens têm as convicções formadas neles, mas abrem mão dessa convicção, como o animal que, ao ser flechado, livra-se da flecha. Depois da convicção, os homens vão à casa da alegria, pegam a harpa para expulsar o espírito de tristeza e tudo morre e não se chega a nada.

FONTE: www.josemarbessa.com

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O que o Pecado Original perverteu? – Thomas Watson (1620-1686)

Extraído do site: www.uniol.com.br

I. O pecado original perverteu o intelecto. Como na criação, "havia trevas sobre a face do abismo" (Gn 1.2), o mesmo sucede com o entendimento: a escuridão está sobre a face desse abismo. Assim como há sal em cada gota d'água do oceano, amargor em cada galho do absinto, assim há pecado em toda faculdade humana. A mente está escurecida, por isso sabemos pouco de Deus. Desde que Adão comeu da árvore do conhecimento e seus olhos foram abertos, perdemos nossa faculdade de ver.

Além da ignorância da mente, há erro e engano; não fazemos um julgamento honesto das coisas, trocamos o amargo pelo doce, e vice-versa (Is 5.20). Mais ainda, há muito orgulho, arrogância e preconceito, além de muito raciocínio carnal: "Até quando hospedarás contigo os teus maus pensamentos?" (Jr 4.14).

II. O pecado original corrompeu o coração. O coração é extremamente perverso (Jr 17.9). É um pequeno inferno. No coração há legiões de concupiscências, de obstinação, de infidelidade, de hipocrisia e de comoções pecaminosas que, à semelhança do mar, agitam-se com ira e com vingança: "o coração dos homens está cheio de maldade, nele há desvarios enquanto vivem" (Ec 9:3). O coração é a oficina do diabo, em que toda a maldade é planejada.

III. O pecado original corrompeu a vontade. A desobediência é o trono da rebelião. O pecador contraria a vontade de Deus para cumprir a sua própria. "Queimaremos incenso à Rainha dos Céus" (Jr 44.17). Há, na vontade, uma inimizade enraizada contra a santidade; é como um tendão de aço que recusa se dobrar diante de Deus. Onde está, então, a liberdade da vontade, pois está cheia não somente de indisposição, mas de oposição ao que é espiritual?

IV. O pecado original corrompeu os afetos. Estes, como as cordas de uma harpa, estão desafinados. Eles são as pequenas engrenagens, levadas com força pela vontade, a engrenagem principal. Nossos afetos se estabelecem sobre alicerces errados. Nosso amor está alicerçado sobre o pecado, nossa alegria sobre a criatura. Nossos afetos são tão naturais como o apetite de um homem doente, que deseja coisas que lhe são prejudiciais e nocivas; febril, ele pede vinho. Temos luxúria em lugar de santos anseios.
FONTE: www.josemarbessa.com

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Nem toda fé traz justificação - Thomas Watson (1620-1686)

Imagem cedida por: ttp://blogdomanoelmodesto.blogspot.com/

A verdadeira fé justificadora consiste de três coisas:

Primeiramente, há a auto-renúncia. Fé significa "sair para fora" do eu, de nossos méritos e enxergar que não temos direitos próprios: "Não tendo justiça própria" (Fp 3.9). É um fio partido, no qual a alma não pode se apoiar. Arrependimento e fé são graças humildes. Pelo arrependimento, uma pessoa abomina a si mesma, pela fé, a mesma pessoa se desloca do seu eu. O povo de Israel saindo do Egito pode nos dar uma comparação. O povo, ao ver faraó e suas carruagens o perseguindo e se aproximando de sua retaguarda, ao mesmo tempo em que diante deles estava o Mar Vermelho pronto para devorá-los, entristeceu-se. Da mesma maneira, o pecador olha para trás e vê a justiça de Deus o perseguindo por causa do pecado e diante dele está o inferno pronto para devorá-lo. E, nessa condição desesperadora, não vendo nada em si mesmo para ajudá-lo, o homem perecerá a menos que possa encontrar ajuda em algum lugar.

Em segundo lugar há a confiança. A alma se lança sobre Jesus Cristo. A fé é depositada na pessoa de Cristo. A fé crê na promessa, pois tal promessa é a própria pessoa de Cristo. Figuradamente podemos dizer: assim como a esposa "... vem encostada ao seu marido..." (Ct 8.5). Descreve-se a fé como crer em o nome de seu Filho, Jesus Cristo" (1 Jo 3.23), isto é, em sua pessoa. A promessa é como um porta-jóias, Cristo é a jóia dentro dele, o qual a fé envolve. A promessa é somente o prato, Cristo é a comida no prato, que alimenta a fé. A fé se apoia na pessoa de Cristo "crucificado". A fé se gloria na cruz de Cristo (Gl 6.14). Olhar para Cristo coroado com todas as excelências provoca admiração e assombro, mas olhar para Cristo como o ensanguentado e a ponto de morrer é o verdadeiro objeto de nossa fé. A fé é, portanto, chamada fé "no seu sangue" (Rm 3.25).

Em terceiro há a apropriação, ou aplicação de Cristo em nós mesmos. Um remédio, embora seja muito eficaz, se não for administrado não fará nenhum bem. Um curativo pode ser feito com o próprio sangue de Cristo, mas não curará, a menos que seja aplicado pela fé. O sangue de Cristo, sem a fé em Deus, não salva. Quando aplicamos esse conceito a Cristo, o chamamos de receber a Cristo (Jo 1.12). A mão que recebe ouro enriquece. Assim também a mão da fé recebendo os méritos dourados de Cristo com a salvação nos enriquece.

A operação da fé salvadora

Como a fé é trabalhada?

Pela ação do bendito Espírito Santo de Deus, que é chamado o "Espírito da graça", porque ele é a fonte de toda a graça (Zc 12.10). A fé é a obra principal que o Espírito de Deus opera no coração do homem. Ao fazer o mundo, Deus disse uma palavra, mas ao operar a fé ele estende seu braço (Lc 1.51). O ato de o Espírito trabalhar a fé é chamado: "a suprema grandeza do seu poder" (Ef 1.19). Foi uma ação de poder supremo exercida na ressurreição de Cristo, visto que tamanho obstáculo estava diante dele: eram "os pecados de todo o mundo". Mesmo assim ele foi ressuscitado pelo Espírito. O mesmo poder é exercitado pelo Espírito de Deus ao operar a fé. 


O Espírito ilumina a mente e subjuga a vontade. A vontade se compara a uma fortaleza que resiste a Deus. O espírito conquista a fortaleza com uma doce violência, ou melhor, ele a transforma fazendo que o pecador deseje Cristo de qualquer maneira, que seja governado por ele, assim como salvo por ele.
FONTE: www.josemarbessa.com

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Seis Componentes do Arrependimento - Thomas Watson

Imagem cedida por: http://amo-christum.blogspot.com


Nascido em 1620, Thomas Watson estudou em Cambridge (Inglaterra). Em 1646, iniciou um pastorado de dezesseis anos em Londres. Entre suas principais obras, estão o seu famoso Body of Pratical Divinity (Compêndio de Teologia Prática), publicado postumamente em 1692.

O arrependimento é uma graça do Espírito de Deus por meio da qual um pecador é humilhado em seu íntimo e transformado em seu exterior. A fim de proporcionar melhor entendimento, saiba que o arrependimento é um remédio espiritual formado de seis componentes especiais... Se um for deixado fora, o arrependimento perde o seu poder.

Componente 1: Percepção do pecado. A primeira parte do remédio de Cristo são olhos abertos (At 26.18). Este é um dos fatos importantes a observarmos no arrependimento do filho pródigo: ele caiu em si (Lc 15.17). Ele se viu como pecador e nada mais do que um pecador. Antes que um homem venha a Cristo, ele tem primeiramente de vir a si mesmo. Em sua descrição de arrependimento, Salomão considerou isto como o primeiro componente: “Caírem em si” (1 Rs 8.47). Uma pessoa deve, antes de tudo, reconhecer e considerar o que é o seu pecado e conhecer a praga de seu coração, antes que seja devidamente humilhado por ela. A primeira coisa que Deus criou foi a luz. Portanto, a primeira coisa que deve haver em uma pessoa arrependida é a iluminação. “Agora, sois luz no Senhor” (Ef 5.8). Os olhos são feitos tanto para ver como para chorar. Antes de lamentarmos pelo pecado, temos de vê-lo. Disso, podemos inferir que, onde não percepção do pecado, não pode haver arrependimento. Muitos que acham falhas nos outros não vêem nenhum erro em si mesmos... Pessoas são vendadas por ignorância e amor próprio. Por isso, não vêem o que deforma a sua alma. O Diabo faz com elas como o falcoeiro faz à sua ave: ele as cega e as leva encapuzadas ao inferno.

Componente 2: Tristeza pelo pecado. “Suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38.18). Ambrósio chamava essa tristeza de amargura da alma. A palavra hebraica que se traduz por ficar triste significa “ter a alma, por assim dizer, crucificada”. Isso precisa estar presente no verdadeiro arrependimento. “Olharão para aquele a quem traspassaram... e chorarão” (Zc 12.10), como se sentissem os cravos da cruz penetrando o seu lado. Uma mulher pode esperar ter um filho sem dores, assim como alguém pode esperar arrepender-se sem tristeza. Aquele que crê sem duvidar, põe sob suspeita a sua fé; aquele que se arrepende sem entristecer-se nos deixa incertos de seu arrependimento... Esta tristeza pelo pecado não é superficial; é uma agonia santa. Nas Escrituras, ela é chamada de quebrantamento de coração: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17); um rasgamento do coração: “Rasgai o vosso coração” (Jl 2.13). As expressões bater no peito (Jr 31.19; Lc 18.13), cingir o cilício (Is 22.12), arrancar os cabelos (Ed 9.3) — todas essas expressões são apenas sinais exteriores de tristeza.

Essa tristeza implica (1) tornar a Cristo precioso. Oh! quão precioso é o Salvador para uma alma atribulada! Agora, Cristo é, de fato, Cristo; e a misericórdia é realmente misericórdia. Enquanto o coração não estiver repleto de compunção, ele não estará pronto para o arrependimento. Quão bem-vindo é um cirurgião para um homem que sangra por suas feridas! (2) Implica repelir o pecado. O pecado gera tristeza, e a tristeza mata o pecado... A água salgada das lágrimas mata o verme da consciência. (3) Implica preparar-se para receber firme consolo. “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão” (Sl 126.5). O penitente tem uma semeadura de lágrimas, mas uma colheita deliciosa. O arrependimento rompe os abscessos do pecado, e, em seguida, a alma fica tranqüila... O ato de Deus em afligir a alma por causa do pecado é como o agitar da água que trazia cura, no tanque (Jo 5.4) 

Contudo, nem toda tristeza evidencia o verdadeiro arrependimento... o que é esse entristecer piedoso? Há seis descrições:

1. A verdadeira tristeza espiritual é interior. É interior em duas maneiras: (1) é uma tristeza de coração. A tristeza dos hipócritas evidencia-se somente em sua face. “Desfiguram o rosto” (Mt 6.16). Mostram um rosto melancólico, mas a tristeza deles não vai além disso, como o orvalho que umedece a folha, mas não penetra a raiz. O arrependimento de Acabe foi uma exibição exterior. Seus vestidos foram rasgados, mas não o seu espírito (1 Rs 21.27). A tristeza segundo Deus avança mais além; é como uma veia que sangra internamente. O coração sangra por causa do pecado — “Compungiu-se-lhes o coração” (At 2.37). Assim como o coração tem a parte principal no ato de pecar, o mesmo deve acontecer no caso do entristecer-se. Paulo lamentava por causa da lei em seus membros (Rm 7.23). Aquele que lamenta verdadeiramente o pecado se entristece por conta das incitações do orgulho e da concupiscência. Ele se entristece por causa da “raiz de amargura”, embora ela nunca prospere até ao ponto de levá-lo a agir. Um homem ímpio pode sentir-se atribulado por pecados escandalosos; um verdadeiro convertido lamenta os pecados do coração.

2. A tristeza espiritual é sincera. É a tristeza pela ofensa, e não pela punição. A lei de Deus foi infringida, e seu amor, abusado. Isso leva a alma às lágrimas. Uma pessoa pode ficar triste e não se arrepender. Um ladrão fica triste quando é apanhado, mas não por causa do roubo, e sim porque tem de sofrer a pena... A tristeza piedosa se expressa principalmente por causa da transgressão contra Deus. Portanto, se não houvesse uma consciência a ferir, uma diabo a acusar, um inferno para servir de castigo, a alma ainda se sentiria triste por causa da ofensa praticada contra Deus... Oh! que eu não ofenda o meu bom Deus, nem entristeça o meu Consolador! Isso parte o meu coração!...

3. A tristeza espiritual Deus é repleta de confiança. É mesclada com fé... A tristeza bíblica afundará o coração, se a roldana da fé não o erguer. Assim como o nosso pecado está sempre diante de Deus, assim também a promessa de Deus tem de estar sempre diante de nós...

4. A tristeza espiritual é uma grande tristeza. “Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom” (Zc 12.11). Dois sóis se puserem no dia em que Josias morreu, e houve um enorme lamento fúnebre. A tristeza pelo pecado deve chegar a esse nível.

5. A tristeza espiritual é, em alguns casos, acompanhada de restituição. Aquele que, por injustiça, errou contra outrem, em seus bens, lidando com fraude, deve em sã consciência realizar a compensação. Há um mandamento claro quanto a isso: “Confessará o pecado que cometer; e, pela culpa, fará plena restituição, e lhe acrescentará a sua quinta parte, e dará tudo àquele contra quem se fez culpado” (Nm 5.7). Por isso, Zaqueu fez restituição: “Se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19.8).

6. A tristeza espiritual é permanente. Não são algumas lágrimas derramadas ocasionalmente que servirão. Alguns derramarão lágrimas ao ouvirem um sermão, mas isso é como uma chuva de abril — logo acaba — ou como uma veia aberta e fechada novamente. A verdadeira tristeza tem de ser habitual. Ó cristão, a doença de sua alma é crônica, e a recaída, freqüente. Portanto, você tem de tratar-se com remédio continuamente, por meio do arrependimento. Essa é a tristeza “segundo Deus”.

Componente 3: Confissão de pecado. A tristeza é um sentimento tão forte, que terá expressões. Suas expressões são lágrimas nos olhos e confissão nos lábios. “Os da linhagem de Israel... puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados” (Ne 9.2). Gregório de Nazianzo chamou a confissão de “um bálsamo para a alma ferida”.

A confissão é auto-acusadora. “Eu é que pequei” (2 Sm 24.17)... E a verdade é que por meio desta auto-acusação impedimos Satanás de acusar-nos. Em nossas confissões, nos identificamos com orgulho, infidelidade e paixão. Assim, quando Satanás, chamado de acusador dos irmãos, lançar essas coisas contra nós, Deus lhe replicará: “Eles já acusaram a si mesmos. Então, Satanás, você está destituído de motivos legítimos; suas acusações surgiram muito tarde...” Agora, ouça o que diz o apóstolo Paulo: “Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Co 11.31).

Entretanto, homens ímpios, como Judas e Saul, não confessaram seus pecados? Sim, mas as suas confissões não eram verdadeiras. Para que a confissão de pecado seja correta e genuína, estas... qualificações precisam estar presentes:

1. A confissão tem de ser espontânea. Tem de surgir como a água que brota do manancial, livremente. A confissão do ímpios é obtida à força, como a confissão de um homem sob tortura. Quando uma faísca da ira de Deus atinge a consciência dos ímpios ou estão sob o temor da morte, eles se prostrarão em confissão... Mas a verdadeira confissão flui dos lábios tal como a mirra jorra da árvore ou o mel da colméia, espontaneamente...

2. A confissão tem ocorrer com contrição. O coração precisa ressentir profundamente o pecado. As confissões de um homem natural procede de seu íntimo assim como uma água que passa por um cano. Elas não o afetam de maneira alguma. Mas a confissão verdadeira deixa impressões que pungem o coração. Ao confessar seus pecados, a alma de Davi sentiu-se sobrecarregada: “Já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças” (Sl 38.4). Uma coisa é confessar o pecado, outra coisa é sentir o pecado.

3. A confissão tem de ser sincera. Nosso coração precisa estar em harmonia com a confissão. O hipócrita confessa o pecado, mas o ama, assim como um ladrão que confessa os bens roubados e continua a amar o roubo. Quantos confessam o orgulho e a cobiça, com seus lábios, mas se deleitam neles ocultamente... Um verdadeiro cristão é mais honesto. Seu coração anda em harmonia com usa língua. Ele é convencido dos pecados que confessa e detesta os pecados dos quais é convencido.

4. Na confissão verdadeira, o crente especifica o pecado. O ímpio reconhece que é um pecador como todos os outros. Ele confessa o pecado de maneira geral... Um verdadeiro convertido reconhece seus pecados específicos. Ele se comporta à semelhança de uma pessoa enferma que vai ao médico e lhe mostra as feridas, dizendo: “Levei um corte na cabeça, recebi um tiro no braço”. O pecador entristecido confessa as diversas imperfeições de sua alma... Por meio de uma inspeção diligente de nosso coração, podemos achar alguns pecados específicos que tratamos com indulgência. Confessemos com lágrimas esses pecados, indicando-os pelo nome.

5. Um pessoa verdadeiramente arrependida confessa o pecado em sua fonte. Ela reconhece a contaminação de sua natureza. O pecado de nossa natureza não é somente uma falta do bem, mas também uma infusão do mal... Nossa natureza é um abismo e uma fonte de todo mal, dos quais procedem os escândalos que infestam o mundo. É essa depravação de natureza que envenena nossas coisas santas. Isso traz os juízos de Deus e paralisa em sua origem as nossas misericórdias. Oh! Confesse o pecado em sua fonte!...

Componente 4: Vergonha pelo pecado. O quarto componente no arrependimento é a vergonha. “Para que... se envergonhe das suas iniqüidades” (Ez 43.10). O envergonhar-se é a força da virtude. Quando o coração se enegrece por causa do pecado, a graça faz o rosto envergonhar-se com rubor — “Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face” (Ed 9.6). O filho pródigo, arrependido, ficou tão envergonhado de seus excessos que se julgava indigno de ser, outra vez, chamado filho (Lc 15.21). O arrependimento causa um acanhamento santo. Se Cristo não estivesse no coração do pecador, não haveria tanta vergonha se expressando no rosto. Há... algumas considerações sobre o pecado que nos causa vergonha:

1. Todo pecado nos torna culpados, e a culpa nos deixa envergonhados.

2. Em todo pecado, há muita ingratidão. E essa é a razão da vergonha. Abusar da bondade de Deus, como isso nos envergonha!... Ingratidão é um pecado tão grave, que Deus mesmo se admira dele (Is 1.2).

3. O pecado mostra o que somos, e isso nos causa vergonha. O pecado nos rouba as vestes de santidade. E nos deixa destituídos de pureza, deformados aos olhos de Deus; e isso nos envergonha...

4. Nossos pecados expuseram Cristo à vergonha. E não nos envergonharemos deles? Vestimos a púrpura; não vestiremos o carmesim?

5. Aquilo que nos deixa envergonhados é o fato de que os pecados que cometemos são piores do que os pecados dos incrédulos. Agimos contra a luz que possuímos.

6. Nossos pecados são piores do que os pecados dos demônios. Os anjos caídos nunca pecaram contra o sangue de Cristo. Cristo não morreu por eles... Com certeza, se sobrepujamos o pecado dos demônios, isso deve nos causar muita vergonha.

Componente 5: Ódio pelo pecado. O quinto componente do arrependimento é o ódio pelo pecado. Os eruditos distinguem dois tipos de ódio: o ódio das iniqüidades e o ódio da inimizade.

Primeiramente, há um ódio ou abominação das iniqüidades. “Tereis nojo de vós mesmos por causa das vossas iniqüidades e das vossas abominações” (Ez 36.31). Um cristão verdadeiramente arrependido é alguém que detesta o pecado. Se uma pessoa detesta aquilo que faz seu estômago adoecer, ela deve, com muito mais intensidade, detestar aquilo que deixa enferma a sua consciência. É mais fácil abominar o pecado do que deixá-lo... Não amamos a Cristo enquanto não odiamos o pecado. Nuca anelamos o céu enquanto não detestamos o pecado.

Em segundo, há um ódio da inimizade. Não há melhor maneira de descobrir vida do que por meio do movimento. Os olhos se movem, o pulso bate. Portanto, para constatar o arrependimento, não há sinal melhor do que uma antipatia santa para com o pecado... O arrependimento correto começa no amor a Deus e termina no ódio ao pecado.

Como podemos discernir o verdadeiro ódio para com o pecado?

1. Quando a pessoa se mantém resoluta contra o pecado. A língua lamenta amargamente o pecado, e o coração o odeia, de modo que, embora o pecado se apresente de forma atraente, nós o achamos detestável e o abominados com ódio mortal, sem levarmos em conta a sua aparência agradável... O diabo pode vestir e disfarçar o pecado com prazer e proveito, mas um verdadeiro penitente, que tem ódio secreto pelo pecado, sente repulsa e não se envolverá nele.

2. O verdadeiro ódio pelo pecado é abrangente. Isso se aplica a dois aspectos: no que diz respeito às faculdades e ao objeto. (a) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne às faculdades da alma, ou seja, há um desgosto para com o pecado não somente no juízo, mas também na vontade e nas afeições. Há alguns que são convencidos de que o pecado é maligno e, em seu juízo, têm uma aversão para com ele. Mas acham-no agradável e têm satisfação íntima nele. Nesse caso, há um desprazer do pecado no juízo e um aceitação dele nas afeições. No verdadeiro arrependimento, o ódio pelo pecado está presente em todas as faculdades da alma; não somente no intelecto, mas, principalmente, na vontade. “Não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Rm 7.15). Paulo não era livre do pecado, mas a sua vontade se posicionava contra o pecado. (b) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne ao objeto. Aquele que odeia um pecado odeia todos... Os hipócritas odeiam alguns pecados que mancham sua reputação, mas o verdadeiro convertido odeia todos os pecados: os pecados que produzem vantagem, os pecados resultantes de nossas inclinações naturais, as próprias instigações da corrupção. Paulo odiava as obras do pecado (Rm 7.23).

3. O verdadeiro ódio pelo pecado se manifesta contra o pecado em todas as suas formas. Um coração santo detesta o pecado por causa de sua contaminação natural. O pecado deixa uma mancha na alma. Uma pessoa regenerada aborrece o pecado não somente por causa da maldição, mas também por causa do contágio. Ele odeia essa serpente não somente por causa de sua picada, mas também por causa de seu veneno. Abomina o pecado não somente por causa do inferno, mas como o próprio inferno.

4. O verdadeiro ódio pelo pecado é implacável. O cristão genuíno nunca mais se conciliará com o pecado. A ira pode experimentar conciliação, porém o ódio não pode experimentá-la...

5. Onde há verdadeiro ódio pelo pecado, nos opomos ao pecado em nós mesmos e nos outros. A igreja de Éfeso não podia suportar aqueles que eram maus (Ap 2.2). Paulo repreendeu arduamente Pedro por causa de sua dissimulação, embora este fosse um apóstolo. Com insatisfação santa, Cristo expulsou os cambistas do templo (Jo 2.15). Ele não tolerou que o templo sofresse uma mudança. Neemias repreendeu os nobres por sua usura (Ne 5.7) e pela profanação do sábado (Ne 13.17). Aquele que odeia o pecado não suportará a iniqüidade em sua família — “Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude” (Sl 101.7). Que vergonha se manifesta quando os magistrados mostram força de espírito em suas paixões e nenhum heroísmo em suprimir o erro! Aqueles que não tem qualquer antipatia para com o pecado não conhecem o arrependimento. O pecado está neles como o veneno está em uma serpente e, por ser natural, lhe proporciona deleite.

Quão distantes estão do arrependimento aqueles que, ao invés de odiarem o pecado, amam-no! Para os santos, o pecado é um espinho nos olhos; para os ímpios, é uma coroa na cabeça — “Que direito tem na minha casa a minha amada, ela que cometeu vilezas? Acaso, ó amada, votos e carnes sacrificadas poderão afastar de ti o mal? Então, saltarias de prazer” (Jr 11.15). Amar o pecado é pior do que praticá-lo. Um homem bom pode precipitar-se cair em uma atitude pecaminosa, mas amar o pecado é desesperador. O que faz um porco amar o revolver-se na lama? O que faz um demônio amar aquilo que se opõe a Deus? Amar o pecado mostra que a vontade está no pecado; e, quanto mais a vontade estiver no pecado, tanto maior ele será. A obstinação faz com que não haja mais purificação para o pecado (Hb 10.26). Oh! quantos existem que amam o fruto proibido! Amam as imprecações e os adultérios. Amam o pecado e odeiam a repreensão... Portanto, quando os homens amam o pecado, apegam-se àquilo que será a sua morte e brincam com a condenação, isso indica que “o coração dos homens está cheio de maldade” (Ec 9.3). Isso nos persuade a mostrar nosso arrependimento por meio de um ódio amargo para com o pecado...

Componente 6: Converter-se do pecado. O sexto componente no arrependimento é converter-se do pecado... Esse converter-se é chamado de abandonar o pecado (Is 55.7), tal como um homem que abandona a companhia de um ladrão ou de um feiticeiro. É chamado de lançar para longe o pecado (Jó 11.14), como Paulo lançou de si aquela víbora, atirando-a ao fogo (At 28.5). Morrer para o pecado é a vida do arrependimento. No mesmo dia em que o crente se converte do pecado, deve se regozijar com um gozo eterno. Os olhos devem fugir de vislumbres impuros. O ouvido tem de fugir dos escárnios. A língua, do praguejamento. As mãos, dos subornos. Os pés, dos caminho das meretrizes. E alma, do amor à impiedade.

Esse converter-se do pecado implica uma mudança notável. Converter-se do pecado é tão visível, que os outros podem percebê-lo. Por isso, é chamado de uma mudança das trevas para a luz (Ef 5.8). Paulo, depois de ter recebido a visão celestial, ficou tão diferente, que todos se admiraram da mudança (At 9.12). O arrependimento transformou o carcereiro em um enfermeiro e médico (At 16.33). Ele cuidou dos apóstolos, lavou-lhes as feridas e serviu-lhes comida. Um navio se dirige ao leste; e o vento muda seu rumo para o oeste. De modo semelhante, um homem se encaminhava para o inferno, mas o vento contrário do Espírito soprou, mudou o seu rumo e o fez andar em direção ao céu... Essa mudança visível que o arrependimento produz em uma pessoa é como se outra alma se abrigasse no mesmo corpo.

Para identifica corretamente o converter-se do pecado, essas poucas coisas são necessárias:

1. Tem de haver um volver-se sinceramente do pecado. O coração é o primum vivens, a primeira coisa que vive. E tem de ser o primum vertens, a primeira coisa que se volve. O coração é aquilo por que o Diabo se empenha arduamente... No cristianismo, o coração é tudo. Se o coração não é convertido do pecado, ele não passa de uma mentira... Deus quer todo o coração convertido do pecado. O verdadeiro arrependimento não pode ter reservas nem outros ocupantes.

2. Tem de haver um volver-se de todo pecado. “Deixe o perverso o seu caminho” (Is 55.7). Uma pessoa verdadeiramente arrependida abandona o caminho do pecado. Ela deixa todo pecado... Aquele que esconde um subversivo em sua casa é um traidor da nação. E aquele que satisfaz um pecado é um hipócrita traiçoeiro.

3. Tem de haver um volver-se do pecado por motivos espirituais. Um homem pode restringir seus atos de pecados e não converter-se do pecado da maneira correta. Atos de pecados podem ser restringidos por temor ou desígnio, mas uma pessoa verdadeiramente arrependida deixa o pecado com base em um princípio espiritual, ou seja, o amor de Deus... Três homens perguntaram um ao outro o que os fizera abandonar o pecado. Um disse: “Acho que são as alegrias do céu”. Outro respondeu: “Acho que são os tormentos do inferno”. Mas o terceiro disse: “Acho que é o amor de Deus; e isso ainda me faz abandonar o pecado. Como eu ofenderia o amor de Deus?”

Extraído de The Doctrine of Repetance, reimpresso por The Banner of Truth Trust.
FONTE: www.editorafiel.com.br

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