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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Deus, o Pai, agente de nossa salvação - John Owen

Imagem cedida por: http://charquinho.blogs.sapo.pt/1293753.html

De que maneira  foi Deus, o Pai, o agente de nossa salvação? Minha  resposta para essa  pergunta é a seguinte: por duas maneiras,  isto é,  foi Deus, o Pai, que enviou o Filho para morrer,  e  foi  o Pai que puniu Cristo por  causa dos nossos pecados. Podemos examinar estas duas coisas em maiores detalhes.  

1.   É  claro,  a  partir  de  muitos  versículos  bíblicos,  que  o  Pai  enviou  o  Filho  ao mundo.  Por  exemplo:  "vindo  a  plenitude  dos  tempos,  Deus  enviou  Seu  filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei,  afim de recebermos a adoção de filhos." (Gálatas 4:4-5). O fato de enviar o Filho envolveu Deus, o Pai, em três coisas:  


i. houve o propósito original que sempre estivera em Sua mente (I Pedro 1:20);  

ii. houve o Seu ato de dar ao Filho todas as habilidades que Ele necessitava, a fim de fazer a obra para a qual fora enviado (João 3:34-35) 

  iii. houve o Seu ato de prometer a Seu Filho toda a ajuda necessária quanto ao sucesso na obra (Atos 4: 10-11).  

2.   É claro, a partir de muitos versículos bíblicos, que o Pai puniu Jesus Cristo por causa dos nossos pecados. Por exemplo: "Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus." (II Coríntios 5:21). Pode-se dizer que Cristo sofreu e morreu em nosso  lugar. Sendo assim, não seria estranha a  idéia de que Cristo deveria sofrer em  lugar daqueles que também irão sofrer por causa dos seus próprios pecados?  

Colocamos o assunto da seguinte maneira: Cristo sofreu...  

...pelos pecados de todos os homens, ou...  
...pelos pecados de alguns homens, ou...  
...por alguns dos pecados de todos os homens.  

Se  a  última  afirmativa  é  verdadeira,  então  todos  os  homens  ainda  têm  alguns pecados, e, portanto, ninguém pode ser redimido.  


Se  a  primeira  afirmativa  é  verdadeira,  então  porque  não  estão  todos  os  homens livres do pecado? Você poderá dizer: "Por causa da incredulidade deles. "Mas eu pergunto: 

"A incredulidade é um pecado?" Se não é, por que todos os homens são punidos por causa dela?  Se  é  um  pecado,  então  deve  estar  incluída  entre  os  pecados  pelos  quais  Cristo morreu. Portanto, a primeira afirmativa não pode ser verdadeira!  

Assim, é claro que a única possibilidade restante é que Cristo levou sobre Si todos os pecados de alguns homens, os eleitos, somente. Creio que este é o ensino da Bíblia.  

FONTE:  Extraído do livro "POR QUEM CRISTO MORREU?" 
Uma versão simplificada e condensada do clássico: "A Morte da Morte na Morte de Cristo", pelo Dr. John Owen, 1616-1683. Editora PES. 



segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Como o Espírito Santo Vem a Nós e Faz a Sua Obra - John Owen

Imagem cedida por: http://edmilsonjds.blogspot.com.br/


Somente Deus é quem nos dá o Espírito (Lc 11.13; Jo 3.34; 1Jo 3.24). Tal “dádiva” é um ato de autoridade e de liberdade que procede das riquezas da graça de Deus (Lc 11.13; Jo 4.10; 14.17; 1Co 4.7; Tt 3.6; 1Co 12.7). Deus o envia para nós (Sl 104.3; Jo 14.26; 15.26; 16.7). Este “enviar” significa que o Espírito Santo não estava com a pessoa antes de ser enviado a ela, e nos diz que é uma obra especial de Deus a qual ele não havia feito antes.

Deus nos ministra o Espírito (Gl 3.5; Fp 1.19). Isso implica que Deus de contínuo nos supre adicionalmente da sua graça através do seu Espírito. Está dito que Deus põe o seu Espírito em ou sobre o homem (Is 42.1; 63.11). Ele faz isso quando pretende que alguém se beneficie de algum modo do seu Espírito, e.g., Saul, Eldade e Medade (1Sm 10.10; Nm 11.27; Am 7.14;15 e Jr 1.5-7). 

Diz-se que Deus derrama o seu Espírito Santo frequentemente (Pv 1.23; Is 32.15; 44.3; Ez 39.29; Jl 2.28; At 2.17; 10.45). Esta expressão é sempre utilizada com referência à era do evangelho, e implica em comparações que nos remetem a uma outra época ou ato anterior de Deus em que ele deu o seu Espírito, mas não da mesma forma como pretende dá-lo a nós agora. Concede-se, nos dias do evangelho, uma parcela muito maior do Espírito. Essa expressão designa um ato notável da riqueza divina (Jó 36.27; Sl 65.10-13; Tt 3.6; 1Tm 6.17) e o derramar dos dons e das graças do Espírito — não da sua Pessoa (pois onde ele é dado, é dado permanentemente) — e refere-se a obras especiais do Espírito, tais como a purificação e a consolação daqueles sobre quem é ele derramado (Ml 3.2,3; Is 4.4; Lc 3.16; Ez 36.25-27; Jo 7.38,39; Tt 3.4-6; Hb 6.7; Is 44.3; Sl 72.6).

Como age o Espírito Santo 

O Espírito procede do Pai e do Filho (Jo 15.26). Como está pessoalmente relacionado ao Pai e ao Filho desde a eternidade ele, portanto, procede eternamente do Pai e do Filho e, de boa vontade e livremente, atua com vistas a cumprir a obra que lhe cabe.
É-nos dito que ele “vem” (Jo 15.26; 16.7,8; 1Cr 12.18; At 19.6). Devemos orar para que ele venha a nós. Também está dito que ele “cai sobre os homens” (At 10.44; 11.15); que repousa sobre aqueles a quem é enviado (Is 11.2; Jo 1.32,33; Nm 11.25,26; 2Rs 2.15; 1Pe 4.14). Ele se deleita na obra sobre a qual repousa (Sf 3.17) e nela permanece (Jo 14.16).

Diz-se que o Espírito sai de algumas pessoas (1Sm 6.14; 2Pe 2.21; Hb 6.4-6; 10.26-30). Mas ele jamais sairá dos que estão no pacto da graça (Is 59.21; Jr 31.33; 32.39,40; Ez 11.19,20).

Argumenta-se algumas vezes que o Espírito Santo pode ser dividido. Os que assim o dizem apontam para Hebreus 2.4 onde o termo grego para “dons” do Espírito é “distribuição, separação”. Mas o sentido aqui é que o Espírito Santo deu vários dons aos primeiros pregadores do evangelho com o objetivo de que a doutrina deles pudesse ser vista e confirmada por Deus, segundo a promessa de Cristo (Jo 15.26, 27). Assim, os “sinais” eram obras maravilhosas atestando que Deus operava juntamente com eles em sinais e “maravilhas”, eram obras além dos poderes da natureza. 

Eram feitas para encher os homens de espanto e do senso da presença de Deus. “Poderes miraculosos” incluíam abrir os olhos aos cegos e ressuscitar os mortos. Estes são “dons do Espírito Santo”. Todas estas e outras obras de natureza semelhante eram realizadas pelo Espírito Santo (1Co 12.7-11).


FONTE; www.ospuritanos.blogspot.com.br/

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Enfraquecimento da raiz do desejo mau – John Owen (1616-1683)


www.ocalvinista.com

1. Um enfraquecimento habitual do mau desejo


Toda lascívia (desejo mau) é um hábito depravado, que continuamente inclina o coração para o mal. Em Gênesis 6:5, temos uma descrição de um coração no qual o pecado não foi mortificado: "era continuamente mau todo desígnio do seu coração". Em todo homem não convertido, há um coração que não foi mortificado e que está cheio de uma variedade de desejos ímpios, e cada um desses desejos está continuamente clamando por satisfação.

Concentrar-nos-emos apenas na mortificação de um desses desejos. Este desejo (pense no pecado que mais lhe atrai) é uma disposição forte, habitual, e profundamente enraizada, que inclina a vontade e os sentimentos para certo pecado em particular. Uma das grandes evidências de tal desejo mau é a tendência para se pensar nas diversas maneiras de gratificá-lo (veja Rom. 13:14). Este hábito pecaminoso (ou seja, a lascívia ou desejo mau) opera violentamente. "Fazem guerra contra a alma" (1 Ped. 2:11) e buscam tornar a pessoa um "prisioneiro da lei do pecado" (Rom. 7:23). Ora, a primeira coisa que a mortificação efetua é o enfraquecimento deste desejo mau, de modo que se torna cada vez menos violento nos seus esforços para provocar e seduzir a pecar (veja Tiago 1:14,15).

A esta altura, é preciso que se faça uma advertência. Todos os desejos maus têm o poder de seduzir e provocar alguém a pecar, porém parece que não têm, todos eles, o mesmo poder. Há pelo menos duas razões pelas quais alguns desejos maus parecem ser muito mais fortes do que outros:

a)      Um desejo mau pode ser mais forte do que outros na mesma pessoa e também mais forte do que o desejo numa outra pessoa. Há muitas maneiras pelas quais este poder e vida extras são dados, mas especialmente isso ocorre por meio da tentação.

b)      A ação violenta de alguns desejos maus é mais óbvia do que a de outros. Paulo sublinha uma diferença entre impureza e todos os outros pecados. "Fugi da impureza! Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer, é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o próprio corpo" (1 Cor. 6:18). Isso significa que pecados dessa natureza são mais facilmente discerníveis do que outros. Contudo, uma pessoa com um amor desordenado pelo mundo pode estar debaixo do poder desse desejo mau (embora esse poder não seja tão óbvio) tanto quanto outro homem que é cativado por um desejo mau ou por uma imoralidade sexual.

A primeira coisa, então, que a mortificação efetua é um enfraquecimento gradual dos atos violentos do desejo mau, de modo que seu poder para impelir, despertar, perturbar e deixar a alma perplexa seja diminuído. Isso é chamado de crucificar "a carne, com as suas paixões e concupiscências" (Gál. 5:24). Esta linguagem é muito gráfica, como se pode ver na seguinte ilustração:

Pense num homem pregado numa cruz. A princípio o homem se esforçará, lutará e clamará com grande intensidade e poder. Depois de certo tempo, à medida em que vai perdendo sangue, seus esforços se tornam fracos e seus gritos baixos e roucos. Da mesma maneira, quando um homem se propõe a cumprir seu dever de mortificar o pecado, há uma luta violenta; todavia à medida em que a força e a energia do desejo mau se esvai, seus esforços e gritos diminuem. A mortificação radical e inicial do pecado é descrita em Romanos, capítulo 6, e especialmente no versículo 6:

"Sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem" - para qual propósito?  "para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos ao pecado como escravos".

Sem esta mortificação inicial e radical, realizada mediante união com Jesus Cristo, como descrita em Romanos, capítulo 6 (no próximo capítulo diremos mais sobre isto), uma pessoa não pode fazer progresso na mortificação de um único desejo mau. Uma pessoa pode dar pauladas no mau fruto de uma árvore má até ficar esgotada, porém enquanto a raiz permanecer forte e vigorosa nenhum grau de espancamento impedirá que a raiz produza mais frutos maus. Esta é a tolice que muitas pessoas praticam quando se dispõem com todo fervor a quebrar o poder de qualquer pecado em particular, sem realmente atacar e ferir a raiz do pecado (como acontece quando um cristão é unido a Jesus Cristo).

2. Uma contenda e uma luta constante contra o pecado

Quando o pecado é forte e vigoroso, a alma não consegue fazer grande progresso espiritual. A não ser que constante-mente lutemos contra o pecado, ele crescerá forte e vigorosa-mente, e nosso progresso espiritual será constantemente impedido. Há três coisas importantes no contendermos com o pecado. São as seguintes:

a)      Precisamos conhecer nosso inimigo e estar determinados a destruí-lo por todos os meios possíveis. Temos que lembrar que estamos num conflito acirrado e árduo, um conflito que tem sérias consequências. Precisamos estar alertas "conhecendo cada um a chaga do seu coração" (1 Reis 8:38). Precisamos guardar-nos de pensar levianamente nessa chaga. E de se lamentar que muitos tenham tão pouco conhecimento do grande inimigo que levam com eles nos seus corações. Isso os torna dispostos a se justificarem e a ficarem impacientes com qualquer reprovação ou admoestação, não se apercebendo de que estão correndo perigo (veja 2 Cron. 16:10).

b)      Precisamos nos esforçar para aprender os modos de agir de nosso inimigo, suas estratégias e os métodos de combate que ele emprega, as vantagens que ele procura obter e, até mesmo, detectar as ocasiões quando o seu ataque é mais bem sucedido. Quanto mais soubermos estas coisas, melhor estaremos preparados para lutar e contender com o pecado. Por exemplo: se observarmos que o inimigo repetidamente se aproveita de nós, e leva vantagem, em determinada situação, então procuraremos evitar essa situação. Precisamos buscar a sabedoria do Espírito contra as ciladas do pecado que habita em nós, para que possamos rapidamente discernir as sutilezas do nosso inimigo e frustrar seus planos maus contra nós.

c) Precisamos empenhar-nos diariamente para utilizar todos os meios que Deus ordenou para ferir e destruir o nosso inimigo (alguns desses serão mencionados mais adiante). Jamais devemos permitir que sejamos conduzidos a uma falsa segurança, pensando que nossos desejos pecaminosos já estão mortos devido estarem quietos. Em vez disso precisamos aplicar-lhes novos golpes e surras todos os dias (vejaCol. 3:5).

3. Sucesso na nossa oposição e no nosso conflito com o pecado que habita em nós. Quando há frequente sucesso contra qualquer desejo mau, isso é uma outra evidência da mortificação do pecado. Por sucesso queremos significar uma vitória sobre ele, acompanhada da intenção de dar sequência a essa vitória e atacar novamente. Por exemplo: quando o coração detecta as ações do pecado que habita em nós (procurando nos seduzir, nos atiçar, influenciar nossa imaginação, etc) ele imediatamente ataca o pecado, o expõe à lei de Deus e ao amor de Cristo; ele o condena e o executa.

Quando uma pessoa experimenta tal sucesso e sabe que a raiz do desejo mau foi, na verdade, enfraquecida, e que sua atividade foi contida de modo que não pode mais impedi-lo de cumprir o seu dever ou interromper sua paz como acontecia antes, então o pecado foi, em considerável medida, mortificado.

Este enfraquecimento da raiz do desejo mau é realizada principalmente pela implantação, continuidade e cultivo constante da vida espiritual da graça, que se coloca em oposição direta ao desejo mau, e lhe é destruidora (compare com o capítulo 4, pág. 110, item 2). Desse modo, pela implantação e pelo crescimento da humildade, o orgulho será enfraquecido. Da mesma maneira, a paciência tratará da paixão; a pureza da mente e da consciência cuidará da impureza; a mente celestial porá fim ao amor deste mundo, e assim por diante.
FONTE: www.ocalvinista.com

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Uma contenda constante contra o pecado - John Owen (1616-1683)

Imagem cedida por: http://www.discernimentobiblico.net


Quando o pecado é forte e vigoroso, a alma não consegue fazer grande progresso espiritual. A não ser que constante-mente lutemos contra o pecado, ele crescerá forte e vigorosa-mente, e nosso progresso espiritual será constantemente impedido. Há três coisas importantes no contendermos com o pecado. São as seguintes:

a)      Precisamos conhecer nosso inimigo e estar determinados a destruí-lo por todos os meios possíveis. Temos que lembrar que estamos num conflito acirrado e árduo, um conflito que tem sérias consequências. Precisamos estar alertas "conhecendo cada um a chaga do seu coração" (1 Reis 8:38). Precisamos guardar-nos de pensar levianamente nessa chaga. E de se lamentar que muitos tenham tão pouco conhecimento do grande inimigo que levam com eles nos seus corações. Isso os torna dispostos a se justificarem e a ficarem impacientes com qualquer reprovação ou admoestação, não se apercebendo de que estão correndo perigo (veja 2 Cron. 16:10).

b)      Precisamos nos esforçar para aprender os modos de agir de nosso inimigo, suas estratégias e os métodos de combate que ele emprega, as vantagens que ele procura obter e, até mesmo, detectar as ocasiões quando o seu ataque é mais bem sucedido. Quanto mais soubermos estas coisas, melhor estaremos preparados para lutar e contender com o pecado. Por exemplo: se observarmos que o inimigo repetidamente se aproveita de nós, e leva vantagem, em determinada situação, então procuraremos evitar essa situação. Precisamos buscar a sabedoria do Espírito contra as ciladas do pecado que habita em nós, para que possamos rapidamente discernir as sutilezas do nosso inimigo e frustrar seus planos maus contra nós.

c) Precisamos empenhar-nos diariamente para utilizar todos os meios que Deus ordenou para ferir e destruir o nosso inimigo (alguns desses serão mencionados mais adiante). Jamais devemos permitir que sejamos conduzidos a uma falsa segurança, pensando que nossos desejos pecaminosos já estão mortos devido estarem quietos. Em vez disso precisamos aplicar-lhes novos golpes e surras todos os dias (vejaCol. 3:5).

3. Sucesso na nossa oposição e no nosso conflito com o pecado que habita em nós. Quando há frequente sucesso contra qualquer desejo mau, isso é uma outra evidência da mortificação do pecado. Por sucesso queremos significar uma vitória sobre ele, acompanhada da intenção de dar sequência a essa vitória e atacar novamente. Por exemplo: quando o coração detecta as ações do pecado que habita em nós (procurando nos seduzir, nos atiçar, influenciar nossa imaginação, etc) ele imediatamente ataca o pecado, o expõe à lei de Deus e ao amor de Cristo; ele o condena e o executa.

Quando uma pessoa experimenta tal sucesso e sabe que a raiz do desejo mau foi, na verdade, enfraquecida, e que sua atividade foi contida de modo que não pode mais impedi-lo de cumprir o seu dever ou interromper sua paz como acontecia antes, então o pecado foi, em considerável medida, mortificado.

Este enfraquecimento da raiz do desejo mau é realizada principalmente pela implantação, continuidade e cultivo constante da vida espiritual da graça, que se coloca em oposição direta ao desejo mau, e lhe é destruidora (compare com o capítulo 4, pág. 110, item 2). Desse modo, pela implantação e pelo crescimento da humildade, o orgulho será enfraquecido. Da mesma maneira, a paciência tratará da paixão; a pureza da mente e da consciência cuidará da impureza; a mente celestial porá fim ao amor deste mundo, e assim por diante.

FONTE: www.josemarbessa.com

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

John Owen - A Provação é Inevitável!

Belo Estudo sobre tentação... muito edificante! assista!
                                                                  Daniel Werneck

FONTE: www.josemarbessa.com e www.youtube.com

sábado, 3 de dezembro de 2011

Meditando na Majestade de Deus - John Owen (1616-1683)

Imagem cedida por: http://www.belemcrentes.com.br/conteudo.php?idconteudo=624


Este é o caminho para nos humilharmos e vermos quão iníquos somos. Quando Jó viu de fato a grandeza e a excelência de Deus ele confessou: "...me abomino, e me arrependo no pó e na cinza" (Jó 42: 5,6). As Escrituras nos mostram muitos exemplos semelhantes de pessoas piedosas (por exemplo Isaías, Daniel, Pedro e João) sentindo-se grandemente compungidas e maravilhadas quando Deus revelou alguma coisa da Sua grandeza e excelência. Se levarmos a sério o modo como a Palavra de Deus compara os homens deste mundo a "gafanhotos", a "nulidades", e "grão de pó na balança" (veja Is. 40:12-25) quando comparados com Deus, isso nos ajudará a nos mantermos humildes. Um espírito verdadeiramente humilde ajudará grandemente seus esforços para mortificar seus desejos pecaminosos. Quanto mais meditarmos sobre a grandeza de Deus tanto mais sentiremos a iniquidade dos nossos desejos pecaminosos.

Uma das maneiras de ajudar a si mesmo a meditar na grandeza de Deus é simplesmente reconhecer quão pouco você conhece a Deus. Você pode saber o suficiente de Deus para manter-se humilde entretanto quando soma tudo que conhece sobre Deus verá que ainda sabe muito pouco. Foi pensando dessa maneira que um homem sábio como Agur percebeu como era "ignorante" ("estúpido" - Prov. 30:1-4). Quanto mais você percebe quão pouco conhece a Deus, mais o orgulho do seu coração será enfraquecido.

Comece a pensar na sua ignorância a respeito de Deus pensando quão ignorantes são até mesmo os homens mais piedosos no que tange a seus conhecimentos de Deus. Pense em Moisés que rogou a Deus que "lhe mostrasse a Sua glória" (Ex. 33:18). Deus lhe mostrou algumas coisas muito gloriosas sobre Ele mesmo (veja Ex. 34:5-7) mas eram tão--somente as "costas" de Deus, porque Deus disse: "Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá" (Ex. 33:20). Certas pessoas podem pensar que desde que Jesus Cristo veio nosso conhecimento de Deus se tornou muito maior que o de Moisés. Há certa verdade nisso, porém é igualmente verdade que, a despeito da revelação de Deus dada em Jesus Cristo, os mais piedosos dos cristãos ainda vêem somente as "costas" de Deus.

O apóstolo Paulo, que provavelmente viu a glória de Deus mais claramente do que qualquer outra pessoa (2 Cor. 3:18), podia dizer que só a viu como que por meio de um espelho. Pense no que Paulo escreve em 1 Coríntios 13:12: "Porque agora vemos como em espelho obscuramente... agora conheço em parte". Paulo compara todo seu conhecimento presente de Deus com o tipo de conhecimento que tinha quando era criança (1 Cor. 13:12). Você pode amar, honrar, crer e obedecer a seu Pai celestial e Ele aceitará seus pensamentos infantis; todavia é isso que eles são, infantis. Por muito que tenhamos aprendido dEle, ainda sabemos muito pouco. Um dia saberemos muito mais do que nos é possível conhecer agora, mas nos tempos presentes até mesmo aqueles que vêem a glória de Deus mais claramente, só a podem ver obscurecidamente.

Quando a rainha de Sabá, que havia ouvido tanto a respeito da grandeza do rei Salomão, eventualmente viu esta grandeza com seus próprios olhos, teve que confessar: "Eis que não me contaram a metade" (1 Reis 10:7). Podemos imaginar que nosso conhecimento de Deus é bom, no entanto quando formos trazidos à Sua presença, exclamaremos: "Nunca O conhecemos como Ele é; uma milionésima parte da Sua glória, perfeição e bem-aventurança, nunca entraram no nosso coração".

Muitas das coisas que cremos serem verdadeiras sobre Deus simplesmente não compreendemos. Não podemos compreender um Deus invisível. Quem pode compreender a descrição que nos é dada em 1 Timóteo 6:16: "o único que possui imortalidade, que habita na luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver"? A glória de Deus é tão grandiosa, que nenhuma criatura pode olhar para ela e viver. Deus Se descreve para nós dessa maneira para nos ajudar a ver quão diferente de nós Ele é, para nos mostrar quão pouco podemos conhece-10 como Ele realmente é.

Pense na eternidade de Deus: um Deus que não tem começo e nem fim. Podemos crer nisso, mas quem pode compreender a eternidade? O mesmo é verdadeiro quando se trata do mistério da Trindade. Como pode Deus ser Um e contudo ser Três; só um Deus e contudo três Pessoas distintas numa mesma essência indivisível? Ninguém pode compreender isso. Essa é a razão pela qual muitos se recusam a crer nela. Pela fé, podemos crer no mistério da Trindade, todavia nenhum cristão a compreende realmente.

Não apenas compreendemos tão pouco sobre o ser de Deus, nós também compreendemos muito pouco sobre os Seus caminhos. Deus diz: "Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos... como os céus são mais altos que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos" (Is. 55:8,9). O apóstolo Paulo escreve alguma coisa muito semelhante na Epístola aos Romanos: "O profun¬didade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos e quão inescrutáveis os seus caminhos!" (Rom. 11:33). Embora às vezes o Senhor nos mostre as razões para as coisas que faz, há muitas ocasiões quando simplesmente não podemos compreender os Seus caminhos.

Procurando enfatizar quão pouco um cristão conhece de Deus, não estamos sugerindo que Deus não possa ser conhecido. Não estamos subestimando a extraordinária revelação que Deus nos deu de Si mesmo por meio de Seu Filho. De diferentes modos Deus tem revelado muito de Si mesmo. O ponto que estamos querendo salientar é simples-mente que somos incapazes de compreender plenamente  até mesmo o que Ele nos tem revelado. Devemos ser gratos por tudo que podemos conhecer de Deus, mas quanto mais conhecemos mais somos humilhados por verificar quão pouco realmente conhecemos.

Há duas coisas das quais nunca podemos esquecer

Primeira: Nunca podemos esquecer o propósito de Deus naquilo que Ele revelou de Si mesmo. Não nos foi dado para desvendar a glória da essência de Deus, para que O vejamos como Ele é. Antes, Ele tão simplesmente nos dá a conhecer o suficiente dEle para que tenhamos fé nEle, confiemos nEle, O amemos e Lhe obedeçamos. Esse é o conhecimento de Deus que é adequado a nós no estado presente. Contudo, no estado futuro Ele nos fará uma nova revelação de Si mesmo, de tal maneira que tudo quanto sabemos agora parecerá como uma sombra da mais plena revelação que Ele nos dará então.

Segunda: Nunca poderemos nos esquecer de quão duros e lentos de coração nós somos para receber tudo o que a Palavra de Deus nos ensina sobre Ele. A despeito da clara revelação que Deus nos tem dado, ainda sabemos tão pouco do que Ele tem revelado!

Ao pensar sobre o que você sabe de Deus e quão pouco conhece deste grande Deus, ore para que este seja um meio de se humilhar. Que Deus, Ele mesmo, continuamente encha sua alma com um santo e reverente temor dEle, de tal maneira que os desejos pecaminosos nunca brotem ou floreçam na sua alma.

FONTE: www.josemarbessa.com

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Cinco características de uma Falsa Paz - John Owen (1616-1683)

Imagem cedida por: http://wbrandaocreci35027.blogspot.com/2010_01_01_archive.html

1. Qualquer paz que não traga com ela ódio ao pecado que tem perturbado sua paz é falsa
A paz que Deus fala à alma sempre traz com ela um sentimento de vergonha, e um santo desejo de mortificar seus desejos pecaminosos. Se olhar para Cristo, a Quem seu pecado traspassou (se não fizer isso não haverá nem cura e nem paz) você deve prantear (veja Zac. 12:10). Quando você vai a Cristo buscando cura, sua fé repousa em um Salvador ferido e traspassado. Ora, se fizer isso na força do Espírito Santo, ser-lhe-á dado ódio pelo pecado que tem perturbado sua paz. Quando Deus nos dá a paz a alma se envergonha dos diversos modos como o pecado tem estragado nossa paz com Deus (Ez. 16:59-63).

E possível estarmos perturbados pelas consequências do pecado, mesmo sem odiarmos o próprio pecado. Na sua perturbação você pode estar buscando a misericórdia de Deus e ao mesmo tempo se apegando ao pecado que ama. Por exemplo:   sua consciência o convence de estar amando o mundo. Esse modo de buscar misericórdia nunca lhe trará paz verdadeiramente sólida. As palavras de Deus: "Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele" (1 João 2:15) perturbam sua paz. Na sua perturbação, você se volta para Deus para que Ele cure sua alma, porém está mais preocupado com as consequências do seu amor pelo mundo do que com o mal desse amor. Esse é um mau sinal! Talvez seja salvo; no entanto a não ser que Deus por Suas ações especiais o faça realmente odiar o pecado, você terá pouca paz nesta vida.
2. Qualquer paz que não seja acompanhada pela ação do Espírito convencendo do "pecado e da justiça e do juízo" é uma falsa paz
A Palavra de Deus nunca fala de paz "somente em palavras", ela vem no poder do Espírito Santo. A paz de Deus de fato cura a ferida. Quando nos damos a nós mesmos uma falsa paz, não passará muito tempo até que o pecado que havia perturbado nossa paz apareça outra vez.
Como regra geral, Deus espera que Seus filhos aguardem até que estejam certos que Ele lhes deu a paz. Como disse o profeta Isaías: "Esperarei no Senhor, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei" (Is. 8:17). Deus pode curar a ferida do pecado num instante. Contudo, às vezes, como um médico, Ele gasta tempo limpando a ferida completamente para que ela se cure adequadamente. Aqueles que dão uma falsa paz para si mesmos nunca têm tempo para esperar que Deus faça Sua obra completa. Tais pessoas correm para Deus buscando paz e presumem que ela foi concedida no momento em que a pediram. Não há aquele esperar para que o Espírito de Deus cure a ferida do pecado completamente.
A paz de Deus dulcifica o coração e dá gozo à alma. Quando Deus fala paz, Suas palavras não são apenas verdadeiras, mas elas fazem bem à alma. "Sim, as minhas palavras fazem o bem" (Miq. 2:7). Quando Deus fala paz, ela guia e guarda a alma de modo que não retorne à insensatez (Sal. 85:8). Quando as pessoas falam paz para si mesmas, o coração não é curado do mal e, elas continuam num estado de transvio. Quando Deus fala paz, vem junto uma percepção tal do Seu amor, que a alma se sente obrigada a mortificar os desejos pecaminosos.
3. Toda e qualquer paz que trate do pecado de um modo superficial é uma falsa paz
Como já vimos antes, esta é a queixa que Jeremias fez dos falsos profetas do seu tempo. "Paz, paz" eles dizem, "quando não há paz" (Jer. 6:14). Da mesma maneira, algumas pessoas fazem da cura de suas feridas pecaminosas uma obra fácil. Olham para algumas promessas das Escrituras e pensam que estão curadas. Uma promessa das Escrituras só pode efetuar o bem quando misturada com a fé. (Heb. 4:2). Não se trata de um mero olhar para a palavra de miseri¬córdia e, pronto, isso traz a paz. O olhar precisa estar misturado com a fé até que você a tenha apropriado para si. De outra maneira, qualquer paz que tenha obtido é uma falsa paz. Neste caso não vai demorar muito até que sua ferida se abra novamente e você fique sabendo que ainda não está curado.
4.      Qualquer paz que trate do pecado de uma maneira parcial é falsa
O cristão sincero não buscará apenas estar em paz com seus desejos pecaminosos que mais o perturbam. Tentar lidar com o pecado que mais o atormenta, sem lidar também com aqueles pecados que o perturbam menos, realmente seria tratar do pecado com parcialidade. Qualquer paz que pareça vir de se lidar com o pecado dessa maneira é falsa. Só podemos esperar a paz de Deus quando tivermos respeito igual por todos os Seus mandamentos. Deus nos justifica de todos os nossos pecados. Deus nos manda abandonarmos todos os nossos pecados. Ele é um Deus de olhos puros e não pode olhar para a iniquidade.
5.      A paz de Deus é uma paz que nos humilha, como aconteceu no caso de Davi (veja Sal. 51:1)
Pense na profunda humilhação sentida por Davi quando Nata lhe trouxe a palavra perdoadora de Deus (2 Sam. 12:13).

FONTE: www.josemarbessa.com

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sem vencer o pecado todo o resto é inútil – John Owen (1616-1683)

Créditos a: http://espiritualespiritualidade.blogspot.com/2011/02/cada-um-tem-de-carregar-o-proprio-fardo.html


Outros deveres da fé cristã não podem ser executados sem a realização deste dever  nosso dever estar "aperfeiçoando a santificação no temor de Deus" 

(2Cor. 7:1), para estar "crescendo na graça" (2 Ped. 3:18). Entretanto, estes deveres não podem ser cumpridos sem a mortificação diária do pecado. O pecado põe sua força contra cada ato de santidade.

Antes de passarmos para o próximo capítulo deste estudo será bom fazermos duas coisas:

a)      Resumiremos o primeiro ponto geral que temos apresentado neste capítulo. O ponto é este: muito embora a morte do cristão para o pecado (veja Rom. 6:2) tenha sido comprada para ele pela morte de Cristo, constitui-se ainda dever de cada cristão mortificar diariamente o pecado. Mesmo tendo recebido a promessa de vitória completa (pela convicção do pecado, a humilhação pelo pecado, e a implantação de um novo princípio de vida oposto ao pecado e destruidor dele) quando somos convertidos, o pecado ainda permanece no cristão. O pecado está ativo em todos os cristãos, até mesmo nos melhores, enquanto vivem neste mundo. É por isso que a mortificação diária do pecado é vital durante toda nossa vida.


b)      Notaremos dois males que todo cristão enfrenta quando deixa de mortificar o pecado. O primeiro afeta o cristão; o segundo, os outros.

i) O cristão. O grande mal por não levarmos a sério o pecado. Uma pessoa pode falar sobre o pecado e dizer quão mau ele é, todavia se essa pessoa não está diariamente

mortificando seu próprio pecado ela realmente não o está levando a sério. A causa principal pelo fracasso de mortificar o pecado é algo que está presente e se processando sem que a pessoa perceba. Alguém que tenha a ideia de que a graça e a misericórdia de Deus nos permitem ignorar os pecados do dia a dia, está muito próximo de transformar a graça de Deus numa desculpa para continuar pecando e ser endurecido pelo engano do pecado. Não há maior evidência de um coração falso e corrompido do que esta. Leitor, tenha cuidado com esse tipo de rebelião. Ela só pode levar ao enfraquecimento da sua força espiritual se não a algo pior, ou seja, a apostasia e ao inferno. O sangue de Jesus é para purificar-nos (1 João 1:7; Tito 2:14), e não para nos confortar numa vida de pecado! A exaltação de Cristo é destinada a levar-nos ao arrependi¬mento (Atos 5:31). E a graça de Deus nos ensina "para que reneguemos a impiedade" (Tito 2:11,12). A Bíblia fala de pessoas que abandonam a igreja porque de fato jamais pertenceram a ela (1 João 2:19). O modo como isso acontece a muitas pessoas é algo como o seguinte:

Estiveram debaixo de convicção do pecado durante certo tempo, e isso as levou a praticar certas boas obras e a professar fé em Cristo. Escaparam das "contaminações do mundo  mediante o conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo" (2 Ped. 2:20), mas depois que conheceram o evangelho se cansaram dos seus deveres. Visto que seus corações nunca tinham  sido realmente transformados, elas se permitiram negligenciar vários aspectos do ensino bíblico sobre a graça. Uma vez que este mal cativara seus corações, foi tão-somente uma questão de tempo até que se lançaram no caminho do inferno.

ii) Outras pessoas. Uma pessoa que não mortifica o pecado pode, de fato, ser preservada da apostasia; todavia, ao mesmo tempo, pode exercer uma dupla influência nos outros:


(a)     Uma influência que endurece os outros. Quando os outros vêem tão pequena diferença entre suas próprias vidas e a vida de uma pessoa que falha na mortificação do pecado na sua vida, não vêem nenhuma necessidade de se tornarem cristãos. Eles observam o zelo dessa pessoa pela religião porém também notam sua impaciência para com aqueles que não concordam com ela. Observam suas várias inconsistências. Vêem sua separação do mundo, mas, além disso, seu egoísmo e sua falta de esforço para ajudar os outros. Eles ouvem seu linguajar espiritual, suas reivindicações à comunhão com Deus, no entanto, essas são contraditórias devido sua conformidade com os caminhos do mundo. Ouvem suas expressões de vanglória por ter sido perdoada, mas observam seu fracasso em perdoar os outros. Observando a baixa qualidade da vida dessa pessoa, endurecem seus corações contra o cristianismo, concluindo que suas vidas são tão boas quanto a de qualquer cristão.

(b)     Uma influência que engana os outros. Outros podem tomar essa pessoa como seu exemplo do que seja um cristão e presumir que porque podem seguir seu exemplo, ou até mesmo aperfeiçoá-lo, devem eles também ser cristãos. Dessa maneira, tais pessoas são enganadas e levadas a pensar que são cristãos, muito embora não tenham a vida eterna.

FONTE: www.josemarbessa.com

As Promessas de Deus geram Deveres inevitáveis – John Owen

Imagem cedida por: http://olharcristao.blogspot.com/2008/11/acreditar-outra-vez-promessas-deus.html

Em Romanos 8:13 o apóstolo Paulo confronta seus leitores com duas maneiras diferentes de se viver. A primeira é esta: "se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte". A segunda - a alternativa - é: "se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis". O propósito deste livro é estudar a segunda destas maneiras de viver.

Começaremos o nosso estudo examinando as cinco palavras ou frases que formam o nosso texto:

Em primeiro lugar, o texto começa com a palavra "se". Paulo usa este "se" para indicar a conexão entre mortificar os feitos do corpo e o viver. E como se disséssemos a um homem doente: "se tomar o remédio, logo se sentirá melhor". Ao homem doente se está fazendo uma promessa de melhoria na sua saúde, desde que siga o conselho que lhe é dado. Da mesma maneira, o "se" do nosso texto nos diz que Deus determinou "mortificar os feitos do corpo" como o meio infalível de conseguirmos "vida". Há uma conexão inquebrável entre verdadeiramente mortificarmos o pecado e a vida eterna. "Se...mortificardes o pecado vivereis!" Aqui está a razão para cumprirmos o dever que Paulo nos prescreve.


Em segundo lugar, a palavra "vós" nos diz a quem o dever e a promessa se aplicam. "Vós" se refere aos cristãos descritos no versículo 1 como "os que estão em Cristo Jesus". Refere-se àqueles nos quais o Espírito vive (vs. 10,11). E estupidez e ignorância se esperar que qualquer um, exceto um verdadeiro cristão, desempenhe este dever. Se pensarmos cuidadosamente sobre para quem Paulo está escrevendo e o que ele lhes está dizendo, podemos fazer a seguinte afirmação:

Os verdadeiros cristãos, que estão definitivamente livres do poder condenatório do pecado, ainda devem se ocupar durante toda a vida com a mortificação do remanescente poder do pecado.

Em terceiro lugar, a frase "pelo Espírito" se refere à causa principal ou aos meios para cumprirmos esse dever. O Espírito aqui é o mesmo do vs. 11. Ele vive em nós (v. 9) e nos dá vida (v. 11). Ele é o Espírito de adoção (v. 15) e nos ajuda nas nossas fraquezas (v. 26). Todos os outros meios de tentarmos mortificar o pecado são inúteis. As pessoas podem tentar isso de outras maneiras (Rom. 9:30-32). Eles sempre o fizeram e sempre o farão. "Mas esta é a obra do Espírito", diz Paulo. Só Ele pode realizá-la. Mortificar o pecado na sua própria força, segundo as suas ideias, leva à justiça-própria. Isso é a essência de toda religião falsa.


Em quarto lugar, a frase, "mortificardes os feitos do corpo" nos apresenta o dever a ser cumprido. Consideremos esta frase perguntando e respondendo três perguntas:

a)      O que se entende por "o corpo"? É uma outra expressão semelhante, no seu significado, à "natureza pecaminosa" a qual Paulo tem feito referências frequentes neste capítulo (vs. 3,4, 5, 8,12 e 13). Paulo está enfatizando a diferença entre o Espírito e a natureza pecaminosa. O corpo é o instrumento que o pecado inerente em nós usa para se expressar. Desse modo Paulo usa a expressão "o corpo" para representar a corrupção e a depravação do homem.

b)      O que significa "os feitos"? Isto se refere às ações pecaminosas que uma natureza pecaminosa produz. Em Gálatas 5:19 no qual estes atos são descritos, Paulo nos dá alguns exemplos destes "feitos". A maior preocupação de Paulo não é com os "feitos" externos mas com suas causas internas. E com desinibido desejo mal, o qual produz os feitos que precisamos lidar radicalamente.

c)      O que significa "mortificardes"? Esta é uma linguagem figurada. Imagine que se mate um animal. Matar um animal é tirar-lhe sua força, seu poder e sua vida de tal maneira que ele não possa mais agir ou fazer o que quiser. Esta é a figura aqui. A natureza pecaminosa (ou, o pecado remanescente) é comparado a uma pessoa, o "velho eu", com seus recursos, habilidades, sabedoria, sutileza, força, etc. Isto, diz-nos Paulo, precisa morrer. Precisa ser morto (mortificado), ou seja, sua força, poder e vida precisam ser tirados pelo Espírito.

Em certo sentido este é um fato que já ocorreu. Diz-se que o velho eu já está "crucificado com Cristo" (Rom. 6:6). "Morremos com Cristo" (Rom. 6:8). Isto aconteceu quando nascemos de novo (Rom. 6:3-8). Entretanto, cada cristão ainda tem os remanescentes de uma natureza pecaminosa que irão constantemente procurar se expressar. E dever de cada cristão mortificar os remanescentes desta natureza pecaminosa. Isto precisa ser feito continuadamente de modo que aos desejos da natureza pecaminosa não seja dada oportunidade para se expressarem (Gál. 5:16).

Finalmente, a frase "vivereis" provê a promessa que é dada para encorajar os cristãos no seu dever. A vida prometida é o oposto da morte enunciada no caso anterior, "se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte" (veja também Gal. 6:8). E provável que Paulo tenha em mente tanto a vida espiritual em Cristo como a vida eterna. Todos os cristãos verdadeiros têm esta vida mas podem perder o seu gozo, seu conforto e sua força. Num contexto diferente, o apóstolo Paulo escreve: "porque agora vivemos, se é que estais firmados no Senhor" (1 Tess. 3:8), isto é, agora a minha vida me fará bem; terei gozo e conforto na minha vida. De modo semelhante, o apóstolo está dizendo aqui: "vocês terão uma vida boa, vigorosa, confortável, e espiritual, enquanto estiverem aqui, e receberão a vida eterna ao final".

Se tomarmos essa promessa desta maneira teremos mais motivos para realizarmos este dever.

A força, o poder, e o gozo em nossa vida espiritual dependem de mortificarmos os atos da natureza pecaminosa.

FONTE: www.josemarbessa.com

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A Promessa de Deus e o dever cristão (John Owen)


www.discernimentobiblico.net


Em Romanos 8.13 o apóstolo Paulo confronta seus leitores com duas maneiras deferentes de se viver.

A primeira é esta: “se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte”.

A segunda – a alternativa é - : “se pelo Espírito mortificardes os efeitos do corpo, certamente vivereis”.
O propósito aqui é estudar a segunda destas maneiras de viver.
Começaremos o nosso estudo examinando as cinco palavras ou frases que formam o nosso texto:

EM PRIMEIRO LUGAR, o texto começa com a palavra “SE”. Paulo usa este “se” para indicar a conexão entre mortificar os feitos do corpo e o viver. É como se disséssemos a um homem doente: “se tomar remédio, logo se sentirá melhor”.. Ao homem decente se está fazendo uma promessa de melhoria na sua saúde, desde que siga o conselho que é dado. Da mesma maneira, o “se” do nosso texto nos diz que Deus determinou “mortificar os feitos do corpo” como o meio infalível de conseguirmos “vida”.

Há uma conexão inquebrável entre verdadeiramente mortificarmos o pecado e a vida eterna. “Se... mortificardes o pecado vivereis!” Aqui está a razão para cumprirmos o dever que Paulo nos prescreve.

EM SEGUNDO LUGAR, a palavra “VÓS” nos diz a quem o dever e a promessa se aplicam. “Vós” se refere a cristãos descritos no verso 1 como “os que estão em Cristo Jesus”.

Refere-se àqueles nos quais o Espírito vive (vs. 10,11). É estupidez e ignorância se esperar que qualquer um, exceto um verdadeiro cristão, desempenhe este dever. Se pensarmos cuidadosamente sobre para quem Paulo está escrevendo e o que ele lhes está dizendo, podemos fazer a seguinte afirmação:

“Os verdadeiros cristãos, que estão definitivamente livres do poder condenatório do pecado, ainda devem se ocupar durante toda a vida com a mortificação do remanescente poder do pecado.”
EM TERCEIRO LUGAR, a frase “PELO ESPÍRITO” se refere à causa principal ou aos meios para cumprirmos esse dever. O Espírito aqui é o mesmo do vs. 11. Ele vive em nós (v.9) e nos dá vida (v.11). Ele é o Espírito de adoção (v.15) e nos ajuda nas nossas fraquezas (v.26). Todos os outros meios de tentarmos mortificar o pecado são inúteis.

As pessoas podem tentar isso de outras maneiras (Rm 9.30-32). Eles sempre o fizeram e sempre o farão. “Mas esta é a obra do Espírito”, diz Paulo. Só Ele pode realizá-la. Mortificar o pecado na sua própria força, segundo as suas idéias, leva à justiça-própria. Isso é a essência de toda religião falsa.

EM QUARTO LUGAR, a frase, “MORTIFICARDES OS FEITOS DO CORPO” nos apresenta o dever a ser cumprido. Consideremos esta frase perguntando e respondendo três perguntas:

a) O que se entendo por “O CORPO”? é uma outra expressão semelhante, no seu significado, à “natureza pecaminosa” (vs. 3,4,5,8,12 e 13 ). Paulo está enfatizando a diferença entre o Espírito e a natureza pecaminosa. O corpo é o instrumento que o pecado inerente em nós usa para se expressar. Desse modo Paulo usa a expressão “o corpo” para representar a corrupção e a depravação do homem.

b) O que significa “OS FEITOS?” Isto se refere Às ações pecaminosas que uma natureza pecaminosa produz. Em Gálatas 5.19 no qual estes atos são descritos, Paulo nos dá alguns exemplos destes “feitos”. A maior preocupação de Paulo não é com os “feitos” externos mas com suas causas internas. É com desinibido desejo mal, o qual produz os feitos que precisamos lidar radicalmente.

c) O que significa “MORTIFICARDES”? Esta é uma linguagem figurada. Imagine que se mate um animal. Matar um animal é tirar-lhe sua força, seu poder e sua vida de tal maneira que ele não possa mais agir ou fazer o que quiser.

Esta é a figura aqui. A natureza pecaminosa (ou, o pecado remanescente) é comparado a uma pessoa, o “velho eu”,com seus recursos, habilidade, sabedoria, sutiliza, força, etc. Isto, diz-nos Paulo, precisa morrer. Precisa ser morto (mortificado ), ou seja, sua força, poder e vida precisam ser tirados pelo Espírito.

Em certo sentido este é um fato que já ocorreu. Diz-se que o velho eu já está “crucificado com Cristo” (Rm 6.6).”Morremos com Cristo” (Rm 6.8). Isto aconteceu quando nascemos de novo (Rm 6.3-8). Entretanto, cada cristão ainda tem os remanescentes de uma natureza pecaminosa que irão constantemente procurar se expressar. É dever de cada cristão mortificar os remanescentes desta natureza pecaminosa. Isto precisa ser feito continuadamente de modo que aos desejos da natureza pecaminosa não seja dada oportunidade para se expressarem. (Gl 5.16).

FINALMENTE, a frase “VIVEREIS” provê a promessa que é dada pra encorajar os cristãos no seu dever. A vida prometida é o oposto da morte enunciada no caso anterior, “se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte” ( veja também Gl 6.8).

É provável que Paulo tenha em mente tanto a vida espiritual em Cristo como a vida eterna. Todos os cristãos verdadeiros têm esta vida mas podem perder seu gozo, ser conforto e sua força. Num contexto diferente, o apóstolo Paulo escreve: “porque agora vivemos, se é que estais firmados no Senhor” (1 Ts 3.8), isto é, agora a minha vida me fará bem; terei gozo e conforto na minha vida. De modo semelhante, o apóstolo está dizendo aqui: “vocês terão uma vida boa, vigorosa, confortável, e espiritual, enquanto estiverem aqui, e receberão a vida eterna ao final”.

Se tomarmos essa promessa desta maneira teremos mais motivos para realizarmos este dever.
A FORÇA, O PODER, E O GOZO EM NOSSA VIDA ESPIRITUAL DEPENDEM DE MORTIFICARMOS AO ATOS DA NATUREZA PECAMINOSA.

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