domingo, 26 de junho de 2011

BIOGRAFIA: Frances Ridley Havergal (1836-1879)

Imagem cedida por: http://www.cyberhymnal.org/bio/h/a/v/havergal_fr.htm


 [Hinos da Harpa 88, 92, 102, 193, 296, 383, 425, 452], filha do pastor anglicano William Havergal, músico e hinista. Aos três anos ela já sabia ler, aos quatro começou a memorizar os versículos da Bíblia, aos sete escrevia poesias, quando seus versos começaram a surgir nos periódicos religiosos ingleses. Apesar de nunca ter boa saúde, isto não impediu de obter sua educação fomal, aprender vários idiomas europeus, além do grego e hebraico, podendo ler tanto o Antigo como o Novo Testamento nas línguas originais. Sua extraordinária memória permitiu ainda decorar todo o Novo Testamento, os Salmos, Isaías, e os profetas menores. Aos 14 anos de idade teve uma profunda experiência com Deus. Descreveu com estas palavras: Ali mesmo entreguei minha alma ao Salvador, e desde este momento os céus e a terra me pareciam brilhantes. Todos os seus hinos refletem a alegria desta experiência de entrega e consagração. Seu dom não se restringia apenas na capacidade em escrever hinos, mas também compunha música. Seus temas foram fé, consagração e serviço e a segunda vinda de Cristo. Certa feita orou: Que as minhas mãos sempre se movam com presteza e com amor. Em outra oportunidade afirmou: que meus pés velozes corram ao serviço do Senhor. Foram orações totalmente sinceras da sua parte.
  

Em agosto de 1878, Frances escreveu para uma amiga: “O Senhor me tem mostrado mais um passo, e, claro, tomei-o com deleite extremo”. Referia-se neste caso, à oração que havia escrito onde se lia: Minha prata e ouro toma. Por isso, tomou a decisão de encaminhar todos os seus ornamentos à Sociedade Missionária da Igreja, ficando apenas com duas peças, a saber, um medalhão com o único retrato da sobrinha e um broche que guardara como lembrança dos seus queridos pais. Ao todo foi encaminhado quase cinquenta peças. Como escreveu Edith Brock Mulholland no livro HCC-Notas Históricas, se os hinos contassem, “De tudo que compõe o nosso ser, talvez o mais difícil de consagrar dia após dia seja a nossa vontade. A vida de Frances Havergal demonstra que esta oração estava sempre nos seus lábios. Como Frances, somente conseguiremos consagrar ‘nosso ser inteiro quando nossa vontade estiver entregue ao nosso Senhor. Então descobriremos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus’”. (Rm 12:2).
  Musicista nata, de personalidade agradável, Frances Havergal era possuidora de uma voz aprazível e bem treinada, o que levou a ser procurada como concertista. Com sua notável inteligência e extraordinária memória, teria sido muito natural ser atraída para uma carreira secular. Entretanto, toda a sua vida se caracterizou pela santidade espiritual. Foi chamada de a poetiza da consagração. Diziam que ela nunca escrevia uma única linha, sem que, primeiramente, ficasse em fervente oração. 

Depois disso, transferia os créditos da composição a Deus: Creio que Deus sugere um pensamento, e me sussurra uma ou duas linhas musicais, então eu olho para cima, agradeço alegremente a Deus e vou em frente. É assim que os hinos vem pra mim.  Muitos dos livros de Frances Havergal, como ela era conhecida, tinham como tema preferido o prazer em confiar e servir ao Rei Jesus. “Como somos felizes em tê-lo como nosso Rei”, escreveu.Temos absoluta certeza de que Ele subjuga todas as coisas a Si próprio, ao Seu reino. Somos tão felizes em seguir a sua palavra e entregar tudo nas Suas mãos, pedindo que seja nosso Rei, para Ele que estabeleça seu trono de paz na nossa vida tumultuada e dividida, orando para que todos os nossos pensamentos sejam submetidos gentilmente à Sua vontade.  Foi nesse clima que em 1878 ela escreveu “TRUEHEARTED, WHOLEHEARTED, FAITHFUL AND LOYAL” (Verdadeiro, sincero, fiel e leal), seremos a Ti, por Tua graça, Rei da nossa vida. 

Nessa época, Frances desconhecia que seu trabalho para o Rei, aqui neste mundo, estava chegando ao fim. No ano seguinte, a saúde dela ficou terrivelmente abalada. Tinha apenas 42 anos de idade e estava muito ocupada. Não era apenas o seu ministério como escritora que estava em plena atividade, mas ela também estava viajando muito, empenhada na promoção do cristianismo e trabalho missionário. Entretanto, ela tinha consciência da sua debilidade física. Num determinado domingo, em abril de 1878, quando caminhava para a igreja, Frances virou-se para a sua irmã e disse: Marie, cheguei à conclusão de que seria ótimo ir para o céu.  Um mês mais tarde suas forças se esvairam. Quando o médico chegou ela o deixou atônito quando perguntou: “Acha que eu tenho uma chance de ir embora?” Seus parentes que estavam ao lado da cama ficaram perplexos com sua atitude. “Se eu estiver partindo, é bom que seja verdade”, dizia. 

Pouco tempo depois ela olhou para cima, sorrindo e afirmou: “Como é esplêndido estar à entrada das portas celestiais! Estou perdida em meio a tanta maravilha! Nem ao menos uma palavra, sequer, das Suas boas promessas, deixaram de se cumprir!”. Em seguida, Frances levantou o olhar e fixou firmemente, como que estivesse vendo o Senhor. Por um período de tempo que durou aproximadamente dez minutos, pudemos contemplar, como se fosse ao vivo, o encontro dela com O Rei, descreveu Maria, seu semblante era tão feliz, como se ela já estivesse conversando com Ele! Então, ela tentou cantar, porém, após uma doce e linda nota aguda – ELE … – a voz foi sumindo, ao mesmo tempo em que seu irmão orava ao Senhor, entregando sua alma nas mãos do Redentor, enquanto ela passava para a eternidade. 

BIOGRAFIA: Madame Guyon (1648-1717)

Imagem cedida por: http://www.christianity.com/ChurchHistory/11630164/

Jeanne-Marie Bouvier de la Motte-Guyon nasceu na França, em 1648, e foi educada em conventos e desde pequena demonstrou desejo de ser fiel ao Senhor. Mas, por ser muito bonita e por ser atraída pelo mundo, muitas vezes esqueceu suas promessas de fidelidade a Jesus.
Casou-se com um homem inválido, 22 anos mais velho que ela, em 1664. Isso levou-a a buscar comunhão íntima com Deus. Em 1668, teve a plena experiência do amor de Cristo. Depois disso perdeu o interesse pelas coisas mundanas e gastava seu tempo em oração. Em 1970, foi vítima da forma mais virulenta de varíola, que destruiu sua beleza. "Mas a devastação exterior foi contrabalançada pela paz interior", ela testemunhou.

Até 1676, sofreu a perda de filhos, do marido, do pai e de uma grande amiga. Porém, tudo isso serviu apenas para que ela aprofundasse sua experiência com Deus. De 1674 a 1680 ela perdeu a presença de Deus, aprendendo, então, a andar por fé, não por sentimentos. Após isso, levou muitos à regeneração e a experiência da "morte do ego". O grande número de pessoas que, após ter contato com Madame Guyon, deixaram o mundanismo, o pecado e se consagraram a Deus despertou o ciúme de líderes católicos e mestres mundanos, que passaram a perseguir Guyon, Fénelon e La Combe, membros do clero católico que receberam sua ajuda.

Embora muito popular e admirada por muitos membros influentes na corte seus pontos de vista logo foram suspeitos de heresia, foi consequentemente, perseguida e aprisionada várias vezes. Manteve uma enorme correspondência e seus trabalhos preencheram quarenta volumes. Seus escritos mais famosos foram Um Método Muito Curto e Fácil de Orar e sua Autobiografia.

Foi denunciada como perigosa e seguidora de Molinos (aprisionado na mesma época, por escritos similares). Em conseqüência, foi presa e permaneceu na prisão por meses. O rei Luís XIV pediu pessoalmente ao Bispo Bossuet, o maior e mais famoso eclesiástico da França, que a examinasse. Este "exame" se transformou numa inquisição mental. Bossuet, a mente mais poderosa da França, achava estar lidando com uma mulher tola. Bossuet encontrou uma pessoa à sua altura, ou até melhor que ele. As conclusões de Bossuet a respeito desta mulher "perigosa" levaram Luís XIV a prender Jeanne Guyon, sem ao menos inquiri-la ou notificá-la a respeito. Mesmo com seu escritos condenados pelo alto clero católico, Madame Guyon continuou seus ensinamentos e por isso foi detida quatro vezes, a última das quais por quatro anos (1694-1702). Escreveu cerca de sessenta obras e compôs poemas e hinos como: "Eu amo o Senhor, mas não com meu amor" e "Longo mergulho na Aflição". Escreveu cartas para católicos e protestantes na França, Holanda, Alemanha e Inglaterra.

Em 1702 foi banida para Blois, onde passou o resto da sua vida a serviço do Senhor. Em 1717, aos 69 anos, faleceu, em perfeita paz.

Seus escritos como "Torrentes Espirituais", "Experimentando as Profundezas de Jesus Cristo" e "Experimentando Deus através da Oração", cheios de realidade espiritual, influenciaram grandemente homens como o Arcebispo Fénelon, John Wesley e Watchman Nee.

Deus a usou de forma especial para abrir caminho para a restauração da vida interior, da comunhão profunda com Ele, através da oração, da consagração plena, da santificação e do operar da cruz. Em nossos dias, estamos apenas começando a tocar no fluir das águas da verdadeira espiritualidade que Deus fez jorrar através dela.

Sua autobiografia, escrita especialmente para atender à insistência de seu mentor, o padre La Combe, é notoriamente reconhecida como um dos maiores clássicos cristãos. Em vários livros encontramos menções dispersas desta autobiografia e de seus escritos, tentando resumir sua vida e obra.

Como ela ressaltou: "Espero que o que escrevo não seja visto por ninguém que possa ofender-se com isso, ou que não esteja em condição de ver estes assuntos em Deus".

PENSAMENTOS DE MADAME GUYON

"A maioria dos cristãos não percebe que é chamada para uma relação mais profunda, interior, com o seu Senhor. Mas todos nós fomos chamados às profundezas de Cristo, tão certo como fomos chamados para a salvação".

"A vida do devoto é como uma torrente que abre seu caminho descendo das altas montanhas aos vales e fendas da vida, passando por várias experiências, até finalmente chegar a experiência espiritual da morte. A partir daí, a torrente experimenta a ressurreição e uma vida de acordo com a vontade de Deus, enquanto ainda passa por vários estágios de refinamento. Por fim, a torrente encontra seu caminho em direção ao vasto, ilimitado oceano. Mesmo ai ,a torrente não torna-se totalmente unificada com o vasto oceano, até que mais uma vez, passe pelas relações finais com Deus."

"Ao aproximar-se do Senhor, em oração, tenha o coração pleno de amor puro, um amor que nada procura para si próprio. Tenha um coração que nada retira do Senhor, mas que apenas quer agradá-Lo e fazer a sua vontade."

"Receba pela fé o fato de que qualquer coisa que lhe aconteça é o desejo Dele para você, nesse momento. Quando for ao Senhor dessa maneira, verá que seu espírito estará em paz, não importando qual seja a sua condição. Os tempos de sequidão serão a mesma coisa que os tempos de abundância, porque você terá aprendido a amar a Deus somente porque você o Ama, não por causa de suas dádivas, nem mesmo por sentir sua presença."

"Ó, que tu possas compreender a profundidade deste mistério e aprender os segredos da conduta de Deus, revelados às criancinhas, mas ocultos aos sábios e grandes deste mundo, que se consideram os conselheiros do Senhor, e capazes de investigar Seus métodos, e supõem que obtiveram essa divina sabedoria, oculta aos olhos de todos aqueles que vivem em si mesmos e estão envoltos em suas próprias obras. Quem, por um vivo engenho e elevadas faculdades, sobe ao Céu e pensa compreender a altura, profundidade e largura de Deus?"

"Ó Tu, Manancial de Amor! Pareces de fato tão zeloso pela salvação dos que tens comprado que preferes o pecador ao justo! O pobre pecador, que se vê vil e miserável, é, por assim dizer, forçado a detestar-se a si mesmo; e, vendo que seu estado é tão horrível, ele se lança, em seu desespero, nos braços de seu Salvador, mergulha na fonte de cura e sai dela 'branco como a neve'".

"Jesus Cristo foi o primeiro a entrar nessa experiência. Foi o Chefe de todos os abandonados, mas não esteve isento do cativeiro. Portanto, é impossível que tu estejas isento. Lembra-te sempre de que agradou-Lhe sair de todos os deleites que estavam ocultos no seio de Seu Pai para fazer-se o mais cativo de todos os homens. Lembra-te também que faz muito tempo que os patriarcas hebreus seguiram a mesma senda. Alegria, deleites… e cativeiro! Os primeiros crentes da nova aliança vieram e seguiram a ordem dos patriarcas e de seu Modelo divino, Jesus Cristo. Mas tu perguntarás: "Por que todos temos de passar por esse caminho? É para que todos cheguemos ao ponto da infelicidade?" Claro que não. O gozo é uma promessa na terra de Abraão, uma terra que está lá, além do cativeiro. Que terra é essa? Essa terra é possuir a Deus! Mas, ah, quanto há por fazer a fim de possuir essa terra! Há sofrimento que temos de conhecer!"

“Não se diz que não haja que atuar, senão que há que atuar em dependência do movimento da graça; a alma deve deixar-se mover pelo Espírito vivificante que há nela”.

“Não se trata de apartar-se do mundo, há que apartar-se de si mesmo”.

“Há que deixar que os homens pensem de nós o que queiram; não há que agradar os homens, senão a Deus”.

“A paz com Deus só pode ser perfeita mediante a total renúncia. Esta paz nos dá paz conosco mesmo e com o próximo”.

“A oração é o alimento da alma; quando nos privamos dela por nossa culpa, nos fazemos padecer fome a nós mesmos”.

"Sou um passarinho, sem campos, sem ar
Na minha gaiola sento-me a cantar
Para Quem aqui me aprisionou.
Bem satisfeito prisioneiro sou
E assim, meu Deus, quero Te agradar.

Aqui, nada tendo para realizar,
Todo o longo dia só posso cantar.
As minhas asas Ele amarrou,
Mas o meu canto muito O agradou,
Ainda Se curva pra me escutar.

Tu tens paciência para me escutar,
E um coração pronto para a mim amar.
Gostas de ouvir meu rude louvor
Pois sabes que o amor, quão doce amor!
Inspira todo esse meu cantar.

Preso na gaiola não posso sair,
Mas minha prisão não pode me impedir
A liberdade do coração
Que sempre voa em Tua direção,
Minh´alma livre, a Ti vai se unir.

Oh! Que gozo imenso poder me elevar
Para as alturas a Ti contemplar.
Tua vontade e desígnio amar
Minha alegria neles encontrar,
Livre, em Teus braços me aconchegar".


FONTE:http://www.christianity.com/ChurchHistory/AD1601/ e http://coracaomistico.blogspot.com/2008/10/madame-guyon-1648-1717.html

BIOGRAFIAS: Leonard Ravenhil - Um Pregador "Perigoso"

Imagem cedida por: http://hardtravelin-shannon.blogspot.com/2011/03/i-walked-today-poem-by-leonard.html


 Nascido em Leeds, em Yorkshire, Inglaterra, foi educado em Ravenhill Cliff College, na Inglaterra. Ele era um estudante de história da Igreja e um perito em matéria de avivamento. Suas reuniões durante os anos de guerra atraíram grandes multidões, e como resultado muitas convertidos se dedicaram ao ministério cristão e ao chamado missionário.
. Em 1939, ele casado uma enfermeira irlandesa, Martha. Os Ravenhills tiveram três filhos: Paulo, David, e de Philip. Paul e David são ministros do evangelho, e Philip é um professor.. Em 1959, Ravenhill e sua família mudaram Bretanha para os Estados Unidos. Na década de 1960 eles viajaram no interior dos Estados Unidos, promovendo tendas avivalistas e reuniões evangelísticas.. Na década de 1980, Ravenhill mudou-se para uma casa perto de Lindale, Texas, a uma curta distância do Rancho Last Days Ministries. Ele ensinou na LDM regularmente, e foi um mentor para a Keith Green. Ele também passou algum tempo ensinando no Betânia Colégio de Missões em Minnesota, e algum tempo em Seguin, Texas.. Foram influenciados, entre outros por Ravenhill Ravi Zacarias, Tommy Tenney, Steve Hill, Charles Stanley, Bill Gothard, Paul Washer, Dan Brodeur, Sean Cabral Myers, Brett Mullett, e David Wilkerson [2].. Ele era um amigo próximo do pastor e escritor AW Tozer e um escrito.. Através de seu ensino e livros, Ravenhill abordada as disparidades entre a igreja do Novo Testamento a Igreja do seu tempo e apelou para a adesão aos princípios bíblicos de reavivamento.. Tozer disse de Ravenhill:
. Para homens como este, a Igreja tem uma dívida para pagar demasiado pesado. O curioso é que ela raramente tenta pagar-lhe enquanto ele vive. Em vez disso, a próxima geração constrói seu monumento e escreve a sua biografia – como se instintivamente e sobriamente precisasse cumprir uma obrigação com geração anterior, em grande medida ignorada.
Citações:
“Se somos fraco na oração, nós somos fracos em toda a parte.”
“Homens dão conselhos; Deus dá orientações.”
“As coisas pelas quais você está vivendo por são dignas de Cristo morrer por?”
“Um homem pecador pára de orar, um homem de oração pára de pecar”
“A única razão pela qual não temos avivamento é porque estamos dispostos a viver sem ele!”
“A oportunidade de uma vida deve ser apreendido dentro da vigência do oportunidade.”
“Como você pode derrubar as fortalezas de Satanás, se você não tem nem a força para desligar a TV?”
“Muitos pastores me criticam por ter tomado o Evangelho tão a sério. Mas será que realmente pensam que no Dia do Julgamento, Cristo vai castigar-me, dizendo,” Leonard, você me levou muito a sério’? “
“Quando há algo na Bíblia que as igrejas não gostam, eles o chamam de ‘legalismo’.”
“Se Jesus tivesse pregado a mesma mensagem que os ministros de hoje pregam, ele nunca teria sido crucificado.”
“A minha maior ambição na vida é estar na lista dos mais procurados do Diabo.”
“Existe uma diferença entre mudar sua opinião, e mudar seu estilo de vida.”
“Um evangelista popular atinge suas emoções. Um verdadeiro profeta alcança sua consciência.”
“Um verdadeiro pastor conduz o caminho. Ele não somente indica o caminho.”
“Nenhum homem é maior do que sua vida de oração. O pastor que não está orando está brincando, as pessoas que não estão orando estão desviando. O púlpito pode ser uma vitrine para mostrar os talentos de uma pessoa; já o quarto de oração não permite nenhum exibicionismo.”
“Se eu perguntar se você esta noite está salvo? Você diz: ‘Sim, estou salvo’. Quando? ‘Oh, fulano de tal pregou, e eu fui batizado e… ‘Você está salvo? Do que você está salvo? Do Inferno?Você está salvo da amargura?Você está salvo da luxúria?Você está salvo da trapaça?Você está salvo da mentira?Você está salvo dos maus costumes?Você está salvo da rebelião contra seus pais?
Vamos lá, do que você está salvo?”
“Algumas mulheres vão passar trinta minutos à uma hora se preparando externamente para a igreja (colocando maquiagem e roupas especiais, etc.). O que aconteceria se todos nós gastássemos a mesma quantidade de tempo nos preparando internamente para a igreja – com oração e meditação?”
“Todo mundo reconhece que Estevão era cheio do Espírito quando estava realizando maravilhas. Porém, ele era igualmente cheio do Espírito quando estava sendo apedrejado até a morte.”
“Sua doutrina pode ser tão reta como uma arma – e tal qual vazia!”
“E não há espaço para ele na estalagem.Ele ficou um pouco mais velho e não havia espaço na sua família. Sua família não creu nEle. Ele foi ao templo. Não havia nenhuma sala no templo. O templo ficou contra ele. E quando Ele morreu não havia espaço para enterrá-lo. Ele morreu fora da cidade.Pois bem por que, em Nome de Deus, você espera de ser aceito em toda parte?Como é que o mundo não pôde suportar o Homem mais santo que já viveu e pode suportar a você e em mim?Será que estamos comprometidos? Será que estamos comprometidos?Será que não temos estatura espiritual?
Será que nossa retidão não reflete sobre a corrupção deles?“
“Existem apenas dois tipos de pessoas: os mortos em pecado e os mortos para o pecado.”
“Que bem faz falar em línguas no domingo, se você esteve usando sua língua durante a semana para amaldiçoar e fofocar?”
“Será que enviamos as nossas filhas ao largo para ter relações sexuais se isto iria beneficiar o nosso país? Contudo, enviamos os nossos filhos para matar quando pensamos que isto iria beneficiar o nosso país!”
“Se um cristão não está tendo tribulação do mundo, há algo errado!”
“Será que o mundo está crucificado para você esta noite? Ou será que ele o fascina?”
“Esse mundo lá fora não está esperando uma nova definição de Cristianismo, está esperando uma nova demonstração de Cristianismo.”
“A Igreja costumava ser um barco resgatando os que perecem. Agora, ela é um cruzeiro recrutando o promissor.”
“Você pode ter todas as suas doutrinas de forma correta, muito embora ainda não tenha a presença de Deus.”
“A questão não é se você foi desafiado. A questão é: ‘você foi transformado’?”
FONTE: http://hardtravelin-shannon.blogspot.com/2011/03/i-walked-today-poem-by-leonard.html

BIOGRAFIA: Andrew Murray - Um Homem que habitou em Cristo

Imagem cedida por: http://sunestauromai.wordpress.com/2011/04/04/andrew-murray-on-answered-prayer/
Andrew Murray nasceu na África do Sul, em 9 de maio de 1828, e morreu em 1917. Seu pai era pastor vinculado à Igreja Presbiteriana da Escócia, que, por sua vez, mantinha estreita relação com a Igreja Reformada da Holanda, o que foi importante para impressionar Murray com o fervoroso espírito cristão holandês. Andrew experimentou o novo nascimento aos 16 anos, na Holanda. Após isso, dedicou muito tempo, muitas madrugadas, a orar por um avivamento em seu país e a ler sobre experiências desse tipo ocorridas em outros países.

Foi para a Inglaterra com 10 anos e quando retornou para a África do Sul como pastor e evangelista, levou consigo um reavivamento que abalou o país. Seu ministério enfatizava especialmente a necessidade de os cristãos habitarem em Cristo. Isso foi despertado especialmente quando, ao voltar para a África, deparou-se com a grande extensão geográfica em que deveria ministrar. Aí começou a sentir necessidade de uma vida cristã mais profunda. Murray aprendeu suas mais preciosas lições espirituais por meio da Escola do Sofrimento, principalmente após uma séria enfermidade. Sua filha testificou que, após essa doença, seu pai manifestava “constante ternura, serena benevolência e pensamento altruísta”. Essa foi uma expressão de sua fé simples em Cristo e a Ele rendida.
Seu ministério, pela influência recebida do pai, foi caracterizado por profunda e ardente espiritualidade e por ação social. Em 1877, viajou pela primeira vez aos Estados Unidos e participou de muitas conferências de santidade nos EUA e na Europa. Sua teologia era conservadora, e se opunha francamente ao liberalismo. Em seus livros, enfatizou a consagração integral e absoluta a Deus, a oração e a santidade.
Durante os últimos 28 anos de sua vida, foi considerado o pai do Movimento Keswick da África do Sul. Muito dos aspectos místicos de sua obra deve-se à influência de William Law. Murray, assim como Law, Madame Guyon, Jessie Penn-Lewis e T. Austin-Sparks, experimentou o Senhor de forma muito profunda e se tornou um dos mais proeminentes no movimento da vida interior.
Foi acometido de uma infecção na garganta em 1879, a qual o deixou sem voz por quase dois anos. Foi curado dela na casa de uma família cristã em Londres. Como resultado dessa experiência, veio a crer que os dons miraculosos do Espírito Santo não se limitavam à igreja primitiva. Para ele, uma das características da vida vitoriosa era uma profunda e silenciosa percepção de Deus e uma intensa devoção a ele.
Por crer no que Deus pode fazer por meio da obra de literatura, Murray escreveu mais de 250 livros e inúmeros artigos. Sua obra tocou e toca a Igreja no mundo inteiro por meio de escritos profundos, incluindo The Spirit of Christ (O Espírito de Cristo), The Holiest of All (O Mais Santo de Todos), With Christ in the School of Prayer (Com Cristo na Escola de Oração), Abide in Christ (Habite em Cristo), Raising Your Children for Christ (Criando Seus Filhos para Cristo) e Humildade, os quais são considerados clássicos da literatura cristã. Entre tantos que foram ajudados por ele, podemos mencionar Watchman Nee, cujas obras O Homem Espiritual e O Poder Latente da Alma trazem marcas do pensamento de Murray.
(Extraído do livro Humildade – A Beleza da Santidade. © Editora dos Clássicos, 2000.)

BIOGRAFIA: FRANCIS ASBURY, O PROFETA DO CAMINHO SOLITÁRIO

Imagem cedida por: http://www.flickr.com/photos/t_13/2321708740/


Bispo Sante Uberto Barbieri

"Quero fé, valor, paciência, mansidão e amor. Quando outros sofrem tanto por seus interesses materiais, certamente posso sofrer um pouco para a glória de Deus e o bem-estar das almas."
Francis Asbury
Corria o ano de 1771. A Conferência Anual das Sociedades Metodistas da Grã-Bretanha realizou-se na cidade de Bristol, que depois de Londres era o centro mais importante e tradicional do metodismo na Inglaterra. Durante as sessões, João Wesley dirigiu a seguinte pergunta aos assistentes: "Nossos irmãos na América estão clamando por ajuda; quem está disposto a ir para ajudá-los?" A este desafio para servir como missionários na América, cinco responderam, mas apenas dois foram enviados: Francis Asbury e Ricardo Wright. No dia 4 de setembro de 1771 os dois embarcaram para o novo destino e chegaram a Filadélfia no dia 27 de outubro.
Desde a Conferência Anual de 1767, que se reunira em Londres, e na qual foi admitido à experiência, até 1771, Asbury esteve exercendo a itinerância na Inglaterra. Esse período seria o único dedicado a sua terra natal. Porque da América não voltaria mais. Já em 1769 a Conferência enviara Ricardo Boardman e José Pilmoor como os dois primeiros obreiros da Inglaterra na América. Em 1773 foram enviados Jorge Shadford e Tomás Rankin (que será a partir de então, por nomeação de João Wesley, o Superintendente Geral da Sociedades Metodistas da América) e em 1774 mais dois: Martin Rodda e Jaime Dempster.
Quando o movimento de Independência chegou ao fim em 1776, os missionários da Grã-Bretanha que ainda estavam na América voltaram à terra natal, com a exceção de Francis Asbury que se recusou abandonar os irmãos metodistas. Como os americanos suspeitassem de suas intenções de permanecer no país, teve de ocultar-se por quase um ano, vivendo e pregando como podia, fiel a sua tarefa e instando com os irmãos pregadores americanos a que seguissem adiante na sua vocação, sem exorbitar de suas funções, pois, como já dissemos, se opunha a que uma pessoa sem ordenação celebrasse o sacramento da Santa Ceia. Desta maneira se constituiu em figura notável e principal do movimento metodista no novo país. Nenhuma outra figura aparece como ele, nos Estados Unidos, com sinais mais evidentes de apostolicidade. Parece quase figura legendária, dessas que deixam a impressão de estar em toda parte ao mesmo tempo e que deixam atrás de si marcas luminosas que o tempo não pode apagar nem a memória dos homens olvidar.
Suas origens humildes não poderiam antecipar-lhe a trajetória e o papel preponderante que teria não só no seio do movimento religioso a que pertencia, mas também na própria vida de uma jovem nação. Nasceu de pais de poucos haveres, sem ser realmente pobres, no dia 20 de agosto de 1745, na localidade de Staffordshire, distante quatro milhas de Birmingham, na Inglaterra. Seus pais também tiveram uma filha que morreu na infância, restando-lhes Francis como filho único. Devido a isso quiseram dar-lhe educação esmerada. Puseram-no sob cuidados de um professor, mas suas maneiras de ensinar eram tão brutais e antipedagógicas, que o menino em vez de sentir amor aos estudos, teve aversão por eles, e sua educação formal não foi além do terceiro grau.
Tinha treze anos quando tratou de exercitar-se nalgum mister de ordem comercial. Desde mui criança esteve submetido a uma disciplina rígida no lar, e ao mesmo tempo a uma atmosfera verdadeiramente religiosa. Sua mãe ficou muito afetada com a morte da filha e se entregava a longos espaços de isolamento, dedicando-se a leituras devocionais e à oração. Asbury registra o seguinte em seu Diário a respeito do lar:
"Aprendi de meus pais umas certas palavras formais como oração, e recordo-me muito bem de que minha mãe insistia muito com meu pai para que tivesse leituras devocionais familiares. A prática de cantar salmos era costume mui comum entre eles. Muitas vezes me ridicularizavam e me chamavam o cura (vigário de aldeia ou povoação) metodista porque minha mãe convidava para nossa casa qualquer pessoa que tivesse aparência de ser muito religiosa." (1)
Imagem cedida por: http://pages.123-reg.co.uk/horizonglen-236442/

Naturalmente que uma atmosfera como essa não podia senão desenvolver uma tendência favorável à religião. Quando tinha quatorze anos, apareceu em sua casa um homem piedoso, a quem sua mãe convidara e que se interessou pelo jovem. Conversou com ele acerca de assuntos religiosos e exercitou-o na oração. Isto fez que se aplicasse mais seriamente à religião e começou a ler livros que despertassem nele a procura de uma vida piedosa mais profunda. Diz em suas memórias:
"Tornei-me muito sério - lendo muito os sermões de Whitefield e Cennick (este também metodista) - e todo bom livro que eu pudesse encontrar. E não passou muito tempo antes que eu começasse a investigar junto a minha mãe quem eram os metodistas, onde estavam e que faziam. Ela me deu informação favorável e levou-me a uma pessoa que podia conduzir-me a Wednesbury para ouvi-los. Imediatamente achei que essa não era como a Igreja - era melhor. A gente era tão devota que homens e mulheres se ajoelhavam e diziam "Amém". E eis que eles estavam cantando hinos - que doces eram! - e, coisa estranha, o pregador não tinha nenhum livro de oração e, sem embargo, orava maravilhosamente! O mais extraordinário, todavia, foi que o homem tomou seu texto e não usou nenhum livro de notas, isto é em verdade extraodinário! - pensei eu. É certamente, uma maneira estranha, mas a melhor maneira. Falou a respeito da confiança, certeza, etc... " (2)
Antes de passar adiante, registraremos aqui a influência que teve em seu sentir religioso o pensamento de Whitefield. No ano de 1798 encontramos este testemunho:
"Dia 14 de Agosto. Comi e me apressei indo pela região de Ipswich e dali a Newburyport: aqui passei da tumba do antigo profeta, o querido Whitefield, sepultado sob o lugar onde se realizam cultos presbiterianos. Seus sermões me estabeleceram na doutrina do Evangelho mais que qualquer outra coisa que eu tivesse escutado e lido naquele tempo, de tal maneira que me encontrava excepcionalmente preparado para fazer frente à exprobração (acusação) e à perseguição." (3)
Entregou-se de cheio a uma nova expressão religiosa somente depois de assistir a outras reuniões, de falar com seus integrantes, de exercitar-se em suas leituras, de sofrer a perseguição e de ver que se fechavam as casas onde se realizavam as reuniões por medo às conseqüências. Então decidiu promover reuniões na casa de seus pais, onde exortava a gente a ser mais piedosa. Desde logo verificou que sua pregação produzia bons efeitos na vida espiritual dos ouvintes. Finalmente, entrando mais intimamente em contato com os metodistas na casa de reunião destes, seus trabalhos se intensificaram e muitos ficaram admirados com os resultados que alcançava. E assim, de modo quase natural, viu que se havia convertido num pregador local, sempre pronto a servir e acudir ao chamado que se lhe fizesse a qualquer hora do dia ou da noite, indo a todos os povoados adjacentes em busca de almas para salvar.

Em geral pregava três, quatro ou cinco vezes por semana, e ao mesmo tempo continuava em seu trabalho regular. Esse ritmo e prática ele os manteve até passados os 20 anos de idade. Diz em suas memórias:
"Penso que eu estava entre os 21 e 22 anos de idade quando me entreguei completamente a Deus e a seu trabalho, depois de servir como pregador local por espaço de cinco anos." (4)
Em sua viagem para a América pôs à dura prova sua fé e determinação. Em primeiro lugar, não tinha qualquer dinheiro para a viagem. Confessa em seu Diário:
"Quando vim a Bristol não tinha um centavo, mas o Senhor logo abriu o coração de amigos que me proporcionaram roupa e dez libras esterlinas. Assim verifiquei, por experiência, que o Senhor provê para aqueles que confiam nele." (5)
De sua viagem sobre o mar escreveu:
"Dia 13 de outubro de 1771: Muitas têm sido minhas provas no curso desta viagem por falta de cama adequada e provisões apropriadas, por causa de enfermidade e por estar cercado de homens e mulheres ignorantes de Deus e muito maus." (6)
Quando iniciou a viagem, examinou-se a si mesmo sobre a natureza dos motivos que o estavam levando à América, mesmo quando esses desejos já os tinha mesmo antes de ir apresentar-se à Conferência Anual, pois escreveu em seu Diário:
"Antes de aceitar senti, por cerca de seis meses, fortes insinuações em minha mente que eu devia ir à América, o que coloquei diante do Senhor, não querendo fazer minha própria vontade e adiantar-me antes de ser enviado." (7)
Presa, pois, desse sentir escrupuloso, é que sobre o oceano volta a consultar sua consciência:
"Para onde vou? Ao Novo Mundo. Para fazer o quê? Ganhar honra? Não! Eu conheço meu coração! Ganhar dinheiro? Não! Vou viver para Deus e induzir outros a que façam o mesmo! Parece-me que são os metodistas o povo que Deus tem na Inglaterra. As doutrinas que pregam e a disciplina que impõem, segundo creio, são as mais puras no presente entre qualquer outro grupo no mundo. O Senhor tem abençoado grandemente suas doutrinas e disciplina nos três Reinos (Inglaterra, Escócia e Irlanda): devem, portanto, agradá-lo. Se Deus não me confirmar na América, voltarei imediatamente à Inglaterra. Sei que por ora meus objetivos são justos: que nunca venham a ser outra coisa!" (8)
Dois testemunhos que consigna a respeito de seus pais valem a pena que sejam registrados aqui, porque revelam não apenas o caráter deles, mas também a estima em que o filho os tinha. Quando resolveu ir para a América, voltou à casa paterna para despedir-se deles e de suas relações. Descrevendo essa visita, comenta:
"Embora fosse penoso para a carne e o sangue, consentiram em deixar-me ir. Minha mãe é uma das mais ternas no mundo; creio, pois que ela foi abençoada na presente circunstância com a assistência divina para poder separar-se de mim." (9)
Por ocasião da morte de seu pai, em 1798, escreveu em seu Diário: "Cerca de 39 anos, meu pai teve pregação do Evangelho em casa".
Como vimos, Asbury chegou à América no dia 27 de outubro de 1771. No dia 20 de novembro já escrevia o seguinte acerca de como a obra se realizava pelos obreiros ali destacados:
"Fiquei em Nova York, embora não esteja contente porque estamos parados na cidade (o outro missionário era Ricardo Boardman). Não tenho, todavia, o que busco - um rodízio dos pregadores, para evitar parcialidade e popularidade. Em verdade me aferro ao plano metodista, e o que faço, faço-o fielmente para Deus. Tenho o presságio de dificuldades imediatas. Estas eu já esperava quando deixei a Inglaterra; estou disposto a sofrer, em verdade morrer, antes de atraiçoar uma causa tão excelente por qualquer bagatela. Será coisa dura enfrentar a oposição e permanecer firme contra ela, forte como coluna de ferro e firme como muro de bronze. Não obstante, poderei todas as coisas por Cristo que me fortalece." (10)
Em concordância com essa determinação, apesar de ser nomeado para trabalhar em Nova York, vemo-lo viajando de lugar em lugar, em busca de novos lugares e pessoas para evangelizar. Foi principalmente devido a seu exemplo que a Igreja Metodista se estendeu por todo o território da nova nação, e que a itinerância entrou a formar parte, como coisa imprescindível, do sistema eclesiástico metodista.
Na história da Igreja Metodista dos Estados Unidos ele é conhecido como "O Peregrino dos Caminhos Solitários". Quem viaja hoje por aquele país não faz idéia do que era há coisa de duzentos anos. Naquela época não havia caminhos, às vezes nem para andar a pé. Tinha de ir através de emaranhadas florestas e por vales sombrios, cruzar rios sem pontes, e pântanos, sempre sob o constante perigo de ataques de índios selvagens ou revoltados. Asbury e seus companheiros de itinerância viam-se, mui a amiúde, em necessidade inevitável de abrir picadas em muitos lugares, a fim de poder alcançar os colonos dispersos pelas regiões mais avançadas da fronteira móvel, muito além de povoados e cidades. O relato das peripécias ocorridas nessas viagens é algo tão dramático que sobrepuja a própria ficção.
Nada detinha esse homem admirável! Nem as inclemências do tempo, nem cansaço, nem perigos, nem ameaças, nem longas solidões, nem enfermidades, exceto quando estas o prostravam imóvel no leito. O peregrino solitário, muitas vezes tremendo de febre e com a garganta em chagas, seguia seu caminho levado pelo imperativo do dever, por não querer faltar ao compromisso assumido de estar presente em lugar certo, dia certo, hora certa. Convém recordar que as distâncias eram enormes e que comumente não lhe era possível visitar um mesmo ponto senão depois de algumas semanas ou meses. Perder uma oportunidade era postergar a visita por um período indeterminado. De seu Diário extraímos algumas anotações acerca dessas viagens a cavalo. Diz em um lugar:
"Viajei quase 300 milhas (perto de 500 quilômetros) para Kentucky, em seis dias, e no meu retorno perto de 500 milhas (800 quilômetros) em nove dias. Oh! que excursões para um pobre homem e seu cavalo!"
Noutra parte registra:
"Fiz os cálculos que viajei 4.900 milhas (8.000 quilômetros) desde 30 de julho de 1801 a 12 de setembro de 1802. Como poderia queixar-se um homem responsável e cristão?"
Era para ele coisa intolerável ver-se obrigado a guardar o leito (ficar acamado), pois isso o enfermava ainda mais. Quem atenderia a seus compromissos? Durante os últimos anos de sua itinerância viajava em carruagem, coisa que fez até quase ao último dia de vida. Morreu na casa de Jorge Arnoldo, amigo seu, a 20 milhas (32 quilômetros) distantes de Frederickburgo, Virgínia. Seu companheiro de viagem, João Wesley Bond, que lhe havia sido assistente nos dois últimos anos, escreveu sobre sua morte:
"Nosso querido pai deixou-nos, unindo-se à Igreja Triunfante. Morreu da mesma maneira que viveu - cheio de confiança e de amor - às quatro horas de tarde do domingo 31 de março de 1816."
No domingo anterior havia pregado pela última vez na cidade de Richmond, Virgínia. Tiveram de carregá-lo desde a carruagem ao púlpito e colocá-lo num assento especial preparado para ele, pois já não podia caminhar nem permanecer de pé. Ainda assim, obrigado a fazer de quando em quando uma pausa para recobrar alento, pregou cerca de uma hora sobre Romanos 9:28: "Porque o Senhor cumprirá a sua palavra sobre a terra, cabalmente e em breve". Este seria seu último sermão.
Como vimos no capítulo anterior, em 1784 foi eleito superintendente geral (Bispo) para a América do Norte, juntamente com o Dr. Coke. Contava nessa época 39 anos de idade. Seu ministério episcopal durou 32 anos. Até à morte foi indiscutivelmente o guia quase absoluto da obra metodista nos Estados Unidos, apesar de haver tido o Dr. Coke como companheiro nas lides episcopais e, mais tarde, outros mais jovens que ele. Foi ele mesmo que conservou unida uma obra tão extensa e dispersa, e que deu à Igreja Metodista nesse país seu sentido de coesão. Tanto ele quanto seus colegas não tinham território definido para o exercício do ministério episcopal. Eram superintendentes gerais da Igreja Metodista, e desta maneira serviam a todas as congregações como se fossem um só corpo.
Durante os 32 anos de sua superintendência, calcula-se que Francis Asbury viajou algo assim como 270.000 milhas (432.000 quilômetros) pregando umas 16.000 vezes. Ordenou 4.000 ministros e presidiu a 224 Conferências Anuais. Temos de levar em consideração que tudo isso foi cumprido em luta constante contra toda sorte de enfermidades e sob o peso constante causado pelos excessos das tarefas, vendo-se sujeito a toda sorte de desconforto e a dormir no chão, uma e outra vez com as roupas úmidas, mal nutrido, sem cuidados médicos, tomando remédios para nós inconcebíveis. Foi surpreendente que seu organismo agüentasse tanta fadiga e as infusões que era obrigado a ingerir!
Em seu Diário, quase sem exceção, encontramos referências a suas constantes enfermidades e ainda quando não se queixava, notamos que geme sob o jugo de tormentos indizíveis. Viveu uma vida de contínuos reveses e provas, sem ter jamais, por amor a Cristo e a seu Evangelho, morada certa e o calor de um lar. Em geral tinha de pousar nas aglomeradas cabanas dos colonos, que nesses tempos possuíam escassa comodidade. Às vezes, quando se achava imobilizado pelas intempéries ou enfermidades, via-se obrigado a passar horas do dia na única dependência disponível para todos os da família e onde se executavam todos os misteres do lar, entre os brinquedos e a algazarra das crianças. Para um homem habituado à solidão dos caminhos e com achaques físicos (doença ou mal-estar sem gravidade, mas em geral recorrente), tudo isso era um tormento indizível, mas inevitável.
Nunca desejou casar, não por ter idéias ascéticas, mas porque acreditava contribuir para a limitação de sua obra se o fizesse. Sempre lhe causava amargura o enlace de algum de seus pregadores itinerantes; figurava-se-lhe como quase a perda segura de um colaborador, dado que, com muita freqüência, depois de casar, os itinerantes se localizavam (deixavam o ministério itinerante, tornando-se fixos numa localidade). Isto se devia, em grande parte, ao sustento tão limitado e incerto que recebiam e que não dava para manter família. Aqueles que, casando-se, não se fixavam num lugar, sempre o faziam sujeitando-se a tremendas renúncias e sacrifícios, e terminavam a vida prematuramente. Quando um de seus pregadores se casava, geralmente dizia que esse "havia sido tentado pelo diabo" mudar de estado, para enfraquecer a obra. Naturalmente eram poucos aqueles que podiam aceitar seu sistema de vida itinerante e suas idéias sobre o celibato.
Admira também que ele chegasse, com tão escassa educação formal, a ocupar posto de tanta responsabilidade, alcance e transcendência. Isso foi porque, apesar de sua aversão aos estudos quando esteve sujeito a um professor inconsciente, desenvolveu depois o hábito de educar-se a si próprio, tratando de adquirir por esforço pessoal algo do que não pôde quando estudante. Portanto o encontramos, à maneira de João Wesley, estudando enquanto viajava a cavalo e nessas condições chegou a obter, não sabemos como, conhecimento regular do hebraico e do grego, tanto que fazia muitos de seus estudos bíblicos baseados nas línguas originais. Mais pôde a força de vontade que as oportunidades que teve na juventude. Os períodos de enfermidade eram ocasião para que se dedicasse à leitura e ao estudo. De outra maneira era-lhe impossível!
Ainda mais, como já devemos ter notado pelas reiteradas referências, no decorrer da existência conservou um diário. Até hoje sua leitura inspira, a quem o leia com intenção e paciência, a ambicionar uma vida consagrada e consciente para usá-la em holocausto (sacrifício de abstrair a vontade própria para satisfazer a vontade de Deus) à obra eterna de Deus. Seu ministério ainda era suplementado pela distribuição que constantemente fazia de porções bíblicas, folhetos e livros, ligando dessa maneira as famílias isoladas com o restante da Igreja e do mundo.
Poucos homens existiram na história da Igreja Cristã que houvessem tido como Francis Asbury espírito tão apostólico e zelo tão aventuroso e, ao mesmo tempo, tão isento de glória pessoal. O fragmento de uma carta que escreveu em agosto de 1775 a Tomás Rankin, o então "Superintendente Geral das Sociedades Metodistas da América", em resposta a um convite que aquele lhe fizera para abandonar o país, em vista do movimento de Independência, demonstra claramente esse temperamento:
"Não posso, de maneira alguma, concordar em abandonar um campo que se apresenta tão pródigo de colheitas de almas para Cristo, como o que temos na América. Seria uma desonra eterna para os metodistas se abandonássemos três mil almas que desejam entregar-se a nossos cuidados, e tão pouco é papel dum pastor deixar seu rebanho em época de perigo. Portanto, resolvi, pela graça de Deus, não abandoná-lo, quaisquer que sejam as conseqüências." (11)
Não teve na alma outra paixão senão Cristo. Seu lar foi o caminho aberto e interminável, e sua suprema ambição era ver muitas almas aos pés de Cristo. Talvez se possa criticar muitas de suas características peculiares, especialmente a de que foi quase despótico no uso da autoridade episcopal. Sem dúvida isso emanava da disciplina a que ele mesmo se submetia. Tinha a íntima convicção de que essa disciplina produzia benefícios inestimáveis para o Reino e, portanto, achava que seria excelente para todo bom soldado de Jesus Cristo. Esquecia-se de que são mui poucos os que têm uma fé tão profunda, capaz de fazê-los aceitar as privações e renúncias. Ao mesmo tempo este fato nos dá uma idéia da surpreendente humildade deste estupendo homem, que não se considerava superior a ninguém, antes julgava que todos podiam ser fortes, nobres e consagrados como ele.

Redes sociais