terça-feira, 10 de abril de 2012

AS PERSEGUIÇÕES DO CATOLICISMO CONTRA A BÍBLIA

Imagem cedida por: http://sentircomaigreja.blogspot.com.br



Por David Cloud

Durante o período em que a igreja católica esteve no poder, ela fez tudo o que pode para manter a Bíblia fora das mãos do povo comum.  Era ilegal traduzir a Bíblia para a linguagem popular, ainda que a maioria das pessoas não pudesse ler a Bíblia oficial católica por ela estar em latim, um idioma conhecido apenas pelos que possuíam a mais alta instrução. 

Considere algumas das leis católicas feitas contra a tradução da Bíblia. Essas leis tiveram início no 13° século e vigoraram até o 19°.

(1) No ano de 1215, o papa Inocêncio III emitiu uma lei ordenando “que devem ser presos para interrogatório e julgamento, QUEM ESTIVER ENVOLVIDO NA TRADUÇÃO DOS VOLUMES SACROS, ou que mantém reuniões secretas, ou que pregue sem a autorização dos superiores; contra quem o processo deve ser iniciado sem qualquer permissão para apelo” (J.P. Callender, Illustrations of Popery, 1838, p. 387). Inocêncio declarou “que como pela lei antiga, o animal que tocasse o monte santo era apedrejado até a morte, assim simples e iletrados homens não eram autorizados a tocar na Bíblia ou fazer qualquer ato de pregação de suas doutrinas” (Schaff, History of the Christian Church, VI, p. 723). 

(2) O Concílio de Toulouse (1229) PROIBIU OS LEIGOS DE POSSUIR OU LER TRADUÇÕES DO VERNÁCULO DA BÍBLIA (Allix, Ecclesiastical History, II, p. 213). Este concílio ordenou que “os bisposdeveriam nomear, em cada paróquia "um sacerdote e dois ou três leigos, que deveriam se engajar sob juramento, para fazer uma busca rigorosa a todos os hereges e seus cúmplices, e para essa finalidade vistoriarcada casa, do sótão a adega, juntamente com todos os lugares subterrâneos, onde eles poderiam esconder-se”(Thomas M’Crie, History of the Reformation in Spain, 1856, p. 82).  Eles também buscavam por Bíblias ilegais.  

(3) O concílio de Tarragona (1234) “ORDENOU QUE TODAS AS VERSÕES DO VERNÁCULO DEVERIAM SER TRAZIDAS AOS BISPOS PARA SEREM QUEIMADAS” (Paris Simms, Bible from the Beginning, p. 1929, 162).

(4) Em 1483, o infame inquisidor general Tomás de Torquemada, iniciou seu reinado de terror como chefe da inquisição espanhola; o rei Fernando e sua rainha “PROIBIRAM TODOS, SOB SEVERAS PENALIDADES, DE TRADUZIR A ESCRITURA SAGRADA PARA O DIALETO POPULAR, OU DE USÁ-LA QUANDO TRADUZIDA DE OUTROS IDIOMAS” (M’Crie, p. 192). Por mais de três séculos a Bíblia na linguagem comum foi um livro proibido na Espanha e milhares de cópias foram queimadas nas fogueiras, junto com aqueles que as possuíam. 

(5) Na Inglaterra, também, leis foram emitidas pelas autoridades católicas contra as Bíblias vernaculares. As Constituições de Thomas Arundel, emitidas em 1408 pelo arcebispo de Canterbury, fez essa impetuosa demanda: "POR ISSO, DECRETAMOS E ORDENAMOS QUE NENHUM HOMEM, DAQUI POR DIANTE, POR SUA PRÓPRIA AUTORIDADE, TRADUZA QUALQUER TEXTO DA ESCRITURA PARA O INGLÊS, OU QUALQUER OUTRA LÍNGUA, por meio de livro, folheto, ou tratado, agora recentemente estabelecido no tempo de John Wyclife, ou depois, ou que venha a ser estabelecido, em parte do todo, ou privada e abertamente, sob pena de excomunhão maior, até a referida tradução ser permitida pela autoridade do lugar, ou, se o caso assim exigir, pelo concílio provincial" (John Eadie, The English Bible, vol. 1, 1876, p. 89). Observe a consideração de Arundel do homem que deu ao povo de fala inglesa a sua primeira Bíblia: "Este pestilento miserável John Wycliffe de memória condenável, um filho do diabo, e ele mesmo um pupilo do antiCristo, que enquanto viveu, andou na vaidade da sua mente ... coroando sua maldade traduzindo as Escrituras para a língua materna" (Fountain, John Wycliffe, p. 45). 
  
(6) Papa Leão X (1513-1521), que se opôs contra os esforços de Lutero em seguir o preceito bíblico de fé e Escrituras somente, iniciou o quinto Concílio de Latrão (1513-1517), que denunciou que nenhum livro devesse ser impresso, exceto os aprovados pela Igreja Católica. "POR ISSO, PARA SEMPRE E A PARTIR DE AGORA, A NINGUÉM DEVE SER PERMITIDO IMPRIMIR QUALQUER LIVRO OU ESCRITO, SEM UMA AVALIAÇÃO PRÉVIA, PARA SERVIR DE TESTEMUNHO POR ASSINATURA MANUAL, PELO VIGÁRIOPAPAL E MESTRE DO SAGRADO PALÁCIO EM ROMA, e em outras cidades e dioceses pela Inquisição, e o bispo ou um perito por ele nomeado. POR NEGLIGÊNCIA DESTA, A PUNIÇÃO ERA A EXCOMUNHÃO, A PERDA DA EDIÇÃO, QUE ERA PARA SER QUEIMADA, uma multa de 100 ducados para a construção da basílica de São  Pedro, e a suspensão de negócios por um ano" (Henry Lea, The Inquisition of the Middle Ages).


(7) Essas restrições foram repetidas pelo Concílio de Trento em 1546, que colocaram as traduções da Bíblia, como a alemã, espanhola e inglesa, na sua lista de livros proibidos, bem como proibidos a qualquer pessoa deler a Bíblia sem a licença de um bispo católico ou inquisidor.

Segue uma citação do Concílio de Trento: "... SERÁ CONSIDERADO ILEGAL QUE ALGUÉM IMPRIMA OU TENHA IMPRIMIDO QUAISQUER LIVROS QUE LIDEM COM QUESTÕES DOUTRINÁRIAS, SEM O NOME DO AUTOR, OU NO FUTURO PARA VENDÊ-LOS, OU MESMO TÊ-LOS COMO SUA POSSE, A MENOS QUE TENHAM SIDO PREVIAMENTE EXAMINADOS E APROVADOS PELA AUTORIDADE, SOB PENA DE ANÁTEMA E MULTA prescrita pelo último Conselho de Latrão" (Fourth session, April 8, 1546, The Canons and Decrees of the Council of Trent, Translated by H.J. Schroeder, pp. 17-19). 

Essas regras foram afixadas no Índice de Livros Proibidos e foram constantemente reafirmadas pelos papas nos séculos 16, 17, 18 e 19. Estas proibições, de fato, nunca foram revogadas. É verdade que o Concílio de Trento não proibiu absolutamente a leitura das Escrituras em todas as circunstâncias. Permitiu algumas exceções. Os padres tinham permissão de ler a Bíblia Latina. Bispos e inquisidores foram autorizados a conceder licença para certos fiéis católicos de ler a Bíblia em latim, desde que estas Escrituras fossem acompanhadas por notas católicas e se cressem que estes não seriam "prejudicados" por tal leitura. Na prática, porém, as proclamações do Concílio de Trento proibiram a leitura das Escrituras Sagradas para, pelo menos, 90% da população. A reivindicação de Roma de possuir autoridade para determinar quem pode e quem não pode traduzir, publicar e ler a Bíblia é uma das afirmações mais blasfemas já feitas sob este sol.

A atitude das autoridades católicas do século 16 em relação à Bíblia ficou evidente a partir de um discurso de Richard Du Mans entregue em Trento, no qual ele disse que "as Escrituras se tornaram inúteis, uma vez que o escolásticos haviam estabelecido a verdade de todas as doutrinas; e ainda que elas fossem antigamente lidas na igreja, para a instrução do povo, e ainda lidas no serviço, no entanto, não deveria ser feito um estudo, porque os luteranos vinham ganhando todos aqueles que as liam” (William M’Gavin, The Protestant, 1846, p. 144). É verdade que a Bíblia leva o homem para fora do catolicismo, mas isto é somente porque o catolicismo não é fundamentado sobre a Palavra de Deus!

Papa Clemente VIII (1592-1605) confirmou as proclamações do Concílio de Trento contra traduções da Bíblia (Eadie, History of the English Bible, II, p. 112) e foi ainda mais longe, proibindo a concessão de licençaspara a leitura da Bíblia sob quaisquer condições (Richard Littledale, Plain Reasons Against Joining the Church of Rome, 1924, p. 91). 

(8) As restrições contra a posse das Escrituras vernaculares foram repetidas pelos papas até o final do século19:

Papa Bento XIV (1740-1758) confirmou as proclamações o Conselho de Trento contra traduções da Bíblia(Eadie, History of the English Bible, II, p. 112) e emitiu uma liminar "que nenhuma versão deve ser oferecidapara ser lida, mas as que forem aprovadas pela Santa Sé, acompanhadas de notas provenientes dos escritosdos santos pais da Igreja, ou de outros autores e mestres católicos" (D.B. Ray, The Papal Controversy, p. 479).

Foi durante o reinado do Papa Pio VII (1800-1823) que o movimento das modernas sociedades Bíblicas começou. A British and Foreign Bible Society foi formada em março de 1804, com o objetivo de "incentivaruma maior circulação das Sagradas Escrituras, sem nota ou comentário". Outras sociedades foram logo criadascom o mesmo exaltado propósito. Alemanha (1804), Irlanda (1806), Canadá (1807); Edimburgo (1809);Hungria (1811), Finlândia, Glasgow, Zurique, Prússia (1812), Rússia (1813); Dinamarca e na Suécia (1814);Holanda, Islândia (1815); Estados Unidos, Noruega e dos valdenses (1816), Austrália, Malta, Paris (1817), etc.Uma das sociedades começou a distribuir uma Bíblia polonesa na Polônia. O Papa, em vez de louvar ao Senhorque a Palavra eterna de Deus estava sendo colocada nas mãos das multidões de pessoas espiritualmentecarentes, mostrou seu descontentamento através da emissão de uma bula contra as Sociedades Bíblicas em 29 de junho de 1816. O Papa expressou-se como estando "chocado" com a circulação das Escrituras na línguapolonesa. Ele caracterizou essa prática como um "um dos mais astutos dispositivos pelo qual as próprias basesda religião são prejudicadas", "uma peste", que deve ser "curada e abolida", "uma profanação da fé,eminentemente perigosa para as almas". O Papa Pio VII também repreendeu o arcebispo de Buhusz, deMohiley na Rússia, por causa de seu endosso de uma recém-formada Sociedade Bíblica naquele país (Kenneth Latourette, The Nineteenth Century in Europe, p. 448). A declaração papal, datada de 3 de setembro de 1816, declarou que "se as Sagradas Escrituras fossem permitidas na língua vulgar em todos os lugares, sem discriminação, mais prejuízo do que benefícios poderiam surgir" (Jacobus, Roman Catholic and Protestant Versions Compared, p. 236).

Papa Leão XII (1823-29) emitiu uma bula aos bispos da Irlanda em 3 de maio de 1824, no qual ele afirmavao Concílio de Trento e condenada a distribuição da Bíblia. "Não é segredo para vós, veneráveis ​​irmãos, que umacerta sociedade, vulgarmente chamada de Sociedade Bíblica, está audaciosamente espalhando-se por todo o mundo. Depois de desprezar as tradições dos santos pais, e em oposição ao bem conhecido decreto do Concílio de Trento, esta Sociedade tem juntado todas as suas forças, e dirige todos os meios para um objeto - a tradução, ou melhor, a perversão da Bíblia para as línguas vernaculares de todas as nações. ... SE AS SAGRADAS ESCRITURAS FOREM INDISCRIMINADAMENTE PUBLICADAS POR TODA PARTE, MAIS MALES DO QUE VANTAGENS SURGIRÃO, por conta da imprudência dos homens" (Bull of Leo XII, May 3, 1824; cited from Charles Elliott, Delineation of Roman Catholicism, 1851, p. 21). Este Papa republicou o Índicede Livros Proibidos em 26 de março de 1825, e determinou que os decretos do Concílio de Trento fossemaplicados contra a distribuição das Escrituras (R.P. Blakeney, Popery in Its Social Aspect, p. 137).

Papa Gregório XVI (1831-46) ratificou os decretos de seus antecessores, proibindo a livre distribuição das Escrituras. Em sua encíclica de 8 de maio de 1844, o Papa afirmou: "ALÉM DISSO, CONFIRMO E RENOVOOS DECRETOS ACIMA RECITADOS, ENTREGUE EM TEMPOS ANTIGOS POR AUTORIDADE APOSTÓLICA, CONTRA A PUBLICAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO, LEITURA E POSSE DE LIVROS DAS SAGRADAS ESCRITURAS TRADUZIDAS PARA A LÍNGUA VULGAR" (James Wylie, The Papacy, 1867, p. 182). Esta encíclica foi proferida contra as sociedades bíblicas em geral, e mencionou em particular a Aliança Cristã, que foi formada em 1843 em Nova York com a finalidade de distribuir Escrituras.

Papa Pio IX (1846-78) em novembro 1846 emitiu uma carta encíclica em que denunciou todos os adversários do catolicismo, entre os quais ele incluiu "as insidiosas Sociedades Bíblicas". Ele disse que a sociedades bíblicas estavam "renovando os artifícios dos hereges antigos", ao distribuir a "todos os tipos de homens, mesmo os menos instruídos, gratuitamente e a imensas custas, cópias em grande número dos livros da Sagrada Escritura traduzidas contra as mais sagradas regras da Igreja em várias línguas vulgares ...". Que crime horrível! Distribuir as Escrituras livremente a todas as pessoas! Foi Pio IX que declarou os papas "infalíveis" no Concílio Vaticano I em 1870.

Papa Leão XIII (1878-1903) publicou a "Constituição Apostólica" em 1897, que declarava: "Todas as versões do vernáculo, até mesmo as católicas, estão totalmente proibidas, a menos que sejam aprovadas pela Santa Sé, ou publicadas sob os cuidados vigilantes dos Bispos, com anotações tomadas dos pais da Igreja e escritores católicos" (Melancthon Jacobus, Roman Catholic and Protestant Bibles, p. 237).

Onde a Igreja Católica Romana estava no poder, a Bíblia sempre foi um artigo escasso. Considere alguns exemplos: Quando o governo de Nova Orleans foi assumido em 1803, "não foi formalizado o juramento de posse até que fosse concluída uma longa procura por uma Bíblia para isso, quando uma Vulgata Latina foi finalmente obtida de um padre" (William Canton, The Bible and the Anglo-Saxon People, I, p. 245). EmQuebec, até 1826, MUITAS PESSOAS NUNCA TINHAM OUVIDO FALAR DO NOVO TESTAMENTO (Canton, II, 61). A situação era a mesma na América do Sul, onde "por cerca de três séculos se passaram quase que inteiramente sem a Bíblia". Foi em 1831 que a primeira Bíblia foi impressa na América espanhola, e mesmo assim as cópias eram exorbitantemente caras (Canton, II, 347). Assim, mesmo, quando as autoridades católicas finalmente imprimiram algumas Bíblias, os preços estavam muito além do alcance da maioria das pessoas. Entre dezembro de 1907 e fevereiro 1908 uma diligente pesquisa foi feita para determinar quantasBíblias estavam disponíveis na Irlanda católica. Nenhuma parte da Bíblia estava disponível nas livrarias emAthlone, Balbriggan, Drogheda, Mullingar, Wexford, e Clonmel. Um assistente de loja em Mullingar disse: "Eu nunca vi uma Bíblia católica". Quando perguntado sobre o Novo Testamento, um vendedor da Catholic Truth Society respondeu: "Nós não a temos". Aqueles que fizeram o extenso levantamento concluíram "QUE, EM 90% DAS CIDADES, VILAS E ALDEIAS OU NA IRLANDA, UM CATÓLICO NÃO PODERIA ENCONTRARUMA CÓPIA DA BÍBLIA CATÓLICA OU DO NOVO TESTAMENTO" (Alexander Robertson, The Papal Conquest, 1909, pp. 166-167).

Estes fatos descobrem apenas a ponta do iceberg em relação à atitude de Roma em relação à Bíblia nos tempos antigos.

OS VALDENSES são um exemplo do que ocorreu durante este período. Eles viviam nas montanhas da Itália e da França e eventualmente se espalharam por toda a Europa; eles se recusaram a aderir à Igreja Católica ou reconhecer o papa. Eles receberam a Bíblia como a única fonte de fé e prática e tinham suas próprias traduções, que diligentemente reproduziam em cópias escritas à mão. Roma perseguiu os valdenses por toda a Idade das Trevas (Idade Média) até o século 18.

Algumas descrições breves das perseguições contra os valdenses seguem. Note que muitos livros foram escritos sobre essas perseguições e os fatos a seguir apenas sugerem a destruição e tormento derramado sobreessas pessoas.


SÉCULO 12

A Igreja Católica Romana perseguiu Pedro Valdo e se recusou a aceitar a sua tradução do Novo Testamentopara a língua Romana. O Papa Alexandre III (1159-1181) expulsou Valdo e seus seguidores de sua diocese, e o próximo papa, Lúcio III, lançou a maldição papal sobre eles (William Blackburn, History of the Christian Church, 1880, pp. 309, 310).  O Concílio de Tours, em 1163 promoveu a inquisição contra os crentes da Bíblia, emitindo um decreto que declarava: "Ninguém deve receber ou ajudar hereges, nem comprar ou vender alguma coisa com eles, que fazendo assim, os privando do conforto e humanidade, possam ser obrigados a se arrepender do erro do seu caminho" (Gideon Ouseley, A Short Defence of the Old Religion, 1821, p. 221)."Muitos Albigenses, recusando os termos, foram queimados em diferentes cidades no sul da França" (G.H. Orchard, A Concise History of the Baptists, 1855, p. 199). O Terceiro Concílio de Latrão "deu permissão aos príncipes para reduzir os hereges à escravidão e encurtou o tempo de penitência por dois anos para aqueles que pegassem em armas contra eles" (Philip Schaff, History of the Christian Church, V, p. 519).




SÉCULO 13

No ano de 1209, o Papa Inocêncio III convocou a uma cruzada contra os valdenses na França. Qualquer pessoaque se voluntariasse para a guerra contra os "hereges" (assim chamados por Roma porque discordavam deseus dogmas) era prometido o perdão de pecados e muitas recompensas. Dezenas de milhares pegaram em armas pelo Papa e marcharam contra os odiados valdenses. Cerca de 200.000 dissidentes foram mortos pelo exército do Papa em poucos meses. Duas grandes cidades, Beziers e Carcasone, foram destruídas, juntamente com muitas pequenas cidades e aldeias. A guerra se estendeu por 20 anos! Milhares ficaram desabrigados e foram obrigados a vagar nas matas e montanhas para escapar de seus algozes. As crueldades praticadas pelosperseguidores católicos foram horríveis. Os cristãos eram jogados de penhascos elevados, enforcados,estripados, trespassados repetidamente, afogados, rasgados por cães, queimados vivos, crucificados. Em um caso, 400 mães fugiram para um refúgio com seus bebês em uma caverna em Castelluzzo, localizada a mais de 600 metros acima do vale em que viviam. Eles foram descobertos pelos católicos furiosos, um grande incêndiofoi feito na boca da caverna e eles morreram sufocados.


SÉCULO 15 

Em 1487 o papa Inocêncio VIII convocou uma cruzada contra os valdenses na Itália, Alemanha, e em outros lugares. Ele prometeu o perdão dos pecados e uma parte do saque para aqueles que aderissem. Carlos VIII da França e Carlos II de Sabóia concordaram em levantar um exército para a destruição dos valdenses. Este exército regular era de cerca de 18.000 soldados e milhares de "rufiões" juntaram-se, instigados pela promessa de perdão dos pecados e da expectativa de obtenção do espólio das posses valdenses. Wylie descreve esses voluntários como "fanáticos ambiciosos, saqueadores imprudentes, assassinos impiedosos" (James Wylie,History of the Waldenses, 1860, p. 29) [N.T.: Obra traduzida e disponível na íntegra neste link]. Este exército atacou simultaneamente os vales valdenses pelo no norte da Itália, nas planícies ao sul e pela França ao oeste. Milhares de cristãos crentes na Bíblia pereceram nesta cruzada. Suas casas e plantações foram destruídas. Muitas aldeias inteiras foram destruídas. Suas mulheres foram estupradas e depois brutalmente assassinadas. Seus filhos foram jogados contra as árvores e penhascos. Mais de 3000 cristãos valdenses, homens, mulheres e crianças morreram em uma caverna chamada Aigue-Froid para onde tinham fugido para se proteger. Estes eram os habitantes de toda a aldeia de Val Loyse, e as propriedades dessas pobres pessoas ​​foi distribuída entre os participantes da cruzada. Muitos vales inteiros foram queimados, pilhados e despovoados. Esta cruzada contra os valdenses durou um ano.




SÉCULO 16 

Segue-se uma breve descrição das perseguições no século 16 como dadas por um pastor valdense: "Não háuma cidade no Piemonte sob um pastor valdense que alguns de nossos irmãos não tenham sido condenados à morte ... Hugo Chiamps de Finestrelle teve suas entranhas arrancadas de seu corpo ainda vivo, em Turim.Pedro Geymarali de Bobbio, da mesma maneira, teve suas entranhas arrancadas em Lucerna, e um felino ferozfoi colocado no lugar para torturá-lo ainda mais; Maria Romano foi enterrada viva em Rocco-Patia; MagdalenFoulano sofreu o mesmo destino em San Giovanni; Susan Michelini teve as mãos e pés atados, e deixada a perecer de frio e fome em Saracena. Bartolomeu Fache, cortado com sabres, teve as feridas preenchidas comcal virgem, e pereceu, assim, em agonia em Fenile; Daniel Michelini teve sua língua arrancada em Bobbio, por ter louvado a Deus. James Baridari pereceu coberto de mechas sulfurosas, que foram enfiadas em sua carnesob as unhas, entre os dedos, nas narinas, nos lábios, e sobre todo o seu corpo, e então queimado. Daniel Revelliteve a boca cheia de pólvora, que, sendo acesa, explodiu a sua cabeça em pedaços. Maria Monnen, presa emLiousa, teve a carne de seu rosto cortado até o osso do queixo, de modo que sua mandíbula foi deixada nua, e ela ficou, assim, a perecer. Paul Garnier foi lentamente cortado em pedaços em Rora. Thomas Margueti foi mutilado de uma maneira indescritível em Miraboco, e Susan Jaquin cortada em pequenos pedaços em LaTorre. Sara Rostagnol foi aberta das pernas ao peito, e assim deixada a perecer na estrada entre Eyral eLucerna. Anne Charbonnier foi empalada e levada assim, em uma lança, como um estandarte, de San Giovannia La Torre. Daniel Rambaud, em Paesano, teve suas unhas arrancadas, depois seus dedos decepados, entãoseus pés e mãos, braços e pernas, a cada recusa sucessiva de sua parte em abjurar o Evangelho" (Alex Muston,A History of the Waldenses: The Israel of the Alps, 1866).

Não somente os cristãos valdenses foram destruídos pelos exércitos, mas a sua literatura e Escrituras vernaculares foram destruídas por vingança durante essas perseguições. Os padres católicos que acompanharam os exércitos fizeram isso conscientemente. Assim, muitas cópias das Escrituras valdenses foram destruídas por isso temos pouca informação sobre as suas Bíblias.

No século 17, Samuel Morland visitou os valdenses no norte da Itália como representante do governante da Inglaterra, Oliver Cromwell. Morland tentou ajudar os valdenses nas amargas perseguições que ainda estavam sendo derramadas sobre eles. Exércitos inteiros haviam sido enviados para destruir as aldeias valdenses no século 17. Praticamente todos os seus documentos haviam sido destruídos. Morland recolheu todos os materiais restantes que pode encontrar e em 1658 mandou para a Inglaterra para ser depositado na biblioteca da Universidade de Cambridge. As coleções de Morland ainda estão disponíveis. Em 2 de junho de 2004, J.S. Ringrose, responsável pelos manuscritos na biblioteca da universidade de Cambridge, escreveu a Justin Savino, estudante do Emmanuel Baptist Theological Seminary, Newington, Connecticut, como segue: "Existem duas principais coleções de manuscritos valdenses, ambos depositados por Samuel Morland em 1658. MSS (manuscritos) Dd. 3. 25-38 (Morland MSS GV) são manuscritos do século XVII, principalmente transcrições de fontes históricas anteriores. MSS. Dd. 15,29-34 (Morland AF) são medievais". O pacote F de Morland contém manuscritos do século 14 com o Novo Testamento inteiro e partes do Antigo e escritos apócrifos" no dialeto do Piemonte provençal ou ocitano". Em uma visita a biblioteca em abril de 2005 examinei o pacote F. Ele contém seis pequenos itens, incluindo um Novo Testamento (embora não contendo todos os livros).


CONSIDERE ALGUNS EXEMPLOS DE COMO A BÍBLIA FOI PERSEGUIDA POR ROMA: 
   
A BÍBLIA INGLESA FOI PERSEGUIDA

JOHN WYCLIFFE (1324-1384), o pai da Bíblia em inglês, é um exemplo de como Roma tratou a Bíblianestes dias.

Wycliffe, vigário da Igreja de Saint Mary em Lutterworth, completou o Novo Testamento inglês em 1380 e o Velho Testamento em 1382. Ele rejeitou muitas das heresias de Roma, incluindo a doutrina de que o povo nãodeveria ter a Bíblia em sua própria língua. Aqui está uma das poderosas afirmações que ele fez para as autoridades católicas: "Você diz que é uma heresia falar das Sagradas Escrituras em inglês. Você me chama deherege, porque eu traduzi a Bíblia para a língua comum do povo. Você sabe quem blasfema? Não dá o Espírito Santo a Palavra de Deus em primeiro lugar na língua materna das nações a quem foi dirigida? Por que você fala contra o Espírito Santo? Você diz que a Igreja de Deus está em perigo com este livro. Como pode ser isso? Não é somente da Bíblia que aprendemos que Deus criou uma sociedade tal como Igreja sobre a terra? Não é a Bíblia que dá toda a sua autoridade à Igreja? Não é da Bíblia que aprendemos quem é o Construtor e Soberanoda Igreja, quais são as leis pelas quais ela é governada, e os direitos e privilégios dos seus membros? Sem a Bíblia, que permissão tem a Igreja para mostrar tais coisas a todos esses? É você quem coloca a Igreja em perigo ao esconder o mandado Divino, a missiva real de seu Rei, a autoridade que ela exerce e a fé que elaordena" (David Fountain, John Wycliffe, pp. 45-47).

Roma perseguiu amargamente Wycliffe e tentou, sem sucesso, prendê-lo. O papa Gregório XI emitiu cincobulas contra Wycliffe, mas ele foi protegido pela rainha da Inglaterra e outros.

Wycliffe morreu em 31 de dezembro de 1384, e 43 anos mais tarde, em 1428, a Igreja Católica desenterrou osossos de Wycliffe e os queimou.

Roma também perseguiu os seguidores de Wycliffe, os lolardos, aprisionando-os e condenando muitos deles à morte. A torre dos lolardos em Londres foi assim chamada porque é um dos lugares onde eles foram presos e torturados. Era ilegal possuir uma cópia da Bíblia de Wycliffe, e a maioria das inestimáveis Escrituras manuscritas foram queimadas.


WILLIAM TYNDALE (1484-1536), o primeiro a traduzir a Bíblia em inglês do grego e hebraico, é outro exemplo das perseguições de Roma.

Quando jovem, Tyndale sentiu que tinha a obrigação de traduzir a Bíblia para o inglês diretamente do hebraico e grego, para que seu povo pudesse ter a Palavra de Deus das mais puras fontes. Quando ele expressou este plano para as autoridades católicas na Inglaterra, então sob domínio católico, ele soube que não seria possível fazer este trabalho em seu próprio país.

Enquanto trabalhava em Little Sodbury Manor após a sua graduação em Oxford, Tyndale pregou naquela parte do oeste da Inglaterra e debateu a verdade com padres católicos. Uma noite, um padre exclamou:"Estamos melhor sem as leis de Deus do que as do papa". Ouvindo isso, Tyndale replicou: "Se Deus poupar minha vida por muitos anos, farei com que um menino que empurra um arado saiba mais das Escrituras do que vós".

Tyndale viajou para a Europa para alcançar este objetivo, onde ele teve que se mudar de um lugar para outro e esconder seu trabalho por causa das autoridades eclesiásticas.

Depois de completar o Novo Testamento e uma porção do Velho, Tyndale foi preso em maio de 1535. Ele ficou preso por 16 meses no castelo de Vilvorde, Bélgica.

Em 6 de outubro de 1536, Tyndale foi estrangulado e depois queimado na fogueira. Suas cinzas foram jogadasno rio que corria ao lado do castelo.

A BÍBLIA ALEMÃ FOI PERSEGUIDA

As Bíblias ALEMÃS PRÉ-LUTERO foram perseguidas no século 15. A primeira Bíblia completa impressa em alemão foi publicada por Johann Mentelin (John Mentel) em Estrasburgo em 1466 (Olaf Norlie, The Translated Bible, 1934, p. 73). 

Mainz era o centro mais ativo de publicação na Alemanha naquela época, e em 1485, o arcebispo de lá EMITIU UM ÉDITO DE PRESCRIÇÃO CENSURANDO TODAS AS TRADUÇÕES DA BÍBLIA. O edital proíbia as Escrituras de serem dadas a homens simples e ignorantes bem como a mulheres. A seguir está um trecho:"Temos observado livros contendo o ofício da missa e também contendo coisas divinas e assuntos sublimes de nossa religião e traduzidas do latim para a língua alemã, não sem danos à religião (significando a religião católica), circulando entre as mãos do vulgar [pessoas comuns] ... pois quem vai dar às pessoas ignorantes eiletradas e para o sexo feminino em cujas mãos os manuscritos sagrados de aprendizagem caem, a capacidade de encontrar o verdadeiro sentido? Nenhuma pessoa sã iria negar que os textos dos Santos Evangelhos e das epístolas de Paulo requerem muitos acréscimos e explicações de outros escritos".

A BÍBLIA DE LUTERO, que apareceu pela primeira vez em 1522, também foi ferozmente perseguida.

D'Aubigne, em sua History of the Reformation, descreve como Roma respondeu a este marco na história daAlemanha: "padres ignorantes estremeceram com o pensamento de que cada cidadão, ou melhor, que cadacamponês, agora seria capaz de disputar com eles sobre os preceitos de nosso Senhor. O rei da Inglaterradenunciou as ações do príncipe Frederico e George, duque da Saxônia. Mas, logo no mês de novembro, ODUQUE ORDENOU A SEUS SÚDITOS DEPOSITAR TODAS AS CÓPIAS DO NOVO TESTAMENTO DELUTERO NAS MÃOS DOS MAGISTRADOS. BAVIERA, BRANDENBURGO, ÁUSTRIA, E TODOS OS ESTADOS DEVOTADOS A ROMA, PUBLICARAM DECRETOS SEMELHANTES. EM ALGUNS LUGARES ELES FIZERAM UM TERRÍVEL SACRILÉGIO: FOGUEIRAS DESSES LIVROS SAGRADOS NAS PRAÇAS PÚBLICAS" (D’Aubigne, III, p. 77).

Perseguições foram derramadas pelas autoridades católicas sobre aqueles que lessem as obras de Lutero. Um exemplo dos que foram atormentados por distribuir o Novo Testamento alemão de Lutero foi o de  um livreiro chamado João, em Buda, na Hungria. Ele tinha circulado as Escrituras alemãs em todo o país. "Ele foi amarradoa uma estaca; seus perseguidores, em seguida, empilharam seus livros ao seu redor, colocando-os como se fosse uma torre, e depois atearam fogo neles. João manifestou inabalável coragem, exclamando do meio das chamas, que estava contente por sofrer pela causa do Senhor" (D’Aubigne, III, p. 152).

Em 1520 uma busca rigorosa por Bíblias Luteranas e livros teve início em Veneza, e aqueles encontrados foram destruídos (M'Crie, Reformation in Italy, p. 28).


AS BÍBLIAS ANABATISTAS alemãs foram perseguidas

A Bíblia alemã produzida por anabatistas apareceram em 1529, cinco anos antes da Bíblia completa de Lutero. Ela foi chamado a de A BÍBLIA DE WORMS, de acordo com o nome da cidade em que foi publicada. A tradução foi feita por dois anabatistas, Ludwig Hetzer e Hans Denck, "talentosos eruditos, bem versados em hebraico e grego, bem como em latim. Denck estudou e recebeu o grau de mestre na Universidade de Basel, sob e comErasmus. Hetzer foi um aluno de Basel, e também da Universidade de Paris" (John Porter, The World’s Debt to the Baptists, 1914, p. 138). "Na época da sua publicação a aprovação da edição Denck-Hetzer foi ilimitada e universal. No prazo de três anos treze edições separadas apareceram em Estrasburgo, Augsburgo, Hagenau, e outros lugares. ... Em uma palavra, em toda a Alemanha o livro dos desprezados anabatistas foi comprado, lido, e estimado"  (Ludwig Keller, Hans Denck, Ein Apostel der Wiedertaufer, p. 211; cited by Porter, p. 139).

Esta Bíblia alemã e seus tradutores sofreram o destino que já vimos tantas vezes. "Denck, sofrendo com a tuberculose, sob o decreto de banimento e proscrição, morreu na clandestinidade, na Basiléia, em 1529, um pouco antes da Bíblia vir a ser impressa. Hetzer foi preso, condenado como herege, e decapitado no mesmo ano em Constance. ... TODO O ESFORÇO POSSÍVEL FOI FEITO PARA SUPRIMIR ESTA "BÍBLIA HERETICA"; ESCRITÓRIOS DE IMPRESSÃO, LUGARES ONDE O LIVRO ERA VENDIDO, CASAS PARTICULARES E PESSOAS FORAM REVISTADAS, E TODAS AS CÓPIAS ENCONTRADAS ERAM DESTRUÍDAS. Apenas três cópias que são acessíveis a acadêmicos vieram agora ao conhecimento da existência, uma está na biblioteca da Universidade de Bonn, uma em uma biblioteca em Stuttgart, e uma na Biblioteca Pública de Nova York".




A BÍBLIA ESPANHOLA FOI PERSEGUIDA 

No século XV, um padre católico chamado BONIFACIO FERRER traduziu todas as Escrituras no dialetovalenciano ou catalão da Espanha. Ele morreu em 1417, mas a sua tradução foi impressa em Valência em 1478.Apesar do fato de ser produzida por um católico, "ela mal tinha feito a sua aparição quando foi suprimida pela Inquisição, que ordenou que toda a impressão deveria ser devorada pelas chamas. Tão rigorosamente essa ordem foi posta em execução, que dificilmente uma única cópia parece ter escapado" (M’Crie, History of the Progress and Suppression of the Reformation in Spain, 1829, pp. 191, 92). Em 1645 quatro folhas desta tradução foram descobertas em um mosteiro.

Em 1543 o Novo Testamento do espanhol FRANCISCO DE ENZINAS foi publicado com o título "O Novo Testamento, isto é, a Nova Aliança de nosso único Redentor e Salvador Jesus Cristo, traduzido do grego para alíngua castelhana[Espanhol]". Enzinas apresentou um cópia do seu Novo Testamento para Carlos V, imperadordo Império Romano (1519-1558), durante a visita do imperador a Bruxelas, que por sua vez, a deu ao seuconfessor católico, Pedro de Soto. "Depois de vários atrasos, Enzinas, tendo esperado o confessor, foirepreendido por ele como um inimigo da religião, por haver manchado a honra de seu país natal, e se recusando a reconhecer a sua falha ao traduzir esta obra, foi preso pelos oficiais de justiça e lançado na prisão" (M'Crie,History of the Reformation in Spain, pp. 194-95). O pai e tios de Francisco o visitaram na prisão, e orepreenderam para desonrar sua família. Após 15 meses confinado ele milagrosamente escapou da prisão em Bruxelas e fugiu para a Antuérpia, em seguida, para a Inglaterra, onde, em 1548, recebeu a cadeira de grego na Universidade de Cambridge. Ele voltou para o continente em 1550 e morreu de peste em EEstrasburgo em 1553. A maioria de seus Novos Testamentos foram queimados e todos os seus manuscritos foram destruídospela Inquisição.

Outro homem que foi levantado por Deus para prover o mundo espanhol com uma Bíblia em seu idioma foiJUAN PEREZ DE PINEDA (1490-1567). Em Sevilha, Espanha, como chefe do Colégio de Doutrina, começou a estudar a Bíblia e rejeitou doutrina católica. Quando a perseguição começou contra os crentes nessa área, Perez e alguns de seus amigos conseguiram fugir da Espanha. Perez estabeleceu-se em Genebra e foi o primeiro a formar uma igreja espanhola naquela cidade (M'Crie, p. 363). Depois ele se mudou para a França.Sua tradução do Novo Testamento para o espanhol, confiando totalmente na versão de Enzinas, foi publicadaem 1556 em Genebra.

Outro dos homens que fugiram dos terrores da inquisição na Espanha foi CASSIODORO DE REINA (1520-1594). Como um monge no mosteiro de San Isidro del Campo, em Sevilha, ele se uniu ao reavivamento protestante e rejeitou a doutrina católica. Preso e condenado à morte, Reina conseguiu escapar da prisão e fugir para Londres, onde pregou a uma congregação espanhola (Lupton, A History of the Geneva Bible, I, p. 40). Mais tarde, ele viajou para Genebra, e juntou-se com a igreja protestante espanhola de lá, pastoreada pelo já mencionado Juan Pérez de Pineda. Reina em 1567 completou um Novo Testamento Espanhol que "é aclamado até hoje como o maior triunfo da história literária espanhola". Reina estabeleceu-se na Basiléia, e a Bíblia completa apareceu em 1569.

A obra de Reina foi abraçada por CIPRIANO DE VALERA (1532-1602?).

Como Enzinas e Reina, Valera havia fugido da inquisição na Espanha. Em 1565 Valera juntou-se a Universidade de Oxford e tornou-se conhecido por sua experiência linguística, "tendo domínio de pelo menos dez línguas". Ele revisou e corrigiu a obra de Reina e publicou o Novo Testamento em Londres, em 1596, e, toda a Bíblia em 1602 em Amsterdã.

Todas estas Bíblias espanholas "foram acompanhadas com reivindicações para a prática de traduzir as escrituras em línguas vernaculares e o direito das pessoas de as lerem" (M’Crie, p. 202).

Contrastando com isso foi a atitude da Igreja Católica. Ainda em 1747, o inquisidor-geral na Espanhadescontente que "alguns homens tinham a audácia extrema e execrável de pedir permissão para ler as Sagradas Escrituras na língua vulgar, não tinha medo de encontrar neles o veneno mais letal" (M’Crie, p. 202, f3). 

O papa Júlio III dirigiu uma bula aos inquisidores em 1550 no qual advertiu-os das Bíblias espanholas que estavam sendo contrabandeadas para o país (M'Crie, History of the Reformation in Spain, p. 203). Os inquisidores receberam instruções "para apreender todas as cópias, e proceder com o máximo rigor contra aqueles que as portavam, sem excetuar os membros de universidades, faculdades ou mosteiros. ... Ao mesmo tempo as mais rigorosas precauções foram adotadas para impedir a importação de tais livros, colocando agentes em todos os portos marítimos e em fronteiras de terra, com autoridade para vasculhar todos os pacotes e todos os viajantes que entrassem no reino" (M'Crie, p. 204).


A BÍBLIA FRANCESA FOI PERSEGUIDA

JACQUES LEFEVRE (1455-1536), um professor da Universidade de Paris, publicou um Novo Testamento em francês em 1523 e a Bíblia francesesa completa em 1528. Por seu trabalho de amor para com o povo francês, o idoso Lefevre foi odiado e perseguido pelas autoridades romanistas.

Uma das coisas que os amargurava foi o princípio de Lafevre de que todos os cristãos deveriam ler as Escrituras. Uma dessas autoridades com raiva, exclamou: "Será que ele não se atreve em recomendar a todos os fiéis ler as Escrituras? Será que ele não diz que quem não ama a Palavra de Cristo não é um cristão? E que a Palavra de Deus é suficiente para conduzir à vida eterna?" (D’Aubigne, III, p. 385).

A Sorbonne, a faculdade teológica da Universidade de Paris, condenou Lefevre como herege e ele foi forçado a fugir para Estrasburgo em 1525. Em 1531, Lefevre se refugiou no sul da França e lá permaneceu até sua morte... " (Durant, The Story of Civilization, VI, p. 502). 

A Sorbonne declarou guerra à impressão e aos impressores. Em 1534, vinte homens e uma mulher foram queimados vivos. Um deles era um impressor cujo único crime foi a impressão alguns dos escritos de Lutero, enquanto que outro foi um livreiro que tinha vendido os mesmos.

Um édito foi emitido em 1546 pelas autoridades católicas contra Lefevre e sua obra, em que a seguinte declaração é encontrada: "Não é nem conveniente nem útil para o público cristão que qualquer tradução da Bíblia deva ser autorizada a ser impressa, mas que elas sejam suprimidas como prejudiciais". Também foiordenado que qualquer pessoa que possuísse uma cópia deveria entregá-la no prazo de oito dias (John Beardslee, The Bible among the Nations, 1899, pp. 211, 12).

Muitos crentes franceses foram queimados por distribuir a Bíblia. O Martirológio integral de Foxe é um conjunto enorme de livros. Eu possuo um exemplar da oitava edição, que foi impressa em 1641. É um fólio de 3 volumes, 3227 páginas, três volumes juntos de quase um metro de largura, e cada página com 22,86cm x 34,29 cm. Cerca de 150 destas grandes páginas são dedicadas a uma enumeração de alguns dos mártires franceses.Seguem-se alguns exemplos:

Em 1525, um pregador do Evangelho chamado Schuch foi queimado na cidade de Nancy, na França. Quando ele foi preso e julgado, ele tinha sua Bíblia em mãos, e mantendo a mesma diante de seus acusadores, pregou a eles sobre as Escrituras e "humildemente confessou ainda forçosamente a Cristo crucificado". Suas palavras foram tão incisivas que seus algozes "tomados de raiva, lançaram-se sobre ele com gritos violentos,ARRANCANDO A BÍBLIA EM QUE ELE ESTAVA LENDO ESTE TEXTO AMEAÇADOR, e como cães raivosos, incapazes de morder sua doutrina, eles a queimaram em seu convento". O homem foi imediatamente condenado a ser queimado vivo, e a sentença foi rapidamente executada. "No dia 19 de agosto de 1525 toda a cidade de Nancy estava em movimento. Os sinos dobravam para a morte de um herege. O cortejo fúnebrepartiu. Quando o mártir chegou ao local da execução, SEUS LIVROS FORAM QUEIMADOS DIANTE DELE;ele foi então convidado a retratar-se, mas se recusou, dizendo: "És tu, ó Deus, que me chamaste, e tu me darás força até o fim". Tendo montado a pilha, ele continuou a recitar um Salmo, até a fumaça e as chamas sufocarema sua voz" (D’Aubigne, History of the Reformation, III, pp. 468, 69). 

Em 1546 Peter Chapot foi queimado até a morte por trazer Bíblias em francês para a  França e vendê-las. Por causa de seu corajoso testemunho no local da execução, um decreto determinou que "todos os que fossem queimados, que não se retratassem no fogo, deveriam ter suas línguas cortadas. Essa lei foi diligentemente observada" (Foxe, unabridged, 1641, II, p. 133).

Stephen Polliot também foi preso em 1546 com uma bolsa de Escrituras e livros evangélicos que estava distribuindo. Sua língua foi cortada e ele foi queimado, "com sua mochila de livros pendurada ao seu pescoço"(Foxe, unabridged, II, p. 134).  


Nicholas Nayle, um sapateiro, foi preso em Paris e queimado em 1553 por levar pacotes de livros para distribuir entre os crentes.
Em 1554, Dionísio Vayre, que tinha contrabandeado muitos livros para a França, foi preso na Normandia e condenado a ser "queimado vivo, onde três vezes se levantou, caindo novamente no fogo" (Foxe, unabridged, II, p. 145).

O livreiro valdense Bartolomeu Heitor foi preso em 1556. Quando o juiz da inquisição disse: "Você foi pego porvender livros que contêm heresia; o que tem a dizer sobre isso?" Heitor respondeu: "Se a Bíblia é uma heresiapara você, é a verdade para mim". Depois de definhar na prisão por vários meses, Heitor foi queimado na estaca.


A BÍBLIA HOLANDESA FOI PERSEGUIDA 

Em 1270 JACOB VAN MAERLANDT completou os quatro Evangelhos em holandês. "Este esforço despertoua ira do bispo da Igreja Católica de Utrecht, que pensou que era desrespeitoso para com as Escrituras, assim,trazê-las ao alcance das pessoas comuns, e Van Maerlandt quase perdeu a vida como recompensa por seu trabalho". (John Beardslee, The Bible among the Nations, p. 175). 

Em 1526 a primeira Bíblia completa em holandês foi publicada por JACOB VAN LIESVELDT na Antuérpia, e 20 anos depois Liesveldt foi decapitado também na Antuérpia "por seu trabalho de impressão" (Lupton, A History of the Geneva Bible, I, p. 35). 

A BÍBLIA ITALIANA FOI PERSEGUIDA 

ANTONIO BRUCIOLI publicou um Novo Testamento italiano em Veneza em 1530 e uma Bíblia inteira, dois anos depois. Brucioli também produziu um comentário sobre a Bíblia inteira, que foi publicado em setevolumes. "Suas traduções da Bíblia foram colocados na primeira classe de livros proibidos, e todas as suas obras, sobre quaisquer assuntos "publicados ou a serem publicados", juntamente com todos os livros que saíam da sua imprensa, mesmo após sua morte, eram estritamente proibidos. ... medidas violentas foram posteriormente empregadas para a sua supressão" (M'Crie, Reformation in Italy, 1856, pp. 56, 57).


FONTE: www.discernimentobiblico.net

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A DOUTRINA DA PREDESTINAÇÃO DECLARADA E ESTABELECIDA À LUZ DAS ESCRITURAS POR JOHN GILL EM 1752

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:John_Gill.jpg

EM OPOSIÇÃO A OBRA DE JOHN WESLEY “PREDESTINAÇÃO CALMAMENTE CONSIDERADA”, COM UMA RÉPLICA PARA AS OBJEÇÕES DO DITO ESCRITOR EM “A DOUTRINA DA PRESERVAÇÃO DOS SANTOS”
"O senhor Wesley declarou-se o autor de “Sérios Pensamentos sobre a Perseverança dos Santos”, o qual eu mais tarde retornei uma resposta; foi agradável vê-lo trocar a controvérsia da perseverança pela predestinação, vendo-o debater-se com alguns poucos, simples e impertinentes objeções de algumas coisas que escrevi sobre o assunto da perseverança e não tentando responder a qualquer argumento mais elaborado de minha parte na defesa deles; e, no entanto, ele tem a certeza em folhetos públicos, de chamar esta miserável obra de sua, principalmente o que foi escrito em outro assunto, “Uma Resposta Plena ao panfleto do Dr. Gill sobre a perseverança”; qualquer outro homem não, mas o senhor Wesley estaria, sob reflexão, coberto de vergonha e confusão; porém, no que compete a ele, em sua grande modéstia, acabou deixando de fora todo o conteúdo em alguns de seus escritos posteriores, como sendo consciente para consigo mesmo; que era uma imposição ao público e intencionava na verdade grandemente expor a si mesmo e sua causa; desde que ele me deixou em total possessão de todos os meus argumentos os quais eu não digo que são “irrespondíveis”, porém diante do acontecido eu penso que eles sejam, e vejo como se o senhor Wesley pense assim também, pois ele não tentou responder a qualquer uma delas; e até agora eu posso dizer, que ele não tentou responder a tudo e muito menos uma resposta plena deu a elas".
 
[A citação acima foi feita por John Gill no folheto “Final Perseverance” que foi escrito para refutar o primeiro esforço de John Wesley em “Serious Thoughts on Perseverance of the Saints”, que negava a eterna segurança do eleito].
 
E agora, eu posso estar muito bem justificado lidando com ele nesta desvairada perseguição contra a predestinação, uma vez que ele não interferiu em meu argumento sobre a perseverança dos santos; antes ele não abordou este assunto, como seu título promete; e desde que por tudo o que ele não argumentou, somente arengou sobre isto, e que somente uma parte, a reprovação, o qual pensou ele, serviria melhor ao seu propósito, porém, com o motivo de atingir frágeis e honestas mentes, a fim de que através de sua sutileza, fossem elas corrompidas da simplicidade que está em Cristo, é que eu me empenharei em declarar a doutrina da predestinação e estabelecê-la à luz verdadeira de acordo com as Escrituras, com as provas que estão nelas; e mencionar as principais objeções levantadas pelo senhor Wesley em sua arenga na parte em que diz respeito a reprovação; e então concluirei este tratado com uma réplica para as suas levianas objeções do que tenho escrito sobre o assunto da perseverança dos santos.
 
Sobre a doutrina da predestinação, pode ser considerada igualmente, em geral, relativa a TODAS AS COISAS que foram, são e que haverão de ser, ou feitas no mundo; todas as coisas acontecem sob a determinação e desígnio de Deus; “Ele fez”, como a assembleia de ministros diz em sua confissão, “de toda a eternidade, imutavelmente ordenou tudo quanto vem a suceder”; ou, como eles expressam em seu catecismo, “os decretos de Deus são sábios, livres e santos atos do conselho de Sua vontade”; como, de toda a eternidade, Ele tem, pela Sua própria glória, imutavelmente pré-ordenado tudo o que vem a acontecer ao longo dos tempos: e esta predestinação e pré-desígnio de todas as coisas, podem ser deduzidos do pré-conhecimento de Deus. “Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras.” (do grego aion, “desde a eternidade”) Atos 15:18. Elas são conhecidas por Ele como futuras, como haverão de ser, os quais vieram a ser assim pela Sua determinação em relação a elas. A razão porque Ele sabe como elas haverão de ser, é por causa que Ele determinou como elas deveriam de ser: da providência divina e Seu domínio sobre o mundo, que é “segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1:11).  Ele fez todas as coisas de acordo com o que ou como determinou em Sua mente. A predestinação neste sentido não é outra coisa senão a eterna providência, no qual a atual é a sua execução.
 
Negar isto é negar a providência de Deus e Seu domínio sobre o mundo, o que deístas e ateístas fazem; pensar e falar menos que isto é desprezar a Deus, como Ele não tendo toda a sabedoria e conhecimento e soberania sobre o mundo. Uma vez mais, a verdadeira maravilha, profecia ou predição das coisas que estão por vir, não poderia ser sem uma predestinação delas; dos quais há muitos exemplos nas Escrituras; como o tempo de permanência dos israelitas no Egito exatamente 430 anos como fora profetizado, e sua saída daquele lugar; os setenta anos de cativeiro deles em Babilônia como foi predito e seu retorno ao fim deste tempo; o exato tempo da vinda do Messias como foi profetizado; e muitos outros mais, e alguns em sua maior parte aparentemente casuais e inesperados; como o nascimento de pessoas pelo nome uma centena ou várias centenas de anos antes deles nascerem, como Josias e Ciro; e de um homem carregando um cântaro de água em tal tempo para tal lugar (1 Reis 13:2) como poderiam esssas coisas serem anunciadas com exatidão, senão por determinação e desígnio?
Nada vem a suceder da parte de Deus por casualidade, nada é feito sem Seu conhecimento, nem sem a Sua vontade e nada sem a Sua determinação. Todas as coisas, mesmo as mais diminutas em relação as Suas criaturas e o que é feito neste mundo em todos os períodos e eras é pelo Seu desígnio. Como prova vejamos as seguintes Escrituras:
Eclesiastes 3:1-2: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;”
Jó 14:5: “Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles”.
Daniel 4:35: “E todos os moradores da terra são reputados em nada, e segundo a sua vontade ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão, e lhe diga: Que fazes?”
Efésios 1:11: “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;”
Atos 17:26: “E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação;”
Mateus 10:29-30: “Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.”
 
Predestinação pode ser considerada como especial em relação a pessoas em particular e para coisas espirituais e eternas; ao passo que predestinação em geral diz respeito a todas as criaturas e coisas, mesmo sendo temporais e públicas.
Primeiro, o próprio Senhor Jesus Cristo é o objeto da predestinação; Ele foi preordenado para ser o mediador entre Deus e o homem; para ser propiciação pelo pecado; para ser o Redentor e Salvador de Seu povo; para ser o cabeça da Igreja, Rei dos santos e Juiz da Terra: por isso Ele foi chamado, eleito de Deus e Sua escolha foi única; e tudo o que aconteceu por Ele ou foi feito por Ele, foi pelo determinado conselho e preconhecimento de Deus; mesmo todas as coisas relativas aos Seus sofrimentos e morte: como prova disto, eis as seguintes Escrituras:
Romanos 3:25: “Ao qual Deus propôs (do grego preordenado) para propiciação;”
I Pe 1:20: “O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo,” que é o Cordeiro (veja também o capítulo 2:4).
Lucas 22:29 : “E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou”
Atos 17:31: “Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. (Veja também capítulo 10:42).
Isaías 42:1: “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma”; (veja também Mt 12:18).
Lucas 22:22: “E, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído!” (Veja também Salmos 109).
Atos 2:23: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;”
Atos 4:28: “Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.”
 
Segundo, anjos também são objetos da predestinação, tanto os bons quantos os maus; os santos anjos foram os escolhidos para a vida e para continuarem em seu estado de felicidade por toda a eternidade: e sua perseverança nisto e eterna felicidade são devido a eterna escolha deles em Cristo, seu cabeça; “Conjuro-te diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas,” (I Tm 5:21).  Os anjos maus são os rejeitados de Deus e deixados neste estado miserável que sua apostasia os trouxe, sem qualquer provisão de graça e misericórdia para com eles: eles estão entregues “às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo;” (ou então, de acordo com o determinado conselho e vontade de Deus) (II Pe 2:4, Mt 25:41).
 
Terceiro, predestinação que as Escrituras especialmente tratam, é o que diz respeito ao homem e consiste de duas partes, eleição e reprovação; uma é a predestinação para a vida, a outra para a morte.
 
Primeiro. Eleição é uma predestinção para a vida, é um ato da livre graça de Deus, de Sua soberana e imutável vontade, pelo qual desde toda a eternidade Ele escolheu em Cristo da multidão de todo o gênero humano, alguns homens, ou um certo número deles, para serem participantes das bençãos espirituais aqui e felicidade futura, para a glória de Sua graça.
 
Segundo. Os objetos da eleição são alguns homens, não todos que uma escolha supõe; tomar todos não seria uma escolha; chamou, portanto, um “remanescente, segundo a eleição da graça” (Rm 11:5). Estes são um certo número, que embora desconhecido para nós, em relação a quantidade e quem eles sejam, são conhecidos por Deus: “O Senhor conhece os que são seus” (II Tm 2:19). E ainda que eles sejam “uma multidão, a qual ninguém podia contar” (Ap 7:9), no entanto, quando comparados com os que não foram escolhidos, eles são poucos; “muitos são chamados, mas poucos escolhidos”. (Mt 20:16). Estes são os tirados fora da mesma multidão do gênero humano, não importanto o estado desta multidão, se considerada pura ou corrupta, todos estavam em um mesmo nível quando a escolha foi feita: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” (Rm 9:21). Estes não são todas as nações, igrejas e comunidades, mas indivíduos em particular, cujos nomes estão escritos no Livro da Vida do Cordeiro; “Amei a Jacó” & etc, “Saudai a Rufo, eleito no Senhor” (Rm 9:13 e Rm 16:13). Eleição não é um conjunto de proposições ou de características, mas de pessoas; ou um homem sob tais e tais características, como crença, santidade, etc, mas pessoas, como “nem tendo feito bem ou mal” (Romanos 9:11); antes eles não tinham feito nenhum nem outro.
 
1. Este ato de eleição é um ato da graça livre de Deus, pelo qual Ele não é movido por qualquer motivo ou condição no objeto escolhido, nem pela Sua presciência sobre eles: razão porque é chamada de “eleição da graça”; concernente com o que o Apóstolo raciocina de forma forte e invencível; “...se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra.” (Rm 11:6). Está de acordo com a soberana e imutável vontade de Deus e não de acordo com a vontade ou obras do homem; “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,” (Ef 1:5 e verso 11), “havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade”; consequentemente permanece imutavelmente firme e indubitável, mesmo “o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama”, (Rm 9:11).
 
2. Este ato de eleição independe de fé, santidade e boas obras, como as causas ou condições; a fé provém dela; é um fruto e efeito dela, é garantido por ela, e teve consequência dela: “e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (At 13:48), por esta razão é chamada de “a fé dos eleitos de Deus” (Tt 1:1) e embora santidade seja um meio provado no ato da eleição, não é causa dela; nós não somos escolhidos porque somos santos, mas “para que fôssemos santos” (Ef 1:4); boas obras não aparecem primeiro, mas vem após a eleição; isto é negado a eles, como antes observado, e isto foi aprovado antes de tudo ser feito (Rm 9:11 e 11:5,6) eles são os efeitos dos decretos de Deus e não a causa deles; “as quais Deus preparou para que andássemos nelas”. (Ef 2:10).
 
3. O ato da eleição foi feito EM Cristo, (não em Adão) como o cabeça, em quem todos os eleitos foram escolhidos e em cujas mãos por este ato de graça foram colocados como Seu povo, graça e glória e isto em eterno ato de Deus nEle; “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (Ef 1:4) e dessa maneira, o apóstolo diz aos tessalonicenses que “por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação” (II Ts 2:13) não da primeira pregação do evangelho a eles, ou do tempo de sua conversão por ele, mas do começo dos tempos, até mesmo de toda a eternidade. Consequentemente, nada que foi feito no tempo poderia ser a causa ou condição dela. Os homens são escolhidos neste ato pela graça e para glória futura; todas as bençãos espirituais, adoção, justificação, santificação, fé na verdade e salvação por Jesus Cristo. Salvação é o fim proposto em relação ao homem; santificação do Espírito e fé na verdade são os meios apontados e preparados para este fim. “... nos elegeu nele”, “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;” “E nos predestinou para filhos de adoção”, etc (Ef 1:4,5). “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade;” (II Ts 2:13). “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo” (I Pe 1:2). “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo”. (I Ts 5:9).
Ambos, modos e fins são sem dúvida para escolhas individuais – desde que este é um ato da imutável vontade de Deus; esses são os redimidos pelo sangue de Cristo. Ele morreu por seus pecados e ficou satisfeito por eles: eles são justificados pela Sua retidão e nenhuma acusação pode ser feita contra eles; eles são efetivamente chamados pela graça de Deus; eles são justificados pelo Seu Espírito; eles perseverarão até o fim e finalmente não poderão ser enganados nem perecer, mas serão eternamente glorificados. “Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem é que condena?” Este é o eleito (Rm 8:33).“Pois é Cristo quem morreu”(vers. 34). “E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.” (Rm 8:30). “Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.” (Mt 24:24); mas isto não é possível.
 
4. O resultado final de tudo isto em relação a Deus, é a Sua própria glória; a glória de toda a Sua divina perfeição; a glória de Sua sabedoria em formar tal plano, em fixar começo e fim e preparar os meios para isto; a glória de Sua justiça e santidade, na redenção e salvação dos que escolheu, através do sangue, retidão e sacrifício de Seu Filho; e a glória da riqueza de Sua graça e misericórdia exibida em Sua bondade para eles através de Seu Filho; e o conjunto total de tudo isto é “Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado,” (Ef 1:6).
 
Esta é agora a doutrina bíblica da predestinação, ou essa parte dela que é chamada de eleição; de onde aparece para ser ABSOLUTA E INCONDICIONAL, sem restrições de qualquer coisa no homem como a causa e condição dela no tempo ou eternidade. O senhor Wesley acredita que “eleição é como uma divina designação de alguns homens para a felicidade eterna”; assim ele reconhece uma eleição particular e pessoal e chama isto de eterno decreto; mas acredita que é algo condicional: mas se isto é condicional, a condição é para ser citada; ele deixou de citar a condição; ele deixou de citar este ponto para nós, e em qual passagem da Escritura ela está; isto faz dele um enganador, e eu insisto sobre isto, ou senão ele nos daria sua noção não bíblica de eleição condicional. Marcos 16:16 não é a manifestação deste decreto, mas uma declaração da revelada vontade de Deus: e não cita para nós qual será o estado eterno dos crentes e descrentes: mas crentes, como tais, que são crentes verdadeiros, são os eleitos de Deus; mas por conseguinte a razão porque eles são os eleitos de Deus não é causa ou condição de sua eleição, mas sua eleição é a causa de sua fé; eles foram escolhidos quando não tinham feito nem o bem nem o mal e assim antes de crerem: e eles creram em tempo, em consequência de serem ordenados para a vida eterna, desde a eternidade passada: fé no tempo propício, eleição antes do mundo existir; nenhuma circunstância temporal pode ser a causa ou condição do que é eterno. Isto é a doutrina das Escrituras. Se o senhor Wesley não observa isso, deixe-o ouvir os artigos de fé de sua própria igreja [A Igreja da Inglaterra, ou Igreja Episcopal]; o sétimo, do qual segue:
 
“Predestinação para a vida é o eterno propósito de Deus por meio do qual (antes da fundação do mundo) Ele desde sempre decretou pelo Seu conselho, secretos para nós, salvar da desgraça e danação os que Ele escolheu em Cristo dentre toda a espécie humana e os trouxe a Cristo para perpétua salvação como vasos de honra. Para que eles sejam investidos com tão excelente benefício de Deus, ser chamado de acordo com o propósito de Deus pelo Seu Espírito trabalhando no tempo devido: eles através da graça obedeceram ao chamado: eles são justificados livremente: eles são feitos filhos de Deus por adoção: eles são feitos a imagem de Seu único primogênito o Filho de Deus, Jesus Cristo: eles andam religiosamente em boas obras e na longanimidade e misericórdia de Deus, eles obtem eterna felicidade”. Este é um artigo em conformidade com as Escrituras; um artigo em que ele como um verdadeiro filho da igreja traiçoeiramente se afastou; um artigo no qual o senhor Wesley deve ter subscrito e concordado; um artigo que deve ser proeminente diante de seus olhos, contanto que subscrições e juramentos oficiais representem qualquer coisa para ele.
                                                  
A doutrina da eleição como acima declarada e estabelecida de forma tão clara à luz das Escrituras e mostrada com tal evidência que é impossível para toda sabedoria e sofisma humano pôr de lado; o outro ramo da predestinação necessariamente segue, o qual não negamos, mas mantemos. O senhor Wesley alega ter encontrado uma eleição em que não implique em uma reprovação; mas que eleição pode ser essa, que a inteligência humana não pode delinear; se alguns foram escolhidos, outros foram rejeitados; e a noção de eleição do senhor Wesley em si mesma implica nisto;
 
I. O outro ramo da predestinação é comumente chamado de reprovação; o qual é segundo um imutável decreto de Deus, de acordo com Sua soberana vontade, pelo qual Ele determinou tomar alguns homens de toda a raça humana, do qual ele escolheu outros para legitimamente puni-los em relação ao pecado com eterna danação, para a glória de Seu poder e justiça. Este decreto consiste de duas partes, uma negativa e uma positiva; a primeira é chamada por alguns de preterição ou abandono, uma desistência de alguns quando outros são escolhidos; o qual não é outra coisa senão uma não-eleição; esta é chamada de pré-danação, sendo o decreto de Deus para condenar ou rejeitar os homens pelo pecado. 
 
II. Primeiro, preterição é um ato de abandonar ou de deixar alguns homens quando Ele escolheu outros, de acordo com Sua soberana vontade e satisfação; do qual ato está em clara evidência na Sagrada Escritura; bem como necessariamente implica no ato eletivo de Deus o qual há incontestável prova. Estes são “o resto”, os que permaneceram como não-eleitos enquanto que outros o foram; “os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos”. (Rm 11:7), ou pessoas eleitas que obtem justiça, vida e salvação em consequência de serem escolhidas e o resto delas foram deixadas e permanecerão em seu estado de ignorância e trevas e por seus pecados entregam-se a cegueira e dureza de coração. Esses são os que foram deixados de fora do livro da vida enquanto que outros tem seus nomes escritos desde a fundação do mundo; do qual se diz: “esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. (Ap 13:8 e capítulo 17:8)
 
Segundo, pré-danação é o decreto de Deus para condenar o homem por causa do pecado, ou puni-lo com eterna danação por causa dele; e este é o sentido das Escrituras; e esta é a visão que elas nos dão desta doutrina. “O SENHOR fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal”. (Pv 16:4). Não que Deus tenha feito o homem para condená-lo; as Escrituras não dizem tal coisa, nem nós; nem é este o sentido da doutrina que defendemos; nem inferimos tal coisa disto. Deus não fez o homem nem para condenená-lo nem para salvá-lo, mas para Sua própria glória, que é Seu objetivo final em nos criar, o qual é respondido se ele é salvo ou perdido: mas o significado é, que Deus designou o homem mau para o dia ruim e destruição por sua perversidade. “... homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo.”(Jd 4). Por esta razão os objetos deste decreto são chamados “vasos da ira” (Rm 9:22), que é pelo pecado. E agora o que há de chocante nesta doutrina ou desagradével às perfeições de Deus? Deus não condena nenhum homem, mas por causa do pecado, e Ele decretou condenar nenhum, mas por causa do pecado [assim ele o fez].
 
Terceiro, este decreto, dizemos, está de acordo com a soberana vontade de Deus, nada pode ser a causa de Seu decreto senão Sua própria vontade: deixe o objeto desta parte do decreto que é chamada preterição, que considerou nem corrupto ou puro todo o gênero humano, como criaturas caídas ou não, eles são considerados na mesma visão e em igual nível com os escolhidos; e portanto, nenhuma outra razão pode ser dada, mas a vontade de Deus, que Ele deveria tomar alguns e deixar outros. E embora neste ramo que é um desígnio do homem para a condenação, o pecado é a causa deste decreto, a condenação; no entanto, isto é a vontade de Deus que a causa do decreto em si mesmo, por esta invencível razão ou de outro modo Ele deveria ter designado todos os homens para a condenção, desde que todos os homens são pecadores; deixe qualquer outra razão ser designada se isto puder ser, porque Ele decidiu condenar alguns homens pelos seus pecados e não outros,
 
Quarto, o propósito de Deus nisto tudo é glorificar a Si mesmo, Seu poder e Sua justiça; Seus desígnios são “por Si mesmo”, para Sua própria glória e isto entre o resto, “Deus, querendo mostrar a sua ira”, Sua justiça vingativa, “e dar a conhecer o seu poder,” na punição dos pecadores pelo pecado, “suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;” (Rm 9:22).
 
A doutrina da reprovação, considerada nesta luz, nada tem em contrário a natureza e perfeições de Deus. Expressões ásperas e frases descuidadas que alguns podem ter usado ao falar ou escrever sobre esta doutrina eu não defenderei: mas como está neste caso declarada, eu penso que seja algo defensável, igualmente como a doutrina da eleição e é demonstrável por ela.
As Escrituras são de fato mais esparsas em uma do que em outra e tem nos permitido concluir uma de outra, em grande medida, ainda que não nos dê clara e plena evidência: ainda que a reprovação não seja tão abundantemente falada, contudo é claramente citada nos escritos sagrados; o porquê, sobre esta consideração julgamos ser mais apropriado e prudente, não é demais insistir neste assunto em nossos discursos e escritos; não de qualquer percepção de necessidade de evidência, mas por causa da importância do assunto.
Nossos oponentes são conscios disto; e por esta razão neste assunto nos pressionam, no intuito de trazer a doutrina da eleição ao deprezo e ao débil entendimento do homem carnal; e fazem seu primeiro ataque sobre este ramo da predestinação, o qual começam errando, desde a reprovação que não é outra coisa senão a não-eleição, ou que é oposta a eleição; deixe a doutrina da eleição ser demolida e a outra cairá, naturalmente; mas de modo a custar esforço excessivo; e eles encontraram uma melhor razão em mentes fracas em tomar o outro método; um método o qual os Remonstrants [seguidores de Armínio] formalmente eram desejosos, que no sínodo de Dort, puderam ser reconhecidos, um método pelo qual o doutor Whitby tomou em seu discurso dos Cincos Pontos do Calvinismo; e este é o método que o senhor Wesley tem pensado ser conveniente em tomar, e, de fato ele limita a si mesmo totalmente neste assunto: ainda quando ele chama seu panfleto, “Predestinação Calmamente Considerada”; porém considera somente uma parte dela, a reprovação, e isto não é um modo de argumentar, mas de arengar, não tomando conhecimento de nossos argumentos da Escritura ou explicação, somente fazendo algumas observações irônicas; desta maneira como estando a face a face com uma objeção, eu junto meus argumentos, bem como eu posso, deste inculto e imetódico desempenho dele e faço minha resposta.
 
E,
Primeiro, o senhor Wesley deseja poder ser considerado imparcial. Como é possível reconciliar reprovação com as seguintes Escrituras: Gênesis 3:17 e capítulo 4:7; Deuteronômio 7:9, 12 e capítulo 12: 26-28, e capítulo 30: 15, II Crônicas 15: 1, Ezra 9:12,14, Jó 36: 5, Salmos 145:9, Provérbios 1:23; Isaías 65:2, Ezequiel 18:26, Mateus 7:26 e capítulo 11:20, e capítulo 12:41, e capítulo 13: 11, 12, e capítulo 22:8, e capítulo 25. João 3:18 e capítulo 5:44, Atos 8:20, Romanos 1:20, II Tessalonicensses 2:10?
Nisso tudo não há uma única palavra que milite contra a doutrina da reprovação; nem em qualquer coisa tida como digna de consideração. Sabemos muito bem, nem é contrário a esta doutrina, que a maldição vem sobre todo homem pelo pecado; e que é isto que o torna inaceitável para Deus, e é a razão porque eles finalmente serão julgados por Ele, ou aceitos. Há um arrependimento que pode ser encontrado nos não eleitos; instâncias do tipo que não enfraquecem a doutrina. Mateus 8:11-12 prova isto. A palavra “ninguém” não está no texto original em Jó 36:5. Certamente há alguns que Deus despreza (Sl 53:5 e 63:20). É lamentável, mas ele trascreveu duas ou três centenas mais de passagens quando sua mão o fazia; mesmo todos os livros de Crônicas e todo o livro de Ester, que eram muito para seu propósito como esses que ele tem produzido.
Segundo, o senhor Wesley propõe as seguintes Escrituras que declaram que Deus tem a disposição de salvar a todos oss homens, para reconciliá-las com a doutrina da reprovação: (Mt 21:9, Mc 16:15; Jo 5:34; At 17:24, Rm 5:18 e capítulo 10: 12, I Tm 2:3,4, Tiago 1:5, II Pe 3:9, e I Jo 4:14.). Algumas não dizem respeito a eterna salvação, mas a salvação temporal dos judeus; e outras nada tem a ver com a salvação em qualquer sentido; algumas falam somente da vontade de Deus de salvar o Seu eleito, para quem Ele é longânimo; e outros de Sua vontade, que gentios bem como judeus devem ser salvos; e que é Seu prazer que todos os tipos de pessoas devem ser salvas por Cristo; nenhuma do qual milita contra a doutrina da reprovação.
 
Terceiro, ele pensa que esta doutrina é irreconciliável com as seguintes Escrituras que declaram que Deus veio salvar todos os homens; que Ele morreu por todos; que Ele perdoou a todos, até mesmo aqueles que no fim perecem! (Mt 17:11, Jo 1:29, e capítulo 3:17, e capítulo 12:47, Rm 14:15, I Co 8:11, II Co 5:14, I Tm 2:6, Hb 2:9, II Pe 2:1, e I Jo 2:1,2). Mas estas Escrituras não dizem que Cristo veio salvar a todos os que estão perdidos; ou que Ele veio para salvar todos os homens, ou que morreu por todos os homens, por todos os indivíduos da natureza humana; não há um texto em toda a Escritura que diga isto: que todos são aceitáveis, a que mais parece se aproximar disto é Hebreus 2:9: “provasse a morte por todos”, mas a palavra por “por todos” não está no texto original, isto é somente (do grego para) para cada um dos filhos de Deus, dos filhos, dos irmãos de Cristo e semente de Abraão em um sentido espiritual, como o contexto determina.
Como as passagens citadas acima, elas consideram cada um dos eleitos de Deus; ou os gentios, como distintos dos judeus; ou todos os tipos de homens [“todos” é um pronome indefinido]; mas não todos os indivíduos do gênero humano: e os que são representados como tais que deverão perecer, ou em perigo e perecer, são ou os que somente professam ser comprados por Cristo; ou cristãos verdadeiros cuja paz e conforto estão em perigo de ser destruídos, mas não seu povo e nenhum das passagens militam contra a doutrina da reprovação.
 
Quarto, esta doutrina é representada como contrária e irreconciliável com a justiça de Deus e com as Escrituras que a declaram, particularmente Ezequiel 18. Este capítulo de Ezequiel é relativo ao povo de Israel somente, não a todo o gênero humano; e considera somente a conduta providencial de Deus com eles, com respeito a coisas civis e temporais, uma defesa deles da desigualdade e injustiça; e não de coisas espirituais e eternas: ou a salvação e danação do homem; e portanto é esta uma coisa grosseiramente feita pelo senhor Wesley. Se qualquer um seriamente e imparcialmente considerar a doutrina acima declarada, não verá razão para considerar Deus injusto ou achar dificuldade em reconciliar isto com a Sua justiça.  
 
O primeiro ramo deste decreto, chamado preterição, deixa os objetos serem criaturas caídas ou não, isto não é imputado a eles; os deixa como estão, por esta razão não há injustiça: no outro ramo do decreto, desígnio para condenação, é somente pelo pecado; “há injustiça da parte de Deus” nessa causa? Certamentte não; se isto não é injustiça da parte dEle para condenar o homem pelo pecado certamente não pode haver injustiça nEle em decretá-lo para condenação pelo pecado: e se isto não foi injustiça da parte dEle em condenar todos os homens pelo pecado e de ter determinado fazer isto, como Ele indubitavelmente pode; isto não é um modo contrário a Sua justiça condenar alguns homens, e determinar assim fazer;  razão do que tudo o que é dito sobre este assunto é totalmente desprezível, mera tolice e para nada serve.
Deixe o argumento acima ser refutado se puder ser.
 
Quinto, esta doutrina da reprovação é representada como contrária ao julgamento geral; e que sobre este esquema não pode haver julgamento no porvir, nem qualquer estado futuro de recompensa e punição: mas porque assim? Como isto surgiu? Porque de acordo com nossa visão, “já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios” (Jd 4) mas então foi pelo pecado e se foi pelo pecado, como isto evita um julgamento futuro? Antes o mesmo se faz necessário; e certamente é, que um julgamento futuro é adequado a isto e totalmente inegável; Deus decretou condenar o homem pelo pecado; e através do julgamento do trono de Deus e são justamente condenados.
O julgamento de Deus toma lugar e a justa retribuição da punição conforme o Seu justo propósito e de acordo com as regras de justiça.
 
Mas o senhor Wesley tem a certeza em afirmar que nós dissemos que “Deus logrou ao homem lidar com a perversidade, mesmo desde o ventre de sua mãe; e deu a ele uma mente reprovável, ou mesmo duvidar do sentimento de suas mães”. Isto é inteiramente falso. Não dissemos tal coisa. Dissemos o que está nas Escrituras, que o homem “entregou-se a sim mesmo para a perversidade” como vemos no desenvolvimento de sua pessoa; e que Deus dá ao homem uma mente reprovável após uma longa trilha e curso de pecados; e isto deve ser uma justa coisa com que Deus traz tais pessoas ao julgamento e os condena por sua perversidade.
 
Mas então é dito que eles são condenados “por não terem esta graça, com que Deus decretou que eles nunca haveriam de ter”. Isto é novamente falso; não dissemos tal coisa, nem a doutrina fez com que nos sentíssemos obrigados a isto; dissemos de fato que a graça de Deus pertence a Ele somente; e se este é o sentido do texto em Mateus ou não, o assunto não é, isto é uma verdade que “Ele pode fazer o que desejar com Sua própria vontade”, graça: nós temos o que Ele determinou dar a alguns e não a outros, como verificamos que de fato Ele fez. Isto é auto-evidência de tudo a nossa volta. Mas então ele diz que Deus não condena o homem por querer esta graça. Ele não pensa corretamente ao dar a eles; ou por sua não crença que Cristo morreu por eles; mas por seus pecados e transgressões. Sua justa lei.   
 
E não é suficiente expor o justo julgamento e o proceder sobre isto? Ademais, os soberanos decretos de Deus em relação ao estado final do homem, estão até aqui executando o julgamento futuro que procederá de acordo com eles, junto a outras coisas: para com outros livros que serão então abertos, o Livro da Vida será um, no qual os nomes de alguns homens estarão escritos e outros não; “e a morte” será julgada fora dessas coisas os quais estão escritas nos livros de acordo com suas obras. - E quem quer que não tiver seu nome escrito no livro da vida, “foi lançado no lago de fogo”. (Ap 20:12,15). “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade”. (Mt 7;23. )
 
Sexto, da doutrina é dito concordar de forma ruim com a verdade e sinceridade de Deus, em milhares de declarações, como essas: Ezequiel 18:23, e capítulo 32:32, Deuteronômio 5: 29, Salmos 81: 12, Atos 17: 30, Marcos 16: 15.
Para o qual eu respondo que algumas dessas passagens são referentes aos judeus somente e não a toda a humanidade; e são somente indagados compassivamente e veementemente após seu civil e temporal bem-estar: e a maior parte mostra o que é agradável a Deus e aprovado por Ele e o que Era necessário neles; com os quais eles são admoestados, entretanto sua vã jactância leva ao contrário. Outras somente mostram qual é a vontade de Deus em ordenar ou o que Ele tem feito em relação ao homem; não que seja Seu propósito deva fazer, ou que Deus conceda a ele; e nenhuma delas sugere qualquer insinceridade da parte de Deus, supondo a doutrina da reprovação.
 
É ordenado de fato pregar o evangelho “a toda criatura” a quem é enviado e a quem vem; porém, nunca foi trazido a todos os indivíduos da humanidade; houve multidões em todas as épocas que não o ouviram. E esta oferta universal de graça e salvação feita a todos os homens eu nego totalmente; não, eu nego que são feitas a qualquer; não, não para quem é eleito de Deus; graça e salvação são providos para eles no pacto eterno, alcançado por eles em Cristo, publicado e revelado no evangelho e aplicado pelo Espírito; muito menos eles são feitos para outros; razão porque esta doutrina não é acusada de falta de sinceridade neste assunto. Deixe os patrocinadores da oferta universal defenderem a si mesmos desta objeção; eu não tenho nada para fazer com isto; até que isto seja provado, que há uma oferta universal na Bíblia, então o raciocínio do doutor Watt’s neste ponto irá requerer atenção, mas até agora não terá. 
 
Sétimo, o senhor Wesley disse que as doutrinas da eleição e reprovação são as que menos concordam com a importância do amor e bondade de Deus. A doutrina da eleição certamente nunca pode discordar do amor e bondade de Deus; desde a escolha do homem a salvação é o fruto e o efeito de Seu eterno amor e graça; a razão porque qualquer um pode ser escolhido é porque eles são amados de Deus; eleição pré-supõe amor: e é o que o Apóstolo demonstra claramente para nós, quando diz: “Mas devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito, e fé da verdade” (II Ts 2:13).
E a bondade de Deus aparece grandemente em consequência deste decreto na redenção dos que Ele escolheu em Cristo, na regeneração e santificação deles no Espírito, e em trazê-los por fim a eterna glória e felicidade de acordo com Seu desígnio original. Mas pode ser que esta doutrina da reprovação somente, embora ambas são juntadas pelo senhor Wesley, que assim impropriamente concorda com o amor e bondade de Deus. Isto não é consistente com Sua providencial bondade; no qual o sentido de “O SENHOR é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras.” e não obstante este decreto, todo homem tem uma porção desta bondade de Deus; e entretanto, eles abusam desta bondade, o que será um agravante para sua condenação; este é o seu próprio pecado e falha, e não é contra o decreto de Deus, como este escrito falsamente diz; que Deus, conforme a nós, concede ao homem ser bem sucedido com o propósito de aumentar sua danação; e todo seu conforto é por um eterno decreto de Deus, para provocar neles milhares de tormentos no inferno; ao passo que o abuso das misericórdias dadas, que irão aumentar sua danação, não seguem do decreto, mas de sua própria perversidade. A misericórdia especial e bondade de Deus aos tais é de fato negada, os quais é em Sua soberana vontade dada a quem Ele quiser; “compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer”. Ele é “misericordioso e piedoso” (Rm 9:18 e Ex 34:6-7), o ato de eleição é um ato do amor de Deus e flui Dele; a reprovação de fato vem de Sua aversão, o qual é um desígnio da ira; mas então é de Sua aversão ao pecado, o que não é contrário ao Seu ser como Deus de amor e bondade: além disso, há muito maior mostra do amor, graça, misericórdia e bondade de Deus em escolher alguns homens para a salvação e infalivelmente os manter assim e os trazer seguramente a bem-aventurança, do que no sistema contrário: de acordo com o qual nenhum homem é absoutamente escolhido para a salvação; salvação não é assegurada por qualquer pessoa em particular; é deixada para a instável e falível vontade humana: e isto é possível, que de acordo com este esquema, que nenhum homem pode estar seguramente salvo; não, é impossível que qualquer homem deva ser salvo pelo poder de sua própria vontade. Deixe ser julgado então, que este esquema é mais misericordioso e complacente para o homem, contendo todo o amor, bondade e honra de Deus. Sobre tudo, a doutrina da reprovação ainda que definida assim em uma tão fraca luz e representada em tal maneira odiosa, é uma doutrina defensável quando declarada e esclarecida; não temos temor em reconhecê-la e defendê-la.
 
Esta má indole não nos assusta; assim, o senhor Wesley chama, como ele pensa, belamente, mas deve ser de blasfêmia, um ato da vontade divina; nem é isto uma “pedra de moinho amarrada ao pescoço”, ou “hipóteses”, como ele sem dúvida muito elegantemente a expressa; mas deixe-me dizer a ele, esta vontade é Sua misericórdia característica, se isto não é uma pedra de moinho sobre seu próprio pescoço. Longe daqui ele vagueará para o livre-arbítrio e graça resistível: as vezes ele é livre-arbítrio, as vezes ele é livre graça; as vezes resistível e as vezes irresistível graça. Quando ele puder concordar consigo mesmo, ele irá aparecer em uma melhor luz e poderá ser mais digno de atenção. O que ele disse do livre-arbítrio de um lado e reprovação de outro como concordando ou discordando das perfeições de Deus, pode ser reduzido para uma ou outra das objeções acima, onde elas tem sua resposta.  
 
Eu raramente gasto meu tempo a observar o que ele diz do pacto da graça; o que ele próprio admite não ter conhecimento; e eu acredito nele, “Deus, o pai, fez um pacto com Seu Filho antes do começo do mundo, em que o Filho concordou sofrer tais e tais coisas; e o Pai deu a Ele tais e tais almas por uma recompensa, em conseqüência desses que devem ser salvos”. E então o senhor Wesley pergunta onde está escrito? E em que parte da Escritura este pacto pode ser encontrado?
Agora, não para informar ou instruir o senhor Wesley, mas com a finalidade que desta maneira quem estiver disposto a ser informado e instruído, leia Salmos 40:6-8; Isaías 49:1-6 e capítulo 53:10-12; Salmos 89:3,4,28,36; no qual irá aparecer plenos traços e pegadas de um pacto, ou conformidade, de uma estipulação e reestipulação, entre o Pai e o Filho; no qual o Pai propõe uma obra para Seu Filho e o chama para isto, mesmo a total redenção de Seu povo, no qual o Filho concorda, e diz: “farei Tua vontade, meu Deus!” e por uma recompensa de Seu ser em oferta pelo pecado e emanando Sua alma na morte; é prometido que Ele “verá a sua posteridade, prolongará os seus dias” e teria uma porção dividida com Ele com o grande e um espólio com o forte. Este foi em tal grau um pacto subsistindo antes do mundo ser feito por Cristo e posto em Suas mãos e todas as bênçãos espirituais providas e toda a graça dada a Seu povo nEle, antes da fundação do mundo; e não há um pacto nisto? Veja Provérbios 8:23, Tito 1:2, II Timóteo 1:9 e Efésios 1:3. 
 
O pacto da circuncisão feito com Abraão e com os israelitas no monte Sinai não são exemplos do pacto da graça; mas são pactos que se envelheceram e desapareceram para sempre e não dizem respeito a nós hoje que não estamos sob a lei mas sob a graça; mas todavia esses pactos foram condicionais para os judeus que estavam sob eles; o pacto da graça é absoluto e incondicional para nós, que temos cumprido todas as condições dele.

FONTE: www.discernimentobiblico.net 
Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
Origem: Providence Baptist Ministries

A ÚLTIMA MENSAGEM DE JOHN BUNYAN (Pregado em 19 de agosto de 1688)

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Bunyan

“Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. (João 1:13)
 
Estas palavras dependem das que vem antes, por isto o Salvador as conduz de modo que se as entendam bem. Deste modo temos: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
 
Então alguns dos seus não o receberam quando Ele veio.
 
Segundo, outros dos seus O receberam e lhe deram as boas-vindas. Os que não O receberam também não receberam a estes; mas os que O recebem, Ele lhes dá poder para serem filhos de Deus. Agora, para que não se pense que isso seja por sorte ou méritos, Ele disse: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Os que não o receberam nasceram somente da carne e do sangue; mas os que O receberam, tem a Deus por Pai, eles recebem a doutrina de Cristo com um forte desejo.
 
Primeiro, Ele ensinou o que significa “sangue”. Os que crêem nascem como um herdeiro para uma herança; são nascidos de Deus; não são da carne; nem da vontade do homem, mas da vontade de Deus; não do sangue – isto é, não por sucessão; não nascido no Reino de Deus pela carne; não porque sou filho de um homem piedoso ou de uma mulher piedosa. Do sangue significa, (Atos 17:26) “E de um só sangue fez toda a geração dos homens”, mas quando aqui diz que “não nasceram do sangue”, ele rechaça todos os privilégios carnais dos quais eles se orgulhavam. Eles, os judeus, se orgulhavam de serem descendência de Abraão. Não, Ele disse, não é pelo sangue; não pense que por ter a Abraão por pai que haverá de nascer de Deus e assim ir ao Reino dos céus.    
 
Segundo, “nem da vontade da carne”. O que entendemos disto? Se tomarmos das inclinações veementes que estão no homem, teremos então a lascívia cumprindo os desejos da carne. Não se deve entender aqui que os homens nascem filhos de Deus por cumprir seus desejos luxuriosos; há de se entender aqui um sentido melhor. Não há somente nos homens carnais uma vontade para o vil, mas há neles, vez por outra, uma vontade de serem salvos também – uma vontade de ir para o céu também. Mas isto não lhe fará, não lhe dará o privilégio das coisas relativas ao Reino de Deus. Desejos naturais para as coisas eternas, não são um argumento que comprove que um homem irá para o céu quando morrer. Eu não sou dos que creem no livre arbítrio, eu o detesto; pois um homem por mais vil que seja desejará alguma vez em sua vida ser salvo somente quando sua vontade for mudada. Ele irá ler alguma coisa ou talvez orará, mas por si só não será suficiente – “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Rm 9:16). Há um querer e um correr, sem embargo é sem propósito. “Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não chegou à lei da justiça” (Rm 9:31). Aqui temos a compreensão de como o apóstolo negara que uma maneira virtuosa de viver fosse o caminho para o céu, sina de um homem sem a graça, ainda que tenha dons naturais, não obterá o privilégio de ir para o céu e ser filho de Deus. Ainda que um homem sem a graça tenha a vontade de ser salvo não pode ter esta vontade segundo Deus. A natureza reconhece somente as coisas da natureza; nenhum homem conhece as coisas de Deus se não for através do Espírito de Deus. Se o Espírito de Deus não mora em você, você ficará do lado de fora das portas do céu - “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. Se fora por nossa vontade, eu desejaria que todos fossem para o céu. Quantos há no mundo que oram por seus filhos e choram por eles, e estão prontos a morrer por eles e isto não os salvará? A vontade de Deus é a regra para tudo; é unicamente por meio de Jesus Cristo, “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
 
Agora chegamos na parte da doutrina.
 
Os homens que efetivamente recebem a Cristo, são por isto nascidos de novo. Ele não disse que nasceram por causa disto, disse que nasceram por isto; nascido de Deus, para Deus, e das coisas de Deus, antes receberam a Deus para eterna salvação, “aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”. Agora se não nasceu de Deus, não o pode ver. Suponha que o Reino de Deus seja isto, não o pode ver antes de ser feito filho de Deus, suponha que seja o Evangelho, não o pode ver antes que seja trazido a um estado de regeneração; crer é a consequência do novo nascimento, “não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
 
Darei primeiro, uma descrição clara por meio de uma ou duas ilustrações. Um bebê antes de vir ao mundo está em uma prisão escura dentro do ventre de sua mãe; assim é o filho de Deus, antes de nascer de novo está na prisão do pecado, não vê nada do Reino de Deus, por isso se chama novo nascimento. A mesma alma tem uma forma ao amar sua condição carnal, e outra forma quando nasce de novo.
 
Segundo, assim é a comparação com um nascimento, tendo a semelhança de bebê no ventre de sua mãe, se compara a um homem que se levanta do sepulcro; e ser nascido de novo é ser levantado do sepulcro do pecado – “Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá”. Ser levantado do sepulcro do pecado é ser gerado e nascido.
 
Há um famoso texto sobre Cristo – “o primogênito dentre os mortos” (Ap 1:5) , o primeiro a nascer dentre os mortos, o qual se refere a nossa regeneração – isto é, se nasceu de novo por buscar as coisas de cima, então há uma semelhança entre a ressurreição de Cristo e o novo nascimento; os quais nasceram, foram restaurados do mundo da escuridão, e trazidos do reino deste mundo obscuro ao Reino de Seu Filho amado, e nos fez viver uma nova vida; isto é ser nascido de novo; e o que é nascido do ventre de sua mãe é por meio da ajuda dela; todo o que é nascido de novo o é pelo Espírito de Deus.
 
Necessito dar algumas consequências de um novo nascimento.
Primeiro de tudo, se sabe, que um bebê chorará tão logo chegue ao mundo. Porque se não há choro, entende-se que ele está morto. Os que são nascidos de Deus, cristãos, se não choram, não tem vida espiritual. Se forem nascidos de Deus, choram; tão logo que são levantados da prisão obscura do pecado, não há nada mais a fazer senão chorar a Deus, “que preciso fazer para ser salvo?” Tão logo que Deus tocou no carcereiro, ele clama: “que é necessário que eu faça para me salvar?” Quantos cristãos professos há por aí que nunca clamam? Os negócios não deixam orar, as diversões não deixam orar, mas se nascesse de novo clamariam.
 
Segundo, não somente é natural que um bebê chore, mas deve também desejar o leite, não pode viver sem ele; então Pedro tem um comprovante verdadeiro de um recém-nascido; ele deseja o leite não adulterado da Palavra de Deus para que cresça. Se for nascido de Deus há de manifestar o desejo pelo leite espiritual de Deus. Deseja o leite das promessas? Um homem vive de uma forma quando está no mundo e de outra quando é trazido a Jesus Cristo (Is 66:11) “Para que mameis, e vos farteis dos peitos das suas consolações”.
 
Se for nascido de novo, não há nada que o satisfaça até que o leite da Palavra de Deus chegue a sua alma. (Is 66:11) “Para que mameis, e vos farteis dos peitos das suas consolações”. Que é uma promessa para um homem carnal? Uma casa de prostitutas é mais doce para ele; mas se é nascido de Deus não pode viver sem  o leite da Palavra de Deus. Que é o leite materno para um cavalo? Mas que é para uma mulher? Dá consolo noite e dia, dá socorro noite e dia. E que coisa lamentável é os que resistem a isso. Fazer caso das coisas celestiais, diz o homem carnal, é vaidade; mas para um filho de Deus, este é o seu consolo.
 
Terceiro, um recém-nascido não tem outras formas de mantê-lo aquecido além das que tinha dentro do ventre de sua mãe, senão morreria. Há de ter algo para mantê-lo vivo; Cristo tem consolo preparado por Ele; assim os que são nascidos de novo hão de ter alguma promessa dEle para manter-se vivos.
Os que estão em um estado carnal, se consolam, se aquecem com outras coisas; mas os que são nascidos de novo não podem viver sem alguma promessa de Cristo para manter-se vivos.
 
E quando as mulheres estão esperando seus bebês, que coisas tão finas elas preparam! E coisas tão finas Cristo tem preparado para envolver todos os que são nascidos de novo! Para que todos os que são nascidos de novo sejam envolvidos de ouro! As mulheres vestem seus filhos para que todos vejam o quão bonitos estão, assim é em Ezequiel 16:11,  “E te enfeitei com adornos, e te pus braceletes nas mãos e um colar ao redor do teu pescoço.E te pus um pendente na testa, e brincos nas orelhas, e uma coroa de glória na cabeça”. E Ele disse no versículo 13, “e foste próspera, até chegares a realeza”. Isto não é um modo de fixar nenhuma meta sem a justiça de Cristo.
 
Quarto, um filho quando está sob os cuidados de sua mãe ela terá prazer em ter o que será para consolo do seu filho; assim é com os filhos de Deus, são mantidos sob seus cuidados; “Para que mameis, e vos farteis dos peitos das suas consolações”. versículo 13: “Como alguém a quem consola sua mãe, assim eu vos consolarei”; Há uma ilustração sobre estas coisas que somente os que são nascidos de novo reconhecem.
 
Quinto, normalmente há algo de semelhante entre um pai e seu filho; talvez o menino se pareça com seu pai, assim os que são nascidos de novo tem alguma semelhança, tem a imagem de Cristo (Gl 4) cada um que nasce de Deus tem algo das feições do céu sobre ele. Normalmente homens amam seus filhos que se parecem mais com eles; assim é Deus com seus filhos; por isso se chamam filhos de Deus. Mas outros não se parecem com Ele por isso se chamam filhos do diabo. Cristo descreve os filhos do diabo por suas feições; os filhos do diabo tem suas obras; todas as obras de injustiça são obras do diabo. Se você é terreno leva a imagem do que é terreno; se é celestial leva a imagem do que é celestial.
 
Sexto, quando um homem tem um filho o educa segundo seus padrões, o ensino dos costumes da casa de seu pai; assim é com os que são nascidos de Deus; tem aprendido os costumes da verdadeira Igreja de Deus, ali tem aprendido a clamar, (meu Pai e meu Deus!); eles se criam assim na casa de Deus; aprendem o método e a forma na casa de Deus para ajustar sua vida neste mundo.
 
Sétimo, filhos, é natural para eles depender de seus pais para tudo o que desejarem. Se eles querem um par de sapatos, vão até ele e dizem; se querem pão, vão até ele e dizem; assim devem fazer os filhos de Deus. Quer o poder da graça? Peça a Deus. Quer poder para resistir as tentações do diabo? Peça a Deus. Quando o diabo o tentar, diga isso ao Pai celestial, derrame suas queixas diante de Deus. Isto é natural para os filhos de Deus; se alguém lhe faz mal, eles vão e dizem isso ao seu pai; assim é com os que são nascidos de Deus, quando enfrentam tentações vão e dizem a Deus.
 
A primeira aplicação disto tudo é que se examine para ver se é nascido de Deus ou não. Examine-se segundo o que é estabelecido para um filho natural e um filho da graça. Foi trazido da prisão obscura deste mundo a Cristo? Tem aprendido a clamar, “meu Pai”? (Jr 3:19), “Tu me chamarás meu pai”. Todos os filhos de Deus clamam. Você pode sossegar sem estar plenamente satisfeito com o leite da Palavra de Deus? Rogo que considere e que seja sincero consigo mesmo. Se não tem estas marcas, não é do Reino de Deus, nunca terá parte ali, ali não poderá entrar às escondidas. Eles dirão: “Senhor, Senhor, abre-nos. E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço”. Não será filho de Deus, e não terá nenhuma herança celestial.
 
Às vezes damos de presente algo aos que não são nossos filhos, mas não nossos filhos terrenos. Não se dá uma porção entre os filhos se não vivem como filhos. Quando vemos a um filho do rei zombar de um mendigo pensamos que isto não é correto; assim se você é filho do Rei, viva como um filho do Rei. Se foi ressuscitado com Cristo busque as coisas de cima e não as de baixo. Quando se reúnem falam do que foi prometido pelo Pai; devem amar a vontade de seu Pai e estar felizes e contentes com as coisas que enfrentam neste mundo. Se forem filhos de Deus, vivem juntos em amor. Se o mundo os combate, não se importem, mas é uma triste coisa combater com as armas carnais. Se há isto entre vocês, é uma marca de criança má, não está de acordo com as regras que tem aprendido na Palavra de Deus.
 
Vê a alma que tem a imagem de Deus?  Amado, por Ele – Cristo – é que haveremos de ir ao céu um dia.
Sirvam uns aos outros; façam o bem uns aos outros; e se alguém fez mal a você, ore para que Deus faça justiça e ame os seus irmãos.
Por último se são filhos de Deus, aprendam esta lição: “cingindo os lombos do vosso entendimento... Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver”; considera que Deus é o seu Pai; e deseja que isto o leve a viver como filho de Deus, para que olhe a seu Pai em sua face com consolo todos os dias nesta vida.
 
FONTE: www.discernimentobiblico.net 
Traduzido por Edmilson de Deus Teixeira 

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