domingo, 25 de março de 2012

Capa Piedosa para a Preguiça Espiritual – J. C. Ryle (1816-1900)

Imagem cedida por: http://jjmagalhaesgomes.blogspot.com.br 


O grande teólogo do passado, João Owen, deão da Igreja de Cristo, costumava dizer, há mais de duzentos anos passados, que há indivíduos cuja inteira religião parece consistir em queixar-se de suas próprias corrupções, dizendo a todos que nada podem fazer pessoalmente para descontinuá-las.

Temo que após dois séculos, a mesma coisa possa ser dita, com toda a verdade, a respeito de alguns que hoje se professam parte do povo de Cristo. Sei que há textos nas Escrituras que dão respaldo a essas queixas. Não faço objeção a elas, quando parte de pessoas que andam nos passos do apóstolo Paulo, que combatem o bom combate à semelhança dele, lutando contra o pecado, o diabo e o mundo. Porém, nunca aprecio tais queixas quando vejo motivos para suspeitar, conforme com frequência o percebo, que elas são apenas uma capa para encobrir a preguiça espiritual, são apenas desculpas para a frouxidão espiritual.

Se tivermos de dizer juntamente com o apóstolo: "Desventurado homem que sou!", também deveremos ser capazes de dizer, juntamente com ele: "...prossigo para o alvo..!' Não queiramos citar o seu exemplo quanto a um aspecto, ao mesmo tempo em que não o seguimos em outro (ver Rm. 7:24 e Fp. 3:14).

Não quero me colocar como melhor do que outras pessoas. E, se alguém indagar de mim: "O que você pensa que é para escrever dessa maneira?", a minha resposta será: "Sou uma criatura realmente muito miserável". Porém, afirmo que não posso ler a Bíblia sem desejar poder ver muitos crentes mais espirituais do que são, mais santos, mais singelos, mais dotados de mente celestial, mais resolutos de coração do que eles são neste nosso século.

Gostaria de ver entre os crentes um pouco mais do espírito próprio dos peregrinos, uma separação mais decidida do mundo, uma linguagem que evidenciasse melhor o céu e um andar mais íntimo com Deus  e essa é a razão pela qual escrevi como escrevi. Não é verdade que precisamos de um padrão mais elevado de santidade pessoal nestes nossos dias? Onde está a nossa paciência? Onde está o nosso zelo? Onde está o nosso amor? Onde estão as nossas boas obras? Onde está a força da religião cristã a ponto de ser percebida, conforme se via nos tempos de outrora?

Onde está aquele inequívoco tom capaz de abalar o mundo que costumava distinguir os santos da antiguidade? Verdadeiramente, a nossa prata transformou-se em escória, o nosso vinho foi misturado com água, e o nosso sal tem pouco sabor. Todos estamos mais do que meio-sonolentos. A noite vai adiantada e o dia já se aproxima. Despertemos; não continuemos a dormir. Abramos os nossos olhos mais atentamente do que temos feito até agora, "...desembaraçando-nos de todo peso, e do pecado que tenazmente nos assedia..!' "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus" (Hb. 12:1 e II Co. 7:1). Indagou Owen: "Morreu Cristo, e sobreviverá o pecado? Foi Ele crucificado no mundo e o nosso afeto pelo mundo continuará vivo e intenso? Oh, onde está o espírito daquele que, mediante a cruz de Cristo, foi crucificado para o mundo, e o mundo para ele?!"

FONTE: www.josemarbessa.com

Você é santo? - J. C. Ryle ( 1816-1900)

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"Você é santo"? Escute, rogo-lhe, a pergunta que lhe estou apresentando neste dia. Você conhece alguma coisa a respeito da santi¬dade da qual venho falando?
Não estou perguntando se você frequenta regularmente os cultos de sua igreja, ou se você já foi batizado, ou se costuma participar da Ceia do Senhor, ou se você tem o nome de cristão. Estou perguntando algo muito mais profundo do que isso: Você é santo, ou não!

Não estou indagando se você aprova a santidade em outras pessoas, nem se você gosta de ler sobre as vidas de pessoas santas, ou de falar sobre as coisas santas, ou se você possui livros sobre a santidade, em sua biblioteca, nem se você deseja ser santo, e espera que venha a atingir a santidade algum dia. Estou perguntando: Você é santo hoje, ou não!

Mas, por qual motivo estou perguntando de um modo tão direto, pressionando tanto sobre a questão? Assim o faço porque as Escrituras determinam: "...a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor". Isso está escrito. Não é fantasia minha, está na Bíblia; não é a minha opinião particular, é a Palavra de Deus e não a palavra do homem: "...a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (Hb. 12:14).

Oh, quão perscrutadoras e selecionadoras palavras são essas! Quantos pensamentos me atravessam a mente, enquanto as escrevo! Contemplo o mundo e vejo que a maior parte da humanidade jaz na iniquidade. Contemplo os crentes professos e vejo que a vasta maioria deles nada tem do cristianismo, exceto o nome. Examino as páginas da Bíblia e ouço o Espírito afirmando: "...a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor".

Sem dúvida este é um texto que nos deve fazer considerar nossos caminhos e examinar nosso coração. Por certo que deveria suscitar dentro em nós solenes pensamentos e compelir-nos à oração.

Você pode alegar que se preocupa muito e pensa muito a respeito dessas coisas; mais do que alguém possa imaginar. Eu respondo: "Este não é o ponto. No inferno, as pobres almas perdidas fazem muito mais do que isso. A questão não é o que você pensa e o que você sente, mas o que você faz".

Você pode dizer que nunca se entende que todo o cristão tem, necessariamente, que ser consagrado, e que santificação, tal como a tenho descrito, é apenas para grandes santos e pessoas altamente dotadas. Respondo que: "Não posso ver desse modo nas Escrituras. Leio em 1 João 3:3 que todo o homem que tem esperança em Cristo a si mesmo se purifica". Sem a santificação ninguém verá o Senhor.

Talvez você diga: "É impossível alguém ser tão santo e ao mesmo tempo cumprir o seu dever nesta vida. Tal coisa não pode ser feita". Mas, respondo: "Você está enganado. Isso pode ser feito. Com Cristo ao nosso lado coisa alguma é impossível. Já foi feito por muitos crentes. Davi, Obadias e Daniel, bem como os servos da casa de Nero, são todos exemplos que comprovam que isso é possível".

Talvez você objete: "Se eu fosse assim tão santo, seria diferente das outras pessoas". Respondo: "Sei disso muito bem. É exatamente assim que você deveria ser. Os verdadeiros servos de Cristo sempre foram diferentes do mundo ao redor deles, uma nação separada, um povo peculiar. E assim deverá acontecer também no seu caso, se você quiser ser salvo!"

Talvez você diga: "Se as coisas tiverem de ser assim, bem poucas pessoas serão salvas". Respondo: "Sei disso. É precisamente assim que somos informados no Sermão da Montanha". O Senhor Jesus o disse, há mil novecentos e tantos anos atrás: "...estreita é a porta e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela" (Mt. 7:14). Poucas pessoas serão salvas, porque poucas se dão ao trabalho de buscar a salvação. Os homens não querem negar à si mesmos os prazeres do pecado, não querem abandonar os seus próprios caminhos durante esta breve vida terrena. Antes, voltam as costas para aquela herança "incorruptível, sem mácula, imarcescível" (I Pe. 1:4). Declarou Jesus: "Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida" (João 5:40).


Você, provavelmente, responderá: "Essas declarações são extremamente duras. O caminho é muito estreito". A minha resposta será: "Sei disso. Assim afirma o Sermão da Montanha". O Senhor Jesus ensinou isso faz mais de mil e novecentos anos. Ele sempre disse que os homens precisam tomar a sua cruz diariamente, dispondo-se até mesmo a decepar uma mão ou um pé, se quiserem ser Seus discípulos. Na religião, como em outras coisas, "não há avanço sem sofrimento". Aquilo que nada custa, nada vale.

Sem importar o que nos venha à cabeça para dizer, teremos de ser santos, se quisermos ver o Senhor. No que se reduziria o nosso cristianismo, se assim não fosse? Não devemos apenas trazer o nome de cristão, ser possuidores do conhecimento típico do cristianismo; mas também devemos mostrar o caráter cristão. Devemos ser santos na terra, se quisermos chegar a ser santos no céu. Deus foi quem o disse, e Ele não retrocederá: "...a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor". Observou Jenkyns: "O calendário do papa só declara santos a pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos". Disse Owen: "Que os homens não se deixem iludir: a santificação é uma qualificação indispensavelmente necessária para quem quiser estar sob a orientação do Senhor Jesus, a fim de ser conduzido à salvação. Ele só conduz ao céu àqueles a quem Ele santifica nesta terra. A Cabeça viva não admite membros mortos".

Sem dúvida não deveríamos estranhar diante daquela Escritura que diz: "Importa-vos nascer de novo" (João 3:7). Certamente que é tão claro quanto a luz do meio-dia que muitos crentes professos precisam de uma completa transformação — novos corações, novas naturezas — se algum dia tiverem de ser salvos. As coisas antigas terão de passar; eles precisam tornar-se novas criaturas. Sem importar de quem se trate, sem a santificação "ninguém verá o Senhor".

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domingo, 18 de março de 2012

A Alegria Eterna - Richard Baxter (1615-1693)

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Assim, como a memória do iníquo promoverá eternamente o tormento dele, ao examinar os prazeres que desfrutava, o pecado cometido, a graça recusada, Cristo negligenciado e o tempo perdido, também a memória dos santos proporcionará para sempre sua alegria.

Mas a alegria plena, íntima e doce é aquela das emoções, do amor e da alegria; e ela é íntima, pois o amor é a essência da alma, e o amor a essência de Deus. 

"Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele" (1Jo 4.16). 

Agora a pobre alma clama, ó, que eu possa amar mais a Cristo! Mas--ai de mim!--não consigo; sim, mas você não pode fazer nada a não ser escolher amar ao Senhor; eu quase disse, abstenha-se disso se puder. Bem, sua salvação não é aperfeiçoada, nem suas misericórdias compradas; contudo, desista; mas quando a lápide for lançada, você, aos berros, implorará: "Graça, graça!". Agora, sua santificação é imperfeita, e seu perdão e justificação não são tão completos como o serão em nosso descanso eterno; agora você não conhece aquilo que lhe traz alegria e, portanto, ama o que é menor; mas quando você sabe que muito lhe foi perdoado e muito lhe foi concedido, você amará ainda mais.

Cristãos, o seu amor não se agita quando se lembram de todas as experiências e as manifestações do amor do Senhor, quando olham em retrospectiva para a vida de misericórdias? A gentileza não os faz derreter, e a luz da divina bondade não aquece o coração enregelado de vocês? O que ele fará naquele momento em que você viverá imerso em amor e tiver tudo nele, que é tudo? Ó deleites do amor, desse amor; a alegria que o coração encontra nele; a satisfação que ele nos traz junto com ele! Certamente, o amor é trabalho e retribuição!

E se isso fosse tudo, que grande favor Deus nos prestaria ao permitir que o amemos; que ele se digne a ser abraçado por braços que já abraçaram o pecado e a ganância antes de abraçá-lo. Ele retribui amor por amor; não mil vezes mais, pois, por mais perfeitos que sejamos, não podemos alcançar a medida de seu amor. Cristão, você transbordará de amor; mesmo que ame o tanto que lhe for possível, deverá ser dez mil vezes mais amado. Você acha que não conseguiria amá-lo em demasia? Como! Amar mais que o Amor? Os braços do Filho de Deus não estavam sobre a cruz, e seu lado não foi perfurado com a lança, e esse coração e esses braços não estarão abertos para você na glória? Ele não começou a amá-lo antes que pudesse amá-lo e não continuará a amá-lo agora? Ele não amou você, um inimigo; você, um pecador; você que, até mesmo, despreza a si mesmo, e o comprou como seu quando você o repudiou? E ele não amará imensamente você, um filho; você, um santo perfeito; você, que retribui amor com amor? Você está habituado a questionar seu amor? Duvide deste amor agora, se puder. Aos seus olhos, ser amado por Deus é algo pequeno? Cristão, creia nisso e pense sobre isso. Você será eternamente abraçado nos braços desse amor, que sempre foi eterno e durará por toda a eternidade; este amor que trouxe o Filho de Deus do céu para a terra, da terra para a cruz, da cruz para a sepultura, da sepultura para a glória; este amor que ficou cansado e faminto, e que foi tentado, escarnecido, açoitado, esbofeteado, humilhado, crucificado e furado com uma lança; esse amor que jejuou, orou, ensinou, curou, chorou, suou, sangrou, morreu --, esse amor o abraçará eternamente. 

Quando o amor perfeito e criado e o amor mais perfeito e incriado se encontrarem, ó abençoado encontro! Cristo é a pedra preciosa poderosa, atraente e eficaz que atrai para si todos que são semelhantes a ele. Você agora não tem mais de lidar com criaturas inconstantes, mas apenas com ele "em que não há mudança, nem sombra de variação" (Tg 1.17; ARC), o Deus imutável. O que devemos dizer a essas coisas? O amor infinito certamente é um mistério para a capacidade finita. Não é de admirar que os anjos desejem espreitar esse mistério; e a responsabilidade dos santos aqui é procurar descobrir a altura, a largura e a profundidade desse amor, embora ele ultrapasse qualquer entendimento. E o descanso dos santos é esse deleitar-se em Deus por meio do amor.

O sentimento de alegria não tem a menor participação nesse deleitar-se. É a isso que todo o descanso nos leva e a isso que se resume; exatamente a complacência que os abençoados sentem ao ver, ao conhecer e ao amar a Deus e também ao ser o amado do Senhor. Essa é a "pedra branca com um novo nome nela inscrito, conhecido apenas por aquele que o recebe" (Ap 2.17); e se há alguma alegria que o estrangeiro desconhece, então, certamente, e acima de tudo, é essa. Todos os caminhos da misericórdia de Cristo levam às alegrias dos santos e ali findam. Ele chorou, entristeceu-se e sofreu para que eles pudessem se regozijar; ele enviou o Espírito Santo para ser o Consolador deles; ele multiplica suas promessas, revela a felicidade futura deles para que a alegria deles possa ser plena; as misericórdias do Senhor para com eles sobejam; ele os faz repousar em verdes pastagens e os conduz a águas tranqüilas; sim, o Senhor abre as fontes de água viva para que a alegria deles seja plena; para que não mais tenham sede e para que a vida eterna brote neles. Sim, ele permitiu que sofressem para que pudessem regozijar-se; e os purificou para que pudesse lhes dar o descanso; e os fez beber de um ribeiro à beira do caminho para que pudessem erguer a cabeça.

Ó quão grande alegria será essa; em que a alma foi perfeitamente preparada para a alegria, e a alegria preparada por Cristo para a alma, e o regozijo será eternamente nosso trabalho e nossa responsabilidade! Sua pobre alma que ora por alegria, que espera pela alegria, que reclama em razão da falta de alegria, que anseia pela alegria - oras, naquele momento, você terá a alegria plena, tanta que não poderá abraçá-la, e muito mais que foi capaz de imaginar, e seu coração de desejar. E, nesse meio tempo, ande cuidadosamente, esteja sempre atento e, depois, deixe que Deus meça seu tempo e sua medida de alegria. É possível que o Senhor os guarde até que você não tenha mais necessidade deles: é melhor perder o conforto que a segurança.

E não apenas a sua alegria; é alegria mútua, como também amor mútuo. Houve tal alegria no céu quando você se converteu, e não haverá nenhuma em sua glorificação? Os anjos não lhe darão as boas-vindas e o saudarão por sua chegada segura? Sim, essa é a alegria de Jesus Cristo; pois agora, quando alcançarmos nossa alegria, ele tem o fim da obra que realizou, ao sofrer e morrer; quando ele for "glorificado em seus santos e admirado em todos os que creram" (2Ts 1.10). Somos sua semente e o fruto do trabalho de sua alma e, quando ele nos vir, ficará satisfeito. Essa é a colheita de Cristo, quando ele ceifará a colheita de seu trabalho; e quando ele vir que não foi em vão, isso não o fará se arrepender de seus sofrimentos, pois ele se alegrará com sua herança resgatada, e seu povo se alegrará nele.

Sim, o Pai também acrescenta alegria a nossa alegria. Da mesma forma que entristecemos seu Espírito e o cansamos com nossas iniqüidades, ele também se alegra com nosso bem. Ó como ele aqui observa prontamente o retorno do filho pródigo, mesmo a grande distância; como ele corre para encontrá-lo; e a doce compaixão com que o abraça ternamente e o beija; e veste-o com a melhor veste, e coloca um anel em seu dedo e calçados em seus pés, e escolhe um novilho gordo para que possam comer carne e celebrar! Esse realmente é um encontro afortunado; mas não é nada em comparação com os abraços e a alegria do último e grandioso encontro.

Sim, e ainda mais. Deus ama e se alegra mutuamente, e ele também faz desse nosso descanso o seu descanso. Ele não instituiu o sábado como descanso dos seis dias de trabalho quando viu que tudo que fizera ficou bom, e muito bom? E que eterno sabatismo teremos naquele momento em que toda a obra de redenção, de santificação, de preservação e de glorificação estiver completa, e sua obra estiver mais perfeita que nunca, e realmente ficar muito boa! Assim, afirma-se que o Senhor se regozija e se deleita com seu povo. Ó, cristãos, escrevam estas palavras em letras de ouro: "O SENHOR, teu Deus, está no meio de ti, poderoso para salvar-te; ele se deleitará em ti com alegria; renovar-te-á no seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo" (Sf 3.17; ARA).

FONTE: www.josemarbessa.com 

segunda-feira, 12 de março de 2012

O Rei eterno, imortal, invisível. – Jonathan Edwards (1703-1758)

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Quando estamos ausentes de nossos queridos amigos, eles nos estão fora de vista, mas quando estamos com eles, temos a oportunidade e satisfação de vê-los. Enquanto os santos estão no corpo e ausentes do Senhor, sob vários aspectos Ele está fora de nossa vista. "o qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso" (1 Pe 1.8). Eles têm neste mundo uma visão espiritual de Cristo, mas vêem "por espelho em enigma' e com grandes interrupções; mas no céu eles o vêem "face a face". São bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.

A visão beatífica que eles têm de Deus está em Cristo, que é o brilho ou fulgência da glória de Deus, pela qual sua glória brilha no céu, à vista dos santos e anjos lá como também aqui na terra. Este é o Sol da Justiça, que não só é a luz deste mundo, mas também o sol que ilumina a Jerusalém celestial, por cujos raios luminosos a glória de Deus brilha, para a iluminação e felicidade de todos os habitantes gloriosos. "A glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada" (Ap 21.23)- Ninguém vê Deus Pai imediatamente. Ele é o Rei eterno, imortal, invisível. Cristo é a imagem desse Deus invisível pela qual Ele é visto por todas as criaturas eleitas. O Filho unigênito que está no seio do Pai, Ele o declarou e o manifestou.


Ninguém jamais viu o Pai, somente o Filho; e ninguém mais vê o Pai de outro modo senão pela revelação que o Filho faz dEle. No céu, os espíritos dos justos tornados perfeitos o vêem como Ele é. Eles vêem a sua glória. Eles vêem a glória de sua natureza divina, que consiste em toda a glória da deidade, a beleza de todas as suas perfeições; sua grande majestade e poder Todo-poderoso; sua sabedoria, santidade e graça infinitas. Eles vêem a beleza de sua natureza humana glorificada e a glória que o Pai lhe deu, como Deus-Homem e Mediador.

Para este fim, Jesus desejou que os santos estivessem com Ele, para que vissem sua glória. Quando a alma do santo deixa o corpo para ir estar com Cristo, ela vê a glória da obra de Redenção que "os anjos desejam bem atentar". Os santos no céu têm a visão mais clara da profundidade insondável da sabedoria e conhecimento de Deus e das demonstrações mais brilhantes da pureza e santidade de Deus que aparecem nessa obra. Eles vêem de uma maneira muito mais clara que os santos aqui "qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento" (Ef 3-18,19). Assim como eles vêem as riquezas e glória indizíveis da graça de Deus, eles entendem claramente o amor eterno e imensurável de Cristo por eles em particular.

Em resumo, eles vêem tudo em Cristo, o que tende a acender e satisfazer o amor da maneira mais clara e gloriosa, sem escuridão ou ilusão, sem impedimento ou interrupção. Agora os santos, enquanto no corpo, vêem um pouco da glória e amor de Cristo; como nós, no alvorecer da manhã, vemos um pouco da luz refletida do sol misturada com a escuridão. Mas quando separados do corpo, eles vêem o Redentor glorioso e amoroso, assim como vemos o sol quando está acima do horizonte, pelos seus raios diretos num hemisfério claro e com dia perfeito.
 
FONTE: www.josemarbessa.com

segunda-feira, 5 de março de 2012

AGRADECIMENTO: 14 anos atras, o dia da minha decisão por cristo!

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Quero aqui externar meus agradecimentos ao Deus todo poderoso por estes catorze anos passados que resolvi entregar minha vida a jesus. Isso aconteceu na Igreja Batista renovada El-Shaday, no dia 21 de Fevereiro de 1998.

Como o tempo passa rápido!. muitas lutas, bençãos, conquistas, e até aqui tem me ajudado o Senhor!

Minha oração neste momento: "Deus, altíssimo tremendo e digno; obrigada por tudo! por ter chego até aqui, por me guardar, me dares livramento e saúde e por permitir também que eu faça a tua obra! perdoa os meus pecados e conserva o meu nome para sempre no livro da vida. Te agradeço pela vida dos meus pastores que cuidaram de mim.  hoje e sempre e eternamente, no nome de Jesus.....Amém!

Daniel Werneck


sábado, 25 de fevereiro de 2012

A Falsa Santificação - Thomas Watson (1620-1686)

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Há coisas que parecem santificação, mas não são.


a.      A primeira imitação da santificação é a virtude moral

Ser justo, temperante, de bom comportamento, não ter a fama manchada com um escândalo vergonhoso é bom, mas não é o suficiente, não é santificação. Um campo florido é diferente de um jardim. Pagãos se apegaram à moralidade, como Catão, Sócrates e Aristides.90 A boa educação é somente uma natureza refinada, não há nada de Cristo nela, o coração pode ser impuro e abominável. Debaixo dessas folhas de boa educação, o verme da descrença pode estar escondido. Uma pessoa virtuosa tem uma antipatia secreta contra a graça, odeia o vício e também a graça tanto quanto o vício. A serpente tem uma bela cor, mas pica. Uma pessoa enfeitada e alimentada com uma virtude moral pode ter um afeto secreto contra a santidade. Os estóicos, que eram os principais pagãos moralistas, foram os inimigos implacáveis de Paulo (At 17.18).

b.      A segunda imitação da santificação é a devoção supersticiosa

Isso é abundante no papado. As adorações, as imagens, os altares, as vestimentas e a água benta, coisas que eu entendo como frenesi religioso, e que estão longe da santificação. Nada disso acrescenta nenhum bem intrínseco ao homem, não faz o homem melhor. Se as purificações e as lavagens da lei, que eram orientações do próprio Deus, não fizeram daqueles que as praticaram mais santos, e os sacerdotes que vestiram vestimentas santas e tiveram óleo derramado sobre si só eram santos com a unção do Espírito, então, certamente, as inovações supersticiosas na religião, que Deus nunca orientou, não podem contribuir para qualquer santidade dos homens. Uma santidade supersticiosa não custa muito, não há nada do coração nela. Se santidade fosse dizer orações com uso de um rosário, curvar-se diante de uma imagem, benzer-se com água benta, e tudo aquilo que é requerido daqueles que crêem nessas coisas para salvação, então o inferno estaria vazio, ninguém entraria lá.

c.       A terceira imitação da santificação é a hipocrisia

Hipocrisia é fingir uma santidade que se não tem. Assim como um cometa pode brilhar e se parecer com uma estrela ou como um lustre pode brilhar em seu lugar a tal ponto de ofuscar os olhos dos que o contemplam. "Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder" (2Tm 3.5). São lâmpadas sem óleo, sepulcros caiados como os templos egípcios que eram bonitos do lado de fora, mas dentro havia todo tipo de podridão. O apóstolo fala da santidade verdadeira em Efésios 4.24, implicando que há uma santidade que é espúria e fingida. "Tens nome de que vives e estás morto" (Ap 3.1), são como quadros e estátuas destituídas de um princípio vital: "Nuvens sem água" (Jd 12). Fingem estar cheios do Espírito, mas são nuvens vazias. Isso mostra a santificação como uma auto-alucinação. Quem pega o cobre no lugar do ouro engana a si mesmo. Os santos mais falsos enganam os outros enquanto vivem, mas enganam a si mesmos quando morrem. Fingir a santidade quando não há nenhuma é uma coisa vã. Que vantagens levaram as virgens néscias que tinham lâmpadas fulgurantes quando precisaram de azeite? Qual é a utilidade de uma lâmpada sem o azeite da graça salvadora? Que consolo uma demonstração de santidade trará no final? Será que algo pintado com a cor de ouro pode enriquecer? A pintura de água pode refrescar aquele que está com sede? Ou a santidade imaginária será um sofrimento na hora da morte? Não se deve acomodar com uma pretensa santificação. Muitos navios que tinham o nome de Esperança, Triunfo e Vigilante foram lançados contra as rochas, assim, muitos que tiveram o nome de santos foram lançados no inferno.

d.      A quarta imitação da santificação é a graça suprimida

Isso acontece quando os homens se abstêm do vício, embora não o odeiem. O lema de um pecador pode ser assim: "Eu estaria disposto, mas não tenho coragem". O cão só pensa no osso, mas tem medo do bastão, assim os homens têm a mente para a luxúria, mas suas consciências se posicionam como aquele anjo com uma espada flamejante e, assim, ela os amedronta: eles têm a mente para a vingança, mas o medo do inferno é como um freio de cavalo que os adverte. Não há mudança de coração, o pecado é freado, mas não exterminado. Um leão pode estar enjaulado, mas ainda é um leão.

e.       A quinta falsificação da santificação é a graça comum

É uma obra tênue e passageira do Espírito, mas que não ajuda na conversão. Há um pouco de luz em um julgamento, mas não o é para a humilhação pessoal. Alguns têm peso na consciência, mas não acordam.

Parece santificação, mas não é. Os homens têm as convicções formadas neles, mas abrem mão dessa convicção, como o animal que, ao ser flechado, livra-se da flecha. Depois da convicção, os homens vão à casa da alegria, pegam a harpa para expulsar o espírito de tristeza e tudo morre e não se chega a nada.

FONTE: www.josemarbessa.com

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Uma contenda constante contra o pecado - John Owen (1616-1683)

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Quando o pecado é forte e vigoroso, a alma não consegue fazer grande progresso espiritual. A não ser que constante-mente lutemos contra o pecado, ele crescerá forte e vigorosa-mente, e nosso progresso espiritual será constantemente impedido. Há três coisas importantes no contendermos com o pecado. São as seguintes:

a)      Precisamos conhecer nosso inimigo e estar determinados a destruí-lo por todos os meios possíveis. Temos que lembrar que estamos num conflito acirrado e árduo, um conflito que tem sérias consequências. Precisamos estar alertas "conhecendo cada um a chaga do seu coração" (1 Reis 8:38). Precisamos guardar-nos de pensar levianamente nessa chaga. E de se lamentar que muitos tenham tão pouco conhecimento do grande inimigo que levam com eles nos seus corações. Isso os torna dispostos a se justificarem e a ficarem impacientes com qualquer reprovação ou admoestação, não se apercebendo de que estão correndo perigo (veja 2 Cron. 16:10).

b)      Precisamos nos esforçar para aprender os modos de agir de nosso inimigo, suas estratégias e os métodos de combate que ele emprega, as vantagens que ele procura obter e, até mesmo, detectar as ocasiões quando o seu ataque é mais bem sucedido. Quanto mais soubermos estas coisas, melhor estaremos preparados para lutar e contender com o pecado. Por exemplo: se observarmos que o inimigo repetidamente se aproveita de nós, e leva vantagem, em determinada situação, então procuraremos evitar essa situação. Precisamos buscar a sabedoria do Espírito contra as ciladas do pecado que habita em nós, para que possamos rapidamente discernir as sutilezas do nosso inimigo e frustrar seus planos maus contra nós.

c) Precisamos empenhar-nos diariamente para utilizar todos os meios que Deus ordenou para ferir e destruir o nosso inimigo (alguns desses serão mencionados mais adiante). Jamais devemos permitir que sejamos conduzidos a uma falsa segurança, pensando que nossos desejos pecaminosos já estão mortos devido estarem quietos. Em vez disso precisamos aplicar-lhes novos golpes e surras todos os dias (vejaCol. 3:5).

3. Sucesso na nossa oposição e no nosso conflito com o pecado que habita em nós. Quando há frequente sucesso contra qualquer desejo mau, isso é uma outra evidência da mortificação do pecado. Por sucesso queremos significar uma vitória sobre ele, acompanhada da intenção de dar sequência a essa vitória e atacar novamente. Por exemplo: quando o coração detecta as ações do pecado que habita em nós (procurando nos seduzir, nos atiçar, influenciar nossa imaginação, etc) ele imediatamente ataca o pecado, o expõe à lei de Deus e ao amor de Cristo; ele o condena e o executa.

Quando uma pessoa experimenta tal sucesso e sabe que a raiz do desejo mau foi, na verdade, enfraquecida, e que sua atividade foi contida de modo que não pode mais impedi-lo de cumprir o seu dever ou interromper sua paz como acontecia antes, então o pecado foi, em considerável medida, mortificado.

Este enfraquecimento da raiz do desejo mau é realizada principalmente pela implantação, continuidade e cultivo constante da vida espiritual da graça, que se coloca em oposição direta ao desejo mau, e lhe é destruidora (compare com o capítulo 4, pág. 110, item 2). Desse modo, pela implantação e pelo crescimento da humildade, o orgulho será enfraquecido. Da mesma maneira, a paciência tratará da paixão; a pureza da mente e da consciência cuidará da impureza; a mente celestial porá fim ao amor deste mundo, e assim por diante.

FONTE: www.josemarbessa.com

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