quinta-feira, 30 de junho de 2011

História do Apóstolo André (doze Homens e uma missão)

Imagem cedida por: http://rsguimaraes.wordpress.com/teologia-crista/os-apostolos-de-jesus/

André

"Caminhando junto ao Mar da Galiléia, viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, que lançavam rede ao mar, porque eram pescado­res."
Mateus 4.18

As informações bíblicas e históricas disponíveis sobre a biografia do apóstolo André não deixam dúvidas quanto a sua relevante participação tanto na pequena comunidade dos discípulos de Jesus, como na liderança de congregações cristãs do primeiro século.
Celebrado pela tradição ortodoxa grega como Protocletos (o primeiro cha­mado) dentre os doze (Jo 1.40), André, cujo nome significa varonil, nasceu em Betsaida Julias, às margens do Mar da Galiléia. Essa região tornou-se memorável não apenas por sua beleza particular, mas também pelas sangren­tas batalhas travadas naqueles arredores, décadas mais tarde, durante a revolta dos zelotes. Foi precisamente em Betsaida que o então comandante zelote, Flavius Josefo, construiu o quartel-general da resistência armada contra Roma.

Seguindo os passos de João Batista
André e seu irmão Simão (mais tarde, Pedro) eram pescadores, assim como seu pai Jonas e a maioria dos habitantes das margens do Mar da Galiléia . É provável, entretanto, que ainda cedo André tenha se afastado parcial ou com­pletamente de seu ofício, incomodado por questionamentos e anseios interi­ores, não satisfeitos com a religiosidade estabelecida em sua vida. Começou ai a jornada espiritual que o conduziu, mais tarde, ao encontro dAquele que mudaria por completo o curso de sua existência.
João Batista, o profeta cujos ensinamentos André seguiu por algum tempo, representou um referencial importante em sua peregrinação espiritual. Sobre esses anos de inquietude vividos pelo futuro apóstolo, esclarece McBirnie (op. cit., p. 77):

"Aparentemente, André ocupava-se mais dos assuntos da alma do que propriamente de suas pescarias, tanto que abandonou suas redes para seguir os passos de João Batista. Para isso, André precisou percorrer um longo caminho através do Vale do Jordão, até atingir o local onde João pregava, isto é, Betânia, uma cidade que se lo­calizava além do Rio Jordão, defronte a Jerico. Ali, o apóstolo finalmente deparou com a voz de autoridade espiritual que ansiosamente pro­curava. André, descontente com a imoralida­de, as intrigas e a desonestidade por ele atestadas nas cidades da Galiléia e da Judéia, encontrou em João Batista um homem segundo seu cora­ção: alguém inquieto e sem atrativos, porém fiel devoto das virtudes mais simples; um homem para quem a carne e o clamor do mundo pou­co significavam. Este, verdadeiramente, era um homem digno de ser seguido!"

Mas, para compreendermos um pouco mais sobre o pensamento de André, é necessário co­nhecer aquele que norteou seus primeiros pas- i sos na busca da salvação divina: o profeta João Batista.
Embora crescido em meio a um regime ascético e na mais rígida simplicidade, João Ba­tista era, na verdade, descendente de nobre li­nhagem sacerdotal, tanto por parte materna quanto paterna. Seu pai, Zacarias, era sacerdote do oitavo turno de ministração, correspondente ao turno de Abias (1 Cr 24.10, 2 Cr 8.14, Ne 12.4-17, Lc 1.5). Isabel, sua mãe, era descendente da casa sacerdotal de Aarão. As circunstâncias sobre­naturais que cercaram sua concepção e seu nascimento estão atentamente descritas no primeiro capítulo do Evangelho de Lucas. Isso, de certo modo, denota a importância que a Igreja primitiva atribuía ao seu trabalho profé­tico, como predecessor do Messias.
Divinamente vocacionado para o nazirato desde o ventre materno (Lc 1.15), João Batista preparou-se para seu árduo mi­nistério profético retirando-se para o Deserto da Judéia, na região oeste do Mar Morto, sob cuja aridez despendeu boa parte de sua vida. Vestia-se de maneira rude, à moda típica dos profetas (comp. Mt 3.4 e 2 Rs 1.8) e alimentava-se segundo as escassas possibilidades oferecidas pela região.
O chamado de Deus em sua vida alcançou notoriedade nacional quando o profeta principiou a pregação do arrependimento e do batismo para per­dão dos pecados, tal como registra a narrativa lucana (Lc 3.1-3).

"No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Ituréia e de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilene, sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados;"

Tanto quanto a santidade e a consagração a Deus, João Batista trouxe no bojo de seu ofício profético a marca da coragem e da determinação com as quais exortava o povo, sem acepção de pessoas. No princípio de suas prega­ções, mostrou oposição à crassa hipocrisia dos fariseus e saduceus, contra os quais trovejava (Mt 3.7-8).

"Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, fruto digno de arrependimento."

A corrupção que imperava em meio aos coletores de impostos, assim como a inquietude que rondava os soldados foram, da mesma sorte, publi­camente desafiadas por João Batista (Lc 3.10-14). Tão arrebatadora foi sua autoridade diante das multidões que muitos se convenciam de que o rude ermitão poderia não ser apenas mais um dentre tantos profetas, mas o pró­prio Messias (Lc3.15), aquele sobre quem brilharam as luzes proféticas desde a Antigüidade. No entanto, a possível tentação de usurpar uma posi­ção espiritual para a qual não fora designado não encontrou guarida no fiel coração de João Batista. Diante das constantes indagações populares acerca de sua suposta messianidade, João contundentemente afirmava:

"(...)Eu não sou o Cristo, mas fui enviado como seu precursor"
Jo 3.28

"(...) Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias."
Mc 1.7

João Batista não parece ter conhecido limites em sua fidelidade para com o Penhor. Nem mesmo os pecados praticados pelo despótico Herodes Antipas foram privados de sua execração pública. Desprezando as terríveis conseqüências de sua ousadia, o devoto não poupou severas admoestações ao adultério vivido por Herodes com a mulher de seu irmão, Herodias, e por outras tantas crueldades cometidas pelo soberano, conforme vemos em Mt 14.3.
Embora o tirano prezasse intimamente a João (Mc 6.20), isso não o im­pediu de lançá-lo no cárcere da isolada Fortaleza de Maquiros, na costa oriental do Mar Morto. Ali, durante os excessos de sua festa natalícia e no devaneio protagonizado pela sensual filha de Herodias, cujo nome, segun­do Flávio Josefo, era Salomé, mandou-o decapitar, em 29 A.D.
A coragem e a determinação mostradas pelo profeta em seu ministério foram lembradas de maneira especial pelo próprio Senhor Jesus, no teste­munho de Mt 11.7-11.

"(...) Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?
Sim, que saístes a ver? Um homem vestido de roupas finas? Ora, os que vestem roupas finas assistem nos palácios reais.
Mas, para que saístes? Para ver um profeta? Sim, eu vos digo, e muito mais que profeta.
(...)
Em verdade vos digo: Entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior que João Batista (...)"

É de se supor que os seguido­res de João Batista, especialmente aqueles que, como André, se tor­naram mais tarde discípulos de Je­sus, manifestaram em seus ministérios as marcas indeléveis da intrepidez com que o profeta abra­çou a causa messiânica. Como ve­remos mais adiante, as lendas que relatam as aventuras apostólicas de André, ainda que muitas vezes ro­mantizadas, são uma evidência de seu empenho como pregador das boas novas de Cristo.
O período de maturação espiritual experimentado em companhia de João Batista é visto por McBirnie como um tempo em que se lançaram alguns dos alicerces do futu­ro ministério de André (op. cit., p.78).

"Após ouvir a mensagem de João e contemplar as multidões que, como rebanhos, deixavam as cidades da Judéia em busca de auxílio espiritual e, após assistir João no batismo daqueles que desejavam morrer para sua velha natureza e viver uma nova vida, André finalmente equipou-se para o evento que iria, em breve, mudar diametralmente sua vida."

Sem embargo, o clamor jubiloso de seu mestre diante do até então desco­nhecido nazareno, fez com que André entendesse que Se manifestara, afinal, aquele de quem João Batista tornara-se o notório precursor (Jo 1.29-30).

"(...) Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! É este a favor de quem eu disse: Após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim."

O ministério de João Batista ficara para trás. Para André e alguns de seus amigos chegara o momento para o qual foram treinados e pelo qual aguar­daram tão ansiosos; era a hora de seguir sem reservas a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo o homem (Jo 1.9).
Deixando a árida paisagem do Deserto da Judéia, André se dispôs a seguir os passos de Jesus nos arrabaldes da Gaiiléia. De tal sorte marcante foi a impressão inicial causada por Jesus, que lá chegando não tardou em buscar por seu irmão e informar-lhe sobre algo que todo ouvido em Israel ansiava escutar: Achamos o Messias! (Jo 1.41).
A cronologia da vocação dos discípulos é, de certo modo, confusa, já que os evangelistas não cuidaram de estabelecer divisões de tempo exatas para os fatos que relataram. Assim, ao que parece, André, como discípulo que fora de João Batista, manteve contato com Jesus antes da formalização de seu discipulado. McBirnie propõe um esclarecimento para os meandros cronológicos que separam os primeiros encontros de André com Jesus e sua definitiva chamada como discípulo (op. cit., p.78-79).

"Nesse estágio, André ainda não era exatamente o que se pode chamar de um discípulo de Jesus. Assim como os demais, André era meramente Seu seguidor, ou seja, um acompanhante interessado em observar à dis­tância o que se passava. Jesus, então, tomou consigo a Pedro, André, Filipe e João e dirigiu-se de volta a Nazaré. Entrementes, foi submetido aos quarenta dias de tentação no deserto, após Seu batismo. A seguir, eles acompanharam Jesus a uma festa de casamento em Cana da Galiléia, a apenas dez quilômetros de Nazaré. Em Cana puderam testemunhar a realização de Seu primeiro milagre. Jesus os conduziu, então, a uma verdadeira jornada evangelística por toda Galiléia e, mais tar­de, por Jerusalém onde O vi­ram 'purificar' o Templo. Contudo, durante este perío­do, nenhum deles era ainda discípulo de Jesus. Mais tarde, todos retornaram à Galiléia, voltando ao seu antigo ofício de pescadores. Não sabemos quanto tempo se passou até que Jesus, certo dia, voltasse a Cafarnaum, nas margens do Mar da Galiléia, e lá encontras­se a André e Pedro."
Ao contrario do que acontece com seu irmão Pedro, infeliz­mente,   não  são  muitos  os registros bíblicos da passagem de André como discípulo de Jesus. Isso, com efeito, nos impossibilita uma projeção dos traços gerais de sua personalida­de, visto que o legado posterior da tradição cristã nem sempre é digno de crédito.
A parte os versículos que narram sua chamada, ao lado de Pedro, às margens do Mar da Galiléia e das passagens que o inserem nas listas apostó­licas, raramente encontramos alguma menção de sua participação no rol dos discípulos. Em Mc 13.3-4 André aparece, ao lado de Pedro, Tiago e João no Monte das Oliveiras, inquirindo Jesus a respeito dos assustadores vaticínios que acabara de ouvir sobre o templo e a cidade de Jerusalém. Noutra ocasião, minutos antes da miraculosa multiplicação dos pães (Jo 6.8-9), vemo-lo apresentando a Jesus alguém que dispunha de míseros cinco pães e dois peixes, na busca de uma solução para a fome que já come­çava a incomodar a multidão presente. Na passagem de Jo 12.20-22, André é um dos que conduzem ao encontro de Jesus alguns gentios, prosélitos do judaísmo, que ansiavam conhecê-Lo.
Em face da escassez de informações bíblicas sobre seu perfil e suas ações enquanto discípulo, a tradição medieval traçou o contorno de André a partir do testemunho de Jo 1.40-42, definindo-o como o pai das missões apostóli­cas. Tal assertiva constitui, obviamente, mais uma dentre as várias caricaturas apostólicas formadas cora o passar dos séculos. O fato de o discípulo ter se apressado em relatar a Pedro seu descobrimento, conforme nos conta o evangelista, não faz dele necessariamente um grande referencial de missioná­rio cristão. Todos aqueles em cujos corações Jesus causou semelhante impac­to fizeram o mesmo com seus amigos e parentes, visto que a expectativa messiânica era algo que inundava os corações na Israel naqueles dias. Além do que, as lendas cristãs creditam mais empenho a apóstolos como Pedro, João, Tomé e Judas Tadeu do que propriamente a André.
Sem embargo, nosso apóstolo parece ter realmente experimentado gran­des oportunidades de espalhar a semente da Palavra por diversas regiões da Antigüidade. A seguir, veremos alguns dos relatos mais interessantes dessas tradições.


As missões no leste europeu e o martírio em Patras, na Grécia
Embora alguns autores apontem André como um dos anciões que per­maneceram na liderança da Igreja de Jerusalém, outros têm por certo que o apóstolo deixou ainda cedo a Cidade Santa rumo às missões evangelísticas no estrangeiro. Se isso for verdade, é possível que tal decisão tenha sido fruto da perseguição que se instaurou na cidade durante os primeiros anos da Igreja. Existe, entretanto, certa dificuldade de se conciliar essa partida de André nessa época com o registro lucano de At 8.1.

"Naquele dia levantou-se grande perseguição contra a Igreja em Jerusa­lém; e todos exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e da Samaria."

De qualquer modo, em 44 A.D. nova pressão se levantou contra os cristãos de Jerusalém. Desta vez, a violenta morte de Tiago Maior e o aprisionamento de Pedro, sob ordens de Herodes Agripa, podem ter convenci­do alguns dos apóstolos, entre os quais André, a buscarem novos campos para sua lavoura espiritual. Suspeita-se que foi por essa mesma época que Pedro, após ser miraculosamente solto, por fim decidiu estender seu apostolado para além dos limites da Judéia (At 12.3-17).
Uma das mais fortes tradições acerca do trabalho missionário de André, endossada pelo historiador Eusébio (História Eclesiástica III, 1,1) diz res­peito ao sul da Rússia, especialmente às regiões outrora conhecidas como Cítia e Partia, próximas ao Mar Negro. Por testemunhos tradicionais como esse, André foi adotado como patrono da Igreja russa.
Outra forte tradição afirma que André exerceu parte de seu ministério em algumas regiões da Ásia Menor, onde se sabe que houve grande intensidade evangelística durante a era apostólica. Em Éfeso, teria compartilhado urna revelação de Deus com o amigo e apóstolo João, contribuindo para a elabo­ração de seu Evangelho. Esses relatos são, em suma, confirmados pelo martirológio da Igreja Ortodoxa Russa, que apresenta a seguinte proposta para as jornadas pós-bíblicas de André.

"Após o Pentecostes, André ensinou em Bizâncio, na Trácia, na Rússia, em Epiros e no Peloponeso. Em Amisos, converteu no templo os judeus locais, batizando-os e curando seus enfermos. Edificou ali uma Igreja e deixou-os em companhia de um sacerdote. Na Bitínia, pregou a palavra, curou os enfermos e expulsou as bestas-feras que os perturbavam. Suas orações destruíram os templos pagãos e aqueles que se opunham a sua palavra acabavam oprimidos e atormentados em seus corpos até que fossem por ele curados.
Em Sinope, orou pelo encarcerado apóstolo Matias, de quem fez cair as cadeias, abrindo-lhe as portas da cela. Certa multidão espancou André, quebrando-lhe os dentes, cortando seus dedos e deixando-o como morto num monte de estrume. Jesus, então, apareceu-lhe e o curou, exortando-o que mantivesse o bom ânimo. Quando as pessoas o viram, no dia se­guinte, ficaram sobremodo maravilhadas e creram. André fez também ressurgir dentre os mortos o único filho de uma mulher. Como profeta, predisse a grandeza de Kiev, como fortaleza da cristandade."

Com efeito, a maior parte dos relatos sobre as missões de André engloba a Palestina, Ásia Menor, Macedônia, Grécia e as regiões próximas ao Cáucaso. Entretanto é para a cidade de Patras, na Grécia, que convergem as mais antigas narrativas referentes ao seu apostolado pós-bíblico. Ali, ao evangelizar e converter Maximila, esposa do Procônsul local, André teria sido martirizado numa cruz em forma de "X", conforme o relato que veremos a seguir. Em virtude dessa tradição, a cruz em "X" passou a ser conhecida como Cruz de Santo André.
A obra apócrifa Atos e Martírio do Santo Apóstolo André, supostamente escrita pelos "bispos e diáconos das igrejas da Acaia" apresenta alguns tre­chos muito interessantes sobre a lendária entrevista do apóstolo com o procônsul daquela região, Egates, e seu posterior suplício por mãos desse governador romano.
O confronto entre o santo e o magistrado pagão teria se iniciado a partir do constrangimento que Egates impusera aos crentes daquela região, tentando fazê-los retornar à adoração idolátrica. Vejamos algumas passagens desse relato.

"Esta fé temos aprendido do abençoado André, apóstolo de nosso Senhor Jesus Cristo, cuja paixão nós, tendo presenciado com nossos olhos, não hesitamos em testemunhar, mesmo que limitados em nossa capacidade.
Tendo o procônsul Egates vindo à cidade de Patras, começou a constran­ger aqueles que haviam crido em Cristo a adorarem os ídolos. A este, o bendito André, dispondo-se apressadamente, disse: 'Exorto-te que, sen­do juiz dentre os homens, conheças Aquele que é teu Juiz, que está nos céus e que, uma vez o conhecendo, adore-o e, tendo-o adorado, faças voltar teus pensamentos daqueles que não são verdadeiros deuses.'"

Mesmo reconhecido pelo procônsul, André - segundo a lenda - não su­prime sua audaciosa reprimenda e acrescenta.

"Os imperadores romanos nunca conheceram a verdade. Quanto a esta, o Filho de Deus, que veio para salvar os homens, manifestamente ensi­nou que estes ídolos não apenas não são deuses, mas representam na verdade os mais desprezíveis demônios, hostis à raça humana. São eles que ensinam os filhos dos homens a desobedecerem a Deus, de forma que Este não Se volte para eles e não os ouça."

Ameaçado por Egates de ser torturado e punido com crucificação por se negar terminantemente a sacrificar aos deuses, o apóstolo é detido enquan­to aguarda sua execução. Uma multidão oriunda das adjacências de Patras, ouvindo o que se sucedera com André, revolta-se contra a decisão do go­vernador e tenciona libertá-lo à força.
O evangelista, porém, tendo proposto em seu coração que aquele era o momento de testemunhar com o próprio sangue a fé em seu Mestre, adver­te-os dizendo.

"Não transformeis a paz de nosso Senhor Jesus Cristo em sedição e em levante diabólico. Porquanto, meu Senhor, quando foi traído, tudo supor­tou com paciência. Não murmurou nem alçou sua voz, tampouco ouviu-se nas ruas seu clamor. Portanto, vós, da mesma sorte, mantende-vos em silêncio e em paz, não impedindo meu martírio. Antes, preparai-vos tam­bém, de antemão, como atletas do Senhor que sois, para que possais vencer as ameaças, com uma alma que não teme o que possa fazer o homem (...). Pois, este perecimento não é para ser temido, mas sim aquele que é eterno."

Após atravessar a noite no cárcere admoestando a multidão que o tenta­ra libertar, André é conduzido ao tribunal diante de Egates. Os primeiros raios do Sol ainda não haviam aquecido a manhã, quando as primeiras palavras do magistrado romano se dirigem ao apóstolo, na vã tentativa de dissuadi-lo da doutrina pela qual se dispusera a morrer.

"Considero que tu, refletindo ao longo da noite, voltaste teus pensamen­tos da tolice, tendo desistido da comissão de Cristo, para que permaneças entre nós, não lançando fora os prazeres da vida. Pelo que, seria grande estupidez enfrentar os sofrimentos da cruz por quaisquer que sejam os propósitos, entregando-se à mais humilhante de todas as punições."

Sendo, pois, convidado pelo procônsul a retratar-se de sua fé e a estimular os demais a fazerem o mesmo, o santo decididamente replica.

"Ó filho da morte e palha preparada para o fogo eterno, ouvi-me a mim, o servo e apóstolo de Jesus Cristo. Até agora tenho contigo gentilmente conversado acerca da perfeição da fé, a fim de que tu, após ter sido exposto à verdade, pudesses te tornar perfeito como seu defensor e, assim, desprezar os ídolos vãos e adorar apenas a Deus, que está no céus. Entretanto, já que permaneces na mesma impudência e pensas que me assustas com tuas ameaças, traga sobre mim, pois, aquilo que julgas ser a maior de todas as torturas."

Enfurecido por essa audácia sem precedentes, o procônsul ordena que André seja entregue nas mãos dos verdugos, a fim de ser castigado com grande severidade. Perturbado, entretanto, com a determinação do santo, Egates renova sua oferta de clemência ao já afligido apóstolo, se este abjurar sua fé publicamente. Como sua recusa se mostrasse definitiva, Egates de­termina a imediata crucificação do evangelista.
Conta-nos a lenda que uma multidão de cerca de vinte mil cristãos se­guia inconsolável o condenado em direção ao local da execução. Após André ser içado no madeiro, um certo Estratocles, discípulo seu, percebendo que os executores se afastaram, aproximou-se a fim de consolar seu mestre em seu sofrimento. Ao encontrá-lo sorrindo diante do summum suplicium -como era chamada a crucificação — o fiel lhe fala:

"Por que razão estás sorrindo, ó André, servo de Deus? Teu sorriso nos faz lamentar e chorar, porquanto nos encontramos privados de ti."

Ao que André lhe responde:

"Não devo eu rir-me, meu filho Estratocles, diante do esgotamento das estratégias de Egates, através das quais pensava vingar-se de nós? Nada temos com ele, tampouco com seus planos. Ele não pode ouvir, pois se pudesse, teria aprendido, por experiência, que o homem que pertence a Jesus não pode ser punido."

Como o sofrimento do apóstolo se prolongasse por mais de quatro dias, a população de Patras voltou-se enraivecida contra Egates e pressionou-o fortemente a libertar André. Temeroso de que uma negativa pudesse trans­formar a situação num levante de grande proporção, o procônsul decide, a contragosto, atender os rogos da multidão.
Ao aproximar-se de cruz sobre a qual André pendia agonizante e tendo atrás de si a multidão que bradava jubilosamente, Egates ouve surpreso a veemente recusa do santo em aceitar sua repentina e duvidosa demonstração de misericórdia.
Insistindo para que os presentes não o impedissem de glorificar a Deus com aquele suplício, André entrega seu espírito e parte para o Senhor, diante do olhar carregado da multidão que dele aprendera acerca do Evangelho.
Maximila, a nobre esposa de Egates, que também se tornara uma cristã por intermédio de André, ao saber que o santo havia partido para o Senhor, dirige-se apressadamente para o local da crucificação e, após auxiliar na retirada do corpo, ocupa-se de sua preparação, untando-o com custosas especiarias e ofere­cendo para o sepultamento um espaço em seu próprio jazigo.
Conta a lenda que Maximila, tendo decidido abandonar o procônsul, deixou-o sobremodo perturbado, de modo que este planejava enviar a César pesadas acusações contra sua esposa e os demais cristãos da cidade. Contudo, na calada da noite, enquanto elaborava os detalhes do documento, Egates, terrivelmente oprimido por demônios, lançou-se de grande altura, vindo a despedaçar-se em frente ao mercado público de Patras.
Conquanto outros relatos estabeleçam o martírio do apóstolo entre 68 e 69 A.D., esta lenda encerra a descrição da saga de André em Patras, datando de modo impreciso sua passagem ali:

"Essas coisas se passaram no dia anterior às calendas de dezembro, na província da Acaia, na cidade de Patras, onde seus maravilhosos feitos permanecem até o dias de hoje, para a glória e o louvor de nosso Senhor Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém."

O escritor medieval Dorman Newman também confirma o ministério do apóstolo na Grécia (op. cit., p. 43-45).

"Santo André dirigiu-se à Cítia e a Bizâncio, onde fundou igrejas. Por fim, rumou a Patras, uma cidade da Acaia, onde encontrou o martírio. Aegas, procônsul da Acaia, após intensa discussão, ordenou a André que abandonas­se sua religião, sob pena de ser torturado até a morte. Ambos imploravam pela retratação alheia: Aegas, tentava persuadir Andréa não perder sua vida e este, por sua vez, buscava convencer o magistrado a não perder sua alma.
Após suportar valentemente severa punição, André foi atado - e não pre­gado - a uma cruz, a fim de que se prolongassem seus estertores. Ali, exortou os cristãos e orou, saudando aquela cruz como uma oportunidade de apresentar ao seu Mestre um honroso testemunho. André permane­ceu por dois dias sobre a cruz, admoestando a quantos dele se aproximas­sem. Embora alguns importunassem o procônsul a fim de reverter aquele trágico quadro, o apóstolo continuava suplicando ao seu Senhor que lhe permitisse selar o testemunho da Verdade com seu próprio sangue."

Patras também aparece como ponto derradeiro de suas missões no livro The First-Called Apostle Andrew, do reverendo ortodoxo Hariton Pneumatikakis (citado em The Search for the Twelve Apostles, p. 84-85).

"A santa tradição afirma que o apóstolo André percorreu as regiões mais baixas do Cáucaso (presentemente, a Geórgia), vindo a anunciar a Palavra à raça dos citas, nas distantes regiões do Mar Cáspio. Dirigiu-se, então, a Bizâncio (atual Istambul), onde ordenou a Eustáquio como Bispo local.
André foi encarcerado e apedrejado, vindo a padecer muito por amor de Cristo. Em Sinope, sofreu a terrível ameaça de ser devorado vivo por canibais. Não obstante, continuou firme em sua tarefa apostólica de orde­nar bispos e espalhar o Evangelho do Salvador Jesus Cristo.
De Bizâncio dirigiu-se à Grécia, em sua principal jornada evangelística. Viajou pela Trácia e Macedônia até atingir o Golfo de Corinto, em Patras. Foi ali que André anunciou o Evangelho pela última vez.
Egates, o governador de Patras, irou-se sobremodo com a pregação de André, ordenando sua apresentação perante o tribunal local, numa atitude que visava erradicar dali a fé cristã. Como o apóstolo resistisse ao tribunal, Egates condenou-o a morte por crucificação. André permaneceu atado à cruz por espessas cordas durante três dias, sendo estas suas últimas palavras: Aceita-me ó Cristo Jesus, Aquele a quem vi, a quem amei e em quem subsisto; recebe em paz meu espírito em Teu Reino sempitemo'."

E razoável que Patras, na Acaia, como um importante centro portuário, tenha realmente sido alvo da pregação de algum dos doze, conforme dizem as tradições gregas. Paulo, vindo de Rodes, aportou ali em sua viagem para a Fenícia (At 21.1-2). Não sabemos exatamente quanto tempo demorou-se em Patras, mas é pou­co provável - considerando-se seu raro ímpeto evangelizante - que tenha desperdiçado a oportunidade de anunciar Jesus naquele local, mesmo que por poucas horas. Cidades próximas como Corinto, Cencréia, Tessalônica e Beréia foram intensamente evangelizadas não apenas por Paulo, mas também por Ti­móteo, Silas e Apoio nos dias do procônsul Gálio (At 18.1-18; 19.21).
Localizada na parte oriental da baía de Patraikos, a pouco mais de duzentos quilômetros de Atenas, Patras já em tempos apostólicos, destacava-se como uma das mais importantes cidades da província romana da Acaia. Conheceu o apogeu econômico no segundo século de nossa era; porém, duzentos anos depois, sua decadência foi inevitável, com o rápido desenvolvimento de Constantinopla, antiga Bizâncio. Principal contato comercial da península grega com o oeste europeu, o porto de Patras movimentava anualmente considerá­veis quantidades de mercadorias que abasteciam toda a península do Peloponeso.
Se a tradição grega acerca do ministério de André em Patras estiver corre­ta, é possível que dali o Evangelho tenha se disseminado para o interior da própria Acaia e para outras regiões do mundo antigo, através de mercadores que se valiam daquele concorrido porto mediterrâneo.
Atualmente, Patras, uma das mais belas cidades gregas, ainda conserva vestígios da presença do apóstolo André através daquela que é considerada a mais imponente Igreja de toda a Grécia, a Catedral de Santo André. Dedicada à memória do apóstolo, a nova construção foi erigida ao lado da antiga Igreja de Santo André, levantada entre 1936 e 1943, na qual se diz estar o sítio onde André fora crucificado.

Teria André estabelecido a Igreja de Bizâncio?
Sem embargo, a tradição ortodoxa tenta estabelecer uma base de susten­tação para a origem apostólica da Igreja de Bizâncio, mais tarde transfor­mada em Constantinopla, a ornamentada capital do Império Romano do Oriente. O nome de André — assim como o de João — figura entre aqueles que supostamente deixaram a semente apostólica naquela pequena cidade trácia que se transformaria, dali a dois séculos, num dos mais importantes centros urbanos da Antigüidade, como nos conta W. Cureton em seu Ancient Syriac Documents (p.34).
"O célebre texto 'O Ensino dos Apóstolos' (Didascalia Apostolorum), com­posto entre o final do segundo século e o princípio do terceiro e preserva­do em tradução siríaca, atesta a apostolicidade da Igreja de Bizâncio do seguinte modo: Bizâncio e toda a terra da Trácia, incluindo as regiões até o grande rio, cuja desembocadura mantinha afastados os bárbaros, rece­beram o sacerdócio das mãos apostólicas de Lucas, que lá erigiu uma Igreja e exerceu o sacerdócio, assim como o ofício de governador e admi­nistrador.
Contudo, a apostolicidade lucana da Igreja de Bizâncio é descrita dentro do contexto mais abrangente das atividades dos apóstolos João e André. Éfeso, Tessalônica e toda a Ásia, assim como a terra dos coríntios e a circunvizinhança da Acaia receberam o sacerdócio apostólico das mãos de João, o Evangelista. Nicéia, Nicomédia e toda a terra da Bitínia e Gótia, incluindo as regiões adjacentes, receberam a destra apostólica do sacer­dócio pelas mãos de André, o irmão de Simão Cefas. (...)
Essa tradição foi revitalizada ao tempo do cisma de Acácio (484-519 A.D.), durante o qual o confronto entre os tronos da velha e da nova Roma conduziu a um debate sobre os direitos canônicos do trono de Constantinopla, sob a ótica da compreensão ocidental da apostolicidade dos tronos patriarcais. É tradicionalmente aceito que, durante a visita do papa João a Constantinopla (525 A.D.), foi proposto a ele, com a assistên­cia do historiador Procópio, a tradição atribuída a Doroteu de Tiro, refe­rente à ordenação de Eustáquio como bispo de Bizâncio pelo apóstolo André.
Essa tradição exerceu grande influência sobre a literatura relativa às ativi­dades apostólicas de André, influência esta que sobressai a qualquer dis­cussão, já que pode ser confirmada pela impressionante difusão do culto ao apóstolo a partir do princípio do sexto século, ao longo de todas as igrejas do ocidente e do oriente que experimentaram alguma real cone­xão com Constantinopla.(...)
A narrativa sobre a relação do trono de Constantinopla com João, o Evangelista foi desenvolvida ao longo das tradições ligadas ao apóstolo André. (...) Esta projeção oficial da apostolicidade joanina da Igreja de Constantinopla pressupõe uma tradição preexistente, evidenciada pela afirmação do patriarca ecumênico Inácio, durante o segundo Concilio de Constantinopla (681 A.D.). A assertiva de Inácio foi uma resposta aos delegados papais, os quais se declaravam representantes do trono apostó­lico naquele conselho (...): 'Eu também ocupo o trono do apóstolo João e do protocletos André'."
Mesmo que tenham servido, em sua maior parte, apenas para sustentar as pretensões de supremacia do patriarcado de Constantinopla, as lendas sobre a atuação direta ou indireta de André em Bizâncio devem ser consi­deradas com a devida atenção. Afinal, essa localidade do sétimo século a.C, embora nos dias de André nem de longe resplandecesse o fulgor da futura Constantinopla, se tornara um importante acesso à Europa pelo oriente, com seu importante porto no Bósforo, especialmente aos que procediam da Bitínia, do Ponto e da Ásia Menor e que se destinavam às províncias romanas da Trácia, Moésia, Macedônia e Ilíria. Essa condição geográfica, de tão estratégi­ca, não deve ter passado despercebida aos primeiros missionários cristãos. Ademais, Bizâncio estava mais próxima de Éfeso — a base das ações missionárias de João e, talvez, de André - do que outras cidades alcançadas no primeiro século como Tessalônica, Beréia, Corinto e Filipos.
A destruição que sofreu por seu levante armado contra o imperador Séti­mo Severo em 196 A.D., deixa claro que a Bizâncio do período imediata­mente pós-apostólico era uma cidade de importância ascendente dentro do Império Romano.
A tradição apostólica não apresenta variações muito drásticas ao retratar o ministério de André. Basicamente, crê-se que o apóstolo deixou a Palestina ainda cedo e se dirigiu ao oriente, especialmente às regiões ao redor do Mar Cáspio e Mar Negro, como a Partia e a Cítia. André pode ter se tornado, destarte, mais um dentre os doze a evangelizar as regiões próximas ao sul da Rússia e o oriente europeu. Por outro lado, em seu rumo para o oeste, há suspeitas de que se reuniu temporariamente à Igreja em Éfeso, junto ao gran­de apóstolo João, em cuja companhia, segundo algumas lendas, estabeleceu posteriormente o bispado de Bizâncio. Quanto ao martírio de André, batizado como Protocletos (gr. o primeiro a ser chamado) pela tradição, são muito * fortes as informações que apontam Patras, na Grécia, como local de sua exe­cução, e a crucificação em "X" como a forma em que se processou.

Os restos mortais
Julgando-se pelas tendências da narrativa tradicional, parece que as relíquias do apóstolo André permaneceram, de algum modo, ligadas ao eixo Patras-Istambul-Roma. O rev. Hariton Pneumatikakis (citado em The Search for the Twelve Apostles, p.85) acrescenta alguns importantes detalhes sobre o tema:

"Uma cristã de nome Maximila tirou da cruz o corpo de André e sepultou-o. Quando Constâncio, filho do imperador Constantino, tornou-se o im­perador, ordenou que se conduzisse o corpo de André até a Igreja dos Santos Apóstolos, em Bizâncio (Istambul), onde repousou sobre um altar. A cabeça de Santo André, no entanto, permaneceu em Patras.
Em 1460 A.D., a cabeça do apóstolo foi levada para a Itália e colocada na Igreja de São Pedro, para maior proteção, após o avanço turco sobre Bizâncio. Ali permaneceu até o ano de 1964, quando o Papa Paulo VI determinou seu retorno à Sé Episcopal de Patras. Três representantes do Papa acompanharam a cabeça, colocada sobre um relicário e conduzida pelo Cardeal Bea a partir da Basílica de São Pedro. Ao chegar ao destino, a peça foi retornada ao Arcebispo Metropolitano Constantino, que ainda hoje aguarda."

Mary Sharp, em seu A Travellers Guide to Saints in Europe (p. 15) propõe í>Utro destino para a ossada do apóstolo.

"As relíquias de Santo André: A cabeça encontra-se na Igreja de São Pedro em Roma; outras peças em Sant/Andrea ai Quirinal, em Roma, e o restan­te em Amalfi. Os restos foram roubados de Constantinopla em 1210 e levados para a Catedral de Amalfi, próxima a Nápoles. Em 1462, o então Papa Pio II decidiu transferir a ossada craniana do apóstolo para a Catedral de São Pedro em Roma."

Em seu livro SacredandLegendaryArt (p.238), Anna Jamerson traz à luz mais alguns fatos interessantes acerca do destino de parte dos restos mortais de André, durante a Idade Média:

"Ao tempo em que Constantinopla foi tomada, sendo as relíquias de San­to André por conseguinte dispersadas, foi verificado por toda a cristanda-de um grande e entusiástico interesse pela vida desse apóstolo. Previamente honrado pela Igreja como o irmão de São Pedro, o apóstolo André já havia desde o passado se tornado foco de grande admiração.
Filipe de Burgundy (1433 A.D.), pagando um alto custo, adquiriu para si parte das preciosas relíquias, que consistiam basicamente em alguns pe­daços de sua cruz. Este, ao fundar sua nova ordem de cavaleiros, estabe­leceu-a sob a proteção do apóstolo. Em seu preâmbulo, a ordem demonstrava o propósito de reavivar a honra e a memória dos argonautas. Assim, seus cavaleiros passaram a usar como insígnia a Cruz de Santo André."

Dentre os restos mortais dos apóstolos, os de Santo André são reputados como dos mais genuínos, devido a relativa clareza histórica de seu percurso, desde os primórdios da Igreja até o presente, envolvendo as citadas cidades de Patras, Bizâncio, Roma e Amalfi.
Desde 1964 as relíquias de Santo André descansam no interior de uma antiga Igreja ortodoxa grega em Patras, na Grécia. A ossada foi devolvida por Roma dentro de um rico relicário de ouro trabalhado naquilo que se supõe ter sido a forma da face do apóstolo. Esse objeto, entretanto, foi roubado não muitos anos depois de sua chegada àquela cidade. O novo reli­cário, construído pelos próprios ortodoxos, por questões teológicas não co­pia formas humanas e, embora tenha sido trabalhado em prata e não em ouro, foi preciosamente adornado.
FONTE: Doze homens e uma missão / Aramis C. DeBarros. - Curitiba : Editora Luz e Vida, 1999.

5 comentários:

  1. Isso é prova de fé André.
    -Resistir à tentação de ceder à prova é o mais belo exemplo que um homem pode dar de sua conformidade com o amor que o trouxe à vida.
    -Shalon Adonai!!!
    Demerval.
    Uberlândia-MG.

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  2. muito bom, peço que os artigos possam ser um pouco mais claros, grato irmão fica na paz.

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